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Viana do Castelo

Prédio Coutinho, a guerra mais dura de um coronel com oito anos de Ultramar

Em Viana do Castelo

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Foto: DR/Arquivo

Combateu no Ultramar durante oito anos mas confessa que a guerra que lhe está a custar mais é a que vem travando contra a demolição da casa onde vive há quase meio século, no prédio Coutinho, em Viana do Castelo.

“Tenho cinco anos de guerra em Angola e quase três em Moçambique. Guerra muito dura. Mas sabe por que digo que esta guerra me custa mais? Porque esta é uma guerra muito mais desumana”, atira, emocionado, José Oliveira Santos.

Moradores voltaram a sair do prédio Coutinho após suspensão do despejo

É coronel na reserva, comandou a PSP de Viana do Castelo e o Batalhão de Caçadores 9, foi juiz do Tribunal Militar do Porto e é um dos rostos da resistência à desocupação do “prédio Coutinho”.

Vive, com a mulher, no quinto dos 13 andares do edifício, um edifício que a VianaPolis anda há 19 anos a tentar demolir, por considerar que se trata de um ‘mamarracho’ que desfeia o centro histórico da cidade e que é importante corrigir os erros urbanísticos do passado.

Morreu moradora do Prédio Coutinho

No edifício, chegaram a morar cerca de 300 pessoas, que entretanto foram saindo, restando agora nove, divididos por seis apartamentos.

“Não tenho dúvidas de que vou ter de sair, eu sei que tenho de sair, mas hei de sair pelo próprio pé e não empurrado”, refere Oliveira Santos.

Garante que tinha tudo preparado para sair. Já comprou casa noutro local da cidade e mostra malas, caixotes e sacos carregados com os seus haveres e colocados no corredor, prontos para a transferência.

Cancelado cordão humano pela saída dos últimos moradores do prédio Coutinho

“Na segunda-feira, o presidente da câmara disse-me que queria dialogar e eu estava disposto a um acordo. Na terça-feira, cortaram-me o gás. Foi uma facada que deram na minha dignidade. Podem-me cortar o gás, a luz, a água, tudo o que quiserem. Mas a minha dignidade não cortam. Não vai ser com uma pistola apontada à minha cabeça que me tiram daqui”, refere.

Agora, vinca, só sai quando houver uma ordem do tribunal que a isso o obrigue.

“Já fui juiz, respeito os tribunais. Mas sem essa ordem do tribunal, não me arrancam daqui”, diz ainda.

VianaPolis pede “revogação do despacho” que suspende despejos do prédio Coutinho

Ele tem 79 anos, a mulher 78. Escolheram comprar casa no “prédio Coutinho” sobretudo pelas “vistas”. De um lado, vê-se o monte de Santa Luzia, o outro lado está virado para o rio Lima.

“Estas vistas custaram-me os olhos da cara”, lembra, adiantando que em 1974 pagou 1.150 contos (5.750 euros) pelo T3 em que vive com a mulher.

A partir de 2000, após ter sido tornada pública a intenção de demolição do edifício, os moradores interpuseram várias ações judiciais para tentar impedir a destruição dos seus lares, mas entretanto a esmagadora maioria chegou a acordo com a VianaPolis, tendo uns optado por receber indemnizações e outros pelo realojamento em edifícios construídos expressamente para o efeito.

Tribunal aceita providência cautelar dos moradores do prédio Coutinho

No Coutinho, restam agora nove moradores, cujo despejo esteve previsto para a passada segunda-feira, na sequência de uma decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga que declarou improcedente a providência cautelar movida em março de 2018.

No entanto, os moradores recusaram sair, tendo entretanto a VianaPolis cortado a eletricidade, o gás e a água do prédio e avançado com a “desconstrução” do edifício.

“Andaram às marretadas nos apartamentos mesmo ao lado dos que ainda estão habitados, mas eu não tenho medo das marretadas nem de nada. Na guerra, ouvi barulhos muito piores. Não são as marretadas nas paredes que me afectam. O que me afeta são as marretadas na minha dignidade”, remata Oliveira Santos.

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Viana do Castelo

Avaliado grau de satisfação das 619 mordomas que desfilaram na Romaria d’Agonia em Viana

Comissão interessada em reunir as sugestões das participantes

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As 619 mordomas que participaram na edição deste ano do desfile da mordomia, durante a Romaria d’Agonia, em Viana do Castelo, estão a ser inquiridas pela VianaFestas, que quer saber do grau de satisfação das mulheres.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da Comissão de Festas da Senhora da Agonia, António Cruz, disse ter sido enviado “um questionário a todas as participantes que tem como principal objetivo analisar o grau de satisfação das mulheres, em diversos parâmetros, desde a inscrição até à realização do desfile”.

“Só nos foi possível efetuar o lançamento do questionário graças à base de dados que a plataforma de inscrição online nos facultou”, especificou António Cruz.

O responsável acrescentou que a avaliação já iniciada “pretende ainda obter resultados sobre o bem trajar e o bem ourar” das mordomas que participam num dos números emblemáticos das festas da capital do Alto Minho.

“Esta auscultação permite-nos entender a origem dos trajes que desfilam e quantas vezes as participantes já desfilaram. É do nosso interesse reunir também as sugestões das participantes para podermos melhorar do planeamento do desfile”, sustentou António Cruz, frisando que “todos os dados fornecidos pelas mordomas no questionário são confidenciais”.

Este ano, no primeiro dia das festas, a 16 de agosto, participaram 619 mordomas de sete países, exibindo todos os trajes de festa de Viana do Castelo.

De acordo com os dados avançados, na altura, pela VianaFestas, “além de Portugal, participam neste desfile mulheres de França, Luxemburgo, Brasil, Andorra, Reino Unido e até da República Checa”, sendo que a plataforma ‘online’, criada há dois anos para as inscrições, permitiu perceber que “a idade que garantiu o maior número de inscrições foi a dos 20 aos 29 anos”.

Em 2018, segundo a VianaFestas, “mais de 600 mulheres inscreveram-se no desfile, oriundas de cinco países”.

A plataforma digital criada, em 2018, pela Comissão de Festas da Senhora da Agonia, veio permitir a participação de mulheres de todo o mundo no desfile da mordomia.

Pela primeira vez, as inscrições para aquele número das Festas d’Agonia, aconteceu exclusivamente através daquela plataforma digital.

A constituição da plataforma implicou a criação de um documento intitulado “Condições de Participação no Desfile da Mordomia” que “deve ser lido e aceite pelas participantes, revelando todos os direitos e deveres tanto das mordomas como organização”.

O desfile, que se realiza desde 1968, estabelece a idade mínima de participação a partir dos 14 anos, a ausência de maquilhagem ou unhas pintadas ou de gel, a obrigatoriedade de uso de peças de ourivesaria tradicional portuguesa e de trajes tradicionais de Viana do Castelo, como os trajes de Festa da Ribeira, à Vianesa, de Cerimónia/Lavradeira Rica ou Traje de Mordoma.

O desfile da mordomia é o momento em que os diferentes trajes das freguesias de Viana se encontram e mostram, de uma só vez, à cidade.

Trata-se de uma tradição cada vez mais enraizada entre as jovens e mulheres de Viana do Castelo e que junta várias gerações, num quadro único das festas.

Desde 2014, também as mulheres da ribeira de Viana do Castelo, com os seus trajes de varina, participam neste desfile colorido pelos vermelhos, verdes e amarelos dos típicos e garridos trajes das diferentes freguesias.

Não faltam também os fatos de noiva mais sóbrios, de cor preta. Neste número algumas das mulheres chegam a carregar, dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a “chieira” (termo minhoto que significa orgulho) e outrora o poder financeiro das famílias.

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Viana do Castelo

Mais de 42 toneladas de lixo recolhidas durante a Romaria d’Agonia em Viana

Destaque para resíduos valorizáveis

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Foto: Divulgação / CM Viana do Castelo

Foram recolhidas 42,84 toneladas de resíduos urbanos durante a Romaria em honra de Nossa Senhora da Agonia, informou esta sexta-feira a Câmara de Viana do Castelo.

Em nota enviada a O MINHO, aquela autarquia destaca as 7,01 toneladas de resíduos valorizáveis, as 4,45 toneladas de papel e cartão, 0,82 toneladas de plástico/metal/compósitos, 0,54 toneladas de vidro e as 1,2 toneladas de bioresíduos alimentares.

Aquela autarquia realça que esta ação de sensibilização foi efetuada em parceria com os Serviços Municipalizados de Saneamento Básico de Viana do Castelo (SMSBVC), Resulima e Vianafestas, e que contou com a participação de mais de 30 voluntários.

Para o ato de reciclar, foram instalados 16 conjuntos de três contentores de 240 litros onde foi possível depositar resíduos valorizáveis através de recolha seletiva.

De acordo com a mesma nota, Viana do Castelo “tem registado um aumento da recolha seletiva, já que a separação de resíduos valorizáveis, designadamente papel/cartão, plástico/metal e vidro assinalou um crescimento de 14% no primeiro semestre deste ano relativamente ao mesmo período do ano homólogo, superando o resultado a nível nacional (11%)”.

“Nos primeiros seis meses deste ano, cada vianense contribuiu com 29 quilos de materiais separados, perspetivando-se que, no final do ano, e a manter-se este crescimento, sejam separados 66 quilos por habitante. O papel/cartão registou um incremento de 22%, seguindo-se do plástico/metal, com um crescimento de 13%, e do vidro, que cresceu 7%”, aponta a Câmara de Viana do Castelo.

A autarquia explica ainda que a meta para retomas de recolha seletiva em 2020 do Plano Estratégico de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos em vigor (PERSU 2020) é de 45 quilos por habitante no conjunto de Portugal continental.

“No último ano, a entidade gestora em alta Resulima S.A, em parceria com os Serviços Municipalizados de Saneamento Básico de Viana do Castelo (SMSBVC) disponibilizou mais 55 equipamentos destinados à deposição destes materiais. Atualmente, estão instalados em todo o município cerca de 595 ecopontos, correspondendo a 1 ecoponto por cada 143 habitantes”, pode ler-se no mesmo documento.

A Câmara vinca ainda que a SMSBVC têm reforçado as ações de sensibilização, apelando ao cumprimento dos deveres de cidadania ambiental.

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Viana do Castelo

Nasce em Viana um banco de professores aposentados para explicações a alunos carenciados

Associação Juvenil Pa’Ideia

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Foto ilustrativa / DR

Uma campanha da Federação Nacional das Associações Juvenis (FNAJ) aberta a 4.000 jovens de todo o país originou projetos de associativismo e voluntariado envolvendo professores aposentados, reutilização de tecnologia obsoleta e promoção do emprego, revelou esta quinta-feira a organização.

Um desses projetos é o da futura Associação Juvenil Pa’Ideia, idealizada em Viana do Castelo, na Escola Básica e Secundária de Barroselas: destina-se a criar um banco de professores aposentados que se voluntariem para assegurar explicações gratuitas a estudantes que, embora com dificuldades de aprendizagem em determinadas disciplinas, não têm recursos financeiros para contratar apoio especializado.

Em causa está o concurso “Vamos criar uma associação juvenil”, que, apresentado em mais de 40 escolas do país, apelou para o envolvimento de estudantes do 9.º ao 12º anos em ações de cidadania e voluntariado, levando-os a conceberem projetos originais para problemas concretos das suas comunidades.

Pedro Tilheiro Moreