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WhatsApp começa a ganhar relevância na política em Portugal, dizem investigadores

ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e do Observatório da Comunicação (OberCom)

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Foto: Divulgação

As redes sociais são “mais um canal” para os partidos políticos fazerem campanha eleitoral e o Facebook é o que mais chega ao eleitorado, e o WhatsApp começa a ganhar relevância em Portugal, segundo investigadores ouvidos pelo Lusa.

A investigadora do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e do Observatório da Comunicação (OberCom) Ana Pinto Martinho disse à agência Lusa que o Facebook é a rede social que chega a um maior número de pessoas, sendo, por isso, o canal privilegiado para os partidos políticos fazerem passar a sua mensagem, uma vez que atinge quase todo o eleitorado, incluindo o mais velho.

No entanto, este ano está a assistir-se “a um aumento muito maior da comunicação através do WhatsApp”, referiu Ana Pinto Martinho, sustentando que o que aconteceu nas eleições do Brasil está agora a começar a passar-se em Portugal.

A investigadora atribui muita importância aos grupos que começam agora a surgir no WhatsApp, que “não são uma coisa muito visível”, mas “chega às pessoas de uma forma diferente” e “mais personalizada”.

Nas eleições presidenciais brasileiras, que elegeram Jair Bolsonaro, em 2018, o WhatsApp foi um meio privilegiado para a difusão de notícias falsas.

Já no Instagram, que é seguido por eleitores mais jovens, os políticos fazem publicações mais próximas e “não tão políticas”, adiantou, frisando que o Twitter é “mais restrito” e não é acessível ao público em geral, sendo seguido sobretudo por jornalistas e políticos.

Também Sérgio Denicoli, especialista de comunicação digital da Universidade do Minho, disse à Lusa que, em Portugal, os partidos têm procurado estar presentes sobretudo no Facebook e Instagram, começando o WhatsApp “a ganhar mais relevância entre os portugueses, mas não tão cabal como foi, por exemplo, nas eleições brasileiras”.

O PS, o PSD, a CDU e o BE, através do Esquerda.net, são alguns dos partidos que criaram grupos no WhatsApp para divulgação de informação da atividade política.

Numa consulta feita hoje aos vários perfis do Facebook, o partido Pessoas Animais Natureza (PAN) é aquele que lidera com maio número de ‘gostos’ na página oficial daquela rede social, com 160 mil, seguido do PSD com 149 “gostos”.

Entre os partidos sem assento parlamentar, o Nós Cidadãos e a Iniciativa Liberal conseguem reunir 64 mil e 61 mil ‘gostos’ respetivamente.

Já no Twitter, o PSD é o partido que surge em primeiro lugar, com 34,9 mil seguidores, logo depois está o PS com 32,1 mil. Já a coordenadora nacional do BE, Catarina Martins, que reúne na sua página toda as informações relacionadas com a campanha, é seguida por 70,8 mil seguidores.

No Instagram é o PAN que lidera a lista com mais seguidores ao alcançar os 23 mil, enquanto o PSD reúne 13,5 mil ‘seguidores’.

Para a investigadora do ISCTE, o número de ‘gostos’ ou de ‘seguidores’ nas redes sociais “não reflete diretamente a intenção dos votos”.

No entanto, considerou que as redes sociais têm “uma importância cada vez maior para os partidos políticos”, embora Portugal não seja o país “onde exista uma propaganda mais agressiva”.

Ana Pinto Martinho referiu que são, muitas vezes, as juventudes partidárias que fazem “as brincadeiras”, enquanto “os partidos em si tendem a ter uma presença mais séria nas redes sociais”.

A investigadora sustentou que as redes sociais “são mais um canal” para os partidos políticos fazerem campanha eleitoral, mas não substituem “por enquanto” as arruadas ou as ações de rua, apesar de, através do Facebook ou do Instagram, poder existir “mais proximidade”.

Por sua vez, o docente da Universidade do Minho considerou que quem estiver fora das redes sociais “terá muito mais dificuldade em se manter ou se estabelecer como força política”, embora defenda que elas são “tão importante” como as ações de rua.

Para Sérgio Denicoli, a campanha de rua é muito importante para que os políticos conheçam localmente os problemas do país, sendo estas ações e as redes sociais “dois universos que se encontram e interagem”.

Segundo o especialista, os partidos que consigam fazer propaganda e passar a sua mensagem via internet tendem a crescer, sendo através das redes sociais que uma grande parte dos eleitores mais recebe informações políticas.

No entanto, o especialista em comunicação digital sustentou que “o uso das redes ocorre ainda de forma muito amadora pela maioria dos partidos”.

As eleições legislativas realizam-se a 06 de outubro.

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País

Mais 111 milhões para obras nas escolas com prioridade para remoção do amianto

Orçamento do Estado 2020

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Foto: Arquivo

O ministro da Educação anunciou no parlamento uma verba adicional de 111 milhões de euros para obras nas escolas, com prioridade para os estabelecimentos com estruturas com amianto.

“Conseguimos agora alocar 111 milhões de euros adicionais, em sede de reprogramação, para várias dezenas de novas intervenções nas escolas públicas de norte a sul do país”, anunciou Tiago Brandão Rodrigues, durante a audição conjunta das comissões de Orçamento e Finanças e de Educação, Ciência e Juventude, para debater a proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

O ministro apontou que, nos últimos quatro anos, o seu Ministério juntamente com mais de uma centena de autarquias conseguiram realizar 700 obras avaliadas em mais de 700 milhões de euros.

