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Theatro Circo inaugura exposição “O Século do Theatro”, uma janela para o passado

Braga

Theatro Circo inaugura exposição “O Século do Theatro”, uma janela para o passado

O Theatro Circo, em Braga, abriu hoje uma janela para o passado com a inauguração da exposição “O Século do Theatro”, uma montra de momentos dos 100 anos da “mais bela sala de espetáculos” do Minho.

Pelas paredes brancas adornadas com talha dourada e reflexos dos lustres do salão nobre do Theatro Circo, em cartazes que misturam imagens do passado com textos do presente, desfila a história do edifício, com imagens da “divina” Amália, do excêntrico Papuss, aos “autênticos Chineses de Pekin” até ao anúncio de gente morta, “ilusões jornalísticas”.

O vermelho sangue do tapete que cobre as escadas e o chão do salão nobre esconde as marcas do tempo, da história e da assombração de uma freira que os cartazes nas paredes retratam.

O Dia 1 abriu com a Rainha das Rosas com Cremilda D’Oliveira como “princeza Anita”. No cartaz de inauguração, no qual o Theatro não exibe o “h”, há um aviso, “guarda-roupa luxuoso e riquíssimo”, prenúncio para a vida daquela sala de espetáculos.

Alguns cartazes para a direita, ou esquerda, porque a história nem sempre é contada em linha contínua, uma caixa de vidro exibe um homem deitado: é Papuss, “o jejuador”, um faquir que se exibia fechado numa urna, tal qual uma “múmia viva”, apenas com um frasco de éter, um livro e um lápis. Isto também é espetáculo.

Outro cartaz, outra história. Nesta entra um sósia de Charlie Chaplin, Cardo, artista que afirmava ser o verdadeiro Charlot e se fazia acompanhar da “exótica” bailarina Dora, cuja imagem, de formas volumosas e trajes diminutos, contrasta com a sociedade conservadora de Braga.

A “divina” Amália atuou no Theatro Circo várias vezes: o cartaz representativo da passagem da voz maior do fado aponta o dia 18 de janeiro de 1955 e deixa o aviso, “Amália faz a sua despedida de Portugal, antes do seu embarque para a América”.

Do outro lado do salão, mesmo em frente ao sofá carmim, uma notícia, “Gente Morta” no Porto ao tentarem impedir que dois artistas, Adriana e seu Charlot, embarcassem rumo a Braga para “tomar parte no magnífico espetáculo “no Theatro Circo. Lido o texto, não houve sangue, apenas “muita gente morta… Por ver o sensacional espetáculo”.

Uns passos atrás, um dos mitos que ecoa nos corredores do Theatro, a Freira que assombra aquela casa e que, dizem os textos, era uma das devotas do Convento dos Remédios, em cima do qual se ergueu a casa de espetáculos. Afinal, a Freira existiu mesmo, garantem os textos.

Há outros cartazes, outros nomes, nas paredes do Theatro Circo, momentos de uma história com 100 anos que começou hoje a ser lembrada e celebrada.

Hoje, 21 de abril, o Theatro Circo celebra 100 anos de portas abertas e inicia um ano de programação especial alusiva ao centenário, que começa esta noite com um concerto de Rodrigo Leão com a participação da bracarense e soprano Dora Rodrigues.

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