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Ponte de Lima

Independentes tentam travar adesão de Ponte de Lima a empresa multimunicipal Águas do Alto Minho

A aprovação da proposta de adesão está nas mãos da Assembleia Municipal e será votada na próxima reunião, que se realiza em setembro.

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Última reunião da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, a 23 de junho, na Casa do Povo de Freixo. Foto: Facebook de Abel Baptista - Ponte de Lima Minha Terra

O movimento “Ponte de Lima Minha Terra” (PLMT) , que nas últimas eleições autárquicas elegeu dois vereadores, dos sete que compõem a câmara municipal de Ponte de Lima, vai organizar uma sessão pública sobre a adesão do município à Águas do Alto Minho, SA, “pelo período de 30 anos, em regime de exclusividade”. A iniciativa irá decorrer este sábado, 25 de agosto, a partir das 09:30 horas, no Auditório Municipal, nos Paços do Concelho.

Vídeo: Facebook de Abel Baptista – Ponte de Lima Minha Terra

“Esta sessão visa dar público conhecimento da posição dos eleitos de PLMT, mas também permitir a que todos os cidadãos possam expressar a sua opinião e alertar a comunidade limiana para as consequências desta adesão se vier a ser aprovada”, refere o vereador Abel Baptista, em nota enviada a que O MINHO, acrescentando que “o nosso propósito é que haja uma informação objetiva, transparente, plural e pública, por isso convidamos o Sr. Presidente da Câmara a estar presente e todos os Presidentes de Junta de Freguesia para assim cada um fazer valer os seus argumentos, sem constrangimentos, sujeitando-se ao contraditório e ao debate”.

OPINIÃO: Lá vai Água – Abel Baptista

A proposta de adesão já foi aprovada em reunião de câmara, no passado dia 13 de agosto, com os votos favoráveis dos cinco vereadores do CDS, mas terá, agora, de ser aprovada pela Assembleia Municipal, que é composta por 22 membros eleitos do CDS, 9 do PLMT (independentes, com apoio do PS), 5 do PSD, 3 do “Movimento 51” e 1 do PCP-PEV e 39 presidentes de junta, na sua esmagadora maioria também afetos ao partido liderado pelo Presidente da Câmara, Vítor Mendes.

O vereador, que em 2017 abandonou o seu lugar de deputado à Assembleia da República, em divergência com a atual direcção nacional do CDS, presidida por Assunção Cristas, e foi expulso do partido, do qual era um destacado militante, a nível regional, escreveu esta semana um artigo de opinião sobre à adesão do município à empresa, publicado no jornal O MINHO, onde critica a decisão “aprovada às escondidas e nas costas dos limianos”, apontando três razões para o voto contra dos vereadores do movimento que lidera, naquela reunião.

“1 – Esta adesão determina um aumento imediato do preço da água de, pelo menos, mais 27,5% para os consumidores;

2 – O Município de Ponte de Lima aliena o seu poder de decisão sobre todas as matérias de gestão da água de abastecimento público para consumo humano;

3 – Diminuição drástica da capacidade de decisão sobre investimentos. O nome deste artigo remete para o tempo medieval em que as pessoas não tinham água, nem saneamento e atiravam pela janela as águas sujas e os dejetos, gritando no momento do lançamento “lá vai água””, enumerou Abel Baptista naquele texto.

Em causa está a proposta de criação da Águas do Alto Minho, empresa de gestão das redes de água, em baixa, e do saneamento, detida em 51% pela Águas de Portugal (AdP) e, em 49%, pelos dez municípios da região.

Dos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo, três – Ponte da Barca (PSD), Monção (PSD) e Melgaço (PS) – chumbaram a constituição daquela parceria.

Em junho, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN) manifestou-se, também, contra esta fusão dos sistemas, por considerar que se trata da “privatização” do setor.

“A experiência que temos de outros municípios que adotaram deste modelo de gestão não é positiva”, referiu, na altura, um responsável daquele sindicato.

A nova entidade gestora regional Águas do Alto Minho deverá estar formalmente constituída em janeiro de 2019.

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