Nestas obras de requalificação, a prioridade será dada à remoção de amianto levando a cabo um trabalho já iniciado no anterior mandato e que Tiago Brandão Rodrigues promete agora continuar.

As verbas para estas obras estão inscritas no OE2020 “como prioridade do Fundo de Reabilitação e Conservação Patrimonial”.

O ministro garantiu que será dada uma “sequência ainda mais intensa ao trabalho já desenvolvido desde 2016 em mais de duas centenas de escolas, logrando remover o dobro dos materiais com amianto retirados no quadriénio anterior, entre 2011 e 2015”.

Tiago Brandão Rodrigues prometeu ainda iniciar este ano “a concretização no terreno de um verdadeiro plano de valorização e rejuvenescimento da carreira docente”.

Sobre esta matéria, o ministro explicou que a ideia passa por fazer um diagnóstico das necessidades de docentes e uma melhoria da “sua formação inicial e contínua”.

Quanto às novidades na área do Desporto, Tiago Brandão Rodrigues defendeu que 2020 será “um ano de celebração olímpica a paralímpico”, estando previsto “um notável investimento acumulado de 25 milhões de euros naqueles que envergam a nossa camisola”.

O Programa de Reabilitação de Infraestruturas Desportivas tem previsto no OE2020 uma verba de 2,5 milhões de euros, ou seja, “duas vezes e meia a mais do que em 2017”, quando o programa foi lançado, disse o ministro.

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País

PSP proibe gozo de férias, folgas e créditos aos polícias em dia de protestos

Direção baseia decisão na “necessidade de assegurar um policiamento ajustado”

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Foto: Twitter / Arquivo

Vários comandos da PSP estão a proibir todo o efetivo policial de gozo de férias, folgas e créditos horários para a próxima terça-feira, dia em que os polícias têm marcado vários protestos.

Numa ordem de serviço, a que agência Lusa teve acesso e datada de 16 de janeiro, a PSP justifica “a impossibilidade do gozo de férias, folgas e créditos horários” com a comparência de “um número significativo de manifestantes” nas várias ações de protestos das forças de segurança e com a “necessidade de assegurar um policiamento ajustado”.

A Polícia de Segurança Pública considera também que “o dispositivo de segurança a implementar no policiamento aos protestos não deverão condicionar o cumprimento das demais missões”, nomeadamente ao nível da “garantia da segurança, ordem e tranquilidade públicas e resposta a solicitações”.

Na ordem de serviço, a PSP determina “a impossibilidade” de gozo de créditos horários e de faltas por conta do período de férias por parte do todo o efetivo, bem como o gozo de férias aos elementos das Equipas de Intervenção Rápidas e Equipas de Prevenção e Reação Imediata.

Fonte policial disse à Lusa que esta ordem serviço foi distribuída pelos efetivos dos comandos de Lisboa, Porto, Braga, Faro e Setúbal.

Sete sindicatos da PSP e a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) vão realizar, na próxima terça-feira, concentrações em frente ao estádio de Braga, onde vai decorrer a “Final Four” da Taça da Liga em futebol, em frente do Ministério das Finanças, em Lisboa, e em Faro.

Nesse mesmo dia, o Movimento Zero, um movimento social inorgânico criado em maio de 2019 por elementos da PSP e da GNR e bastante visível na manifestação de novembro, vai realizar concentrações em todos os aeroportos portugueses, que se vão estender por vários dias.

Entre as reivindicações da classe policial e militar da GNR estão o pagamento do subsídio de risco, a atualização salarial e dos suplementos remuneratórios, o aumento do efetivo e mais e melhor equipamento de proteção pessoal.

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Sindicato dos oficiais de justiça marca greve prolongada até final do ano

A associação afirma-se “contra as formas contemporâneas de escravidão”

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Foto: DR

O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) anunciou, esta sexta-feira, a marcação de uma greve que se prolonga de 22 de janeiro até 21 de dezembro, em prol das reivindicações da classe, incluindo a questão do regime de aposentação.

Segundo adianta o SOJ em comunicado, a greve vai decorrer durante o horário de almoço e após conclusão da jornada de trabalho, período que – alega o sindicato – “deveria ser de descanso, mas que para os Oficiais de Justiça, infelizmente, não o é”.

“Os oficiais de justiça não podem aceitar que, concluída a jornada de trabalho, tenham de continuar a laborar, noite dentro, como tantas e tantas vezes o país acompanha pelas televisões, sem que sejam remunerados ou compensados por esse seu trabalho, em claro prejuízo das suas vidas pessoal, familiar e, até, profissional, uma vez que a sobrecarga de trabalho concorre para o erro”, diz o sindicato.

O SOJ adverte que “não se resigna com a situação que persiste há demasiado tempo”, pelo que não deixará de continuar a denunciar e lutar “contra as formas contemporâneas de escravidão”, sustentando que “é disso que se trata”.

“Escravo não apenas aquele que usa grilhetas nos pés. Escravo é todo aquele que é sujeito a horários desregulados e trabalha, coagido sob a ameaça de sanções penais ou disciplinares, sem qualquer remuneração nem compensação”, considera o SOJ.

O sindicato alega ainda que “um trabalho para o qual as pessoas não se oferecem espontaneamente, mas sim coagidas a trabalhar, sob a ameaça de processos disciplinares e penais, não pode ser considerado como um trabalho, mas como uma sentença por algum delito cometido”.

Assim, e no entender do sindicato, os oficiais de justiça “não são remunerados, nem compensados por garantirem direitos, liberdades e garantias aos demais cidadãos”, pelo que exigem ser compensados através de um regime de aposentação mais favorável.

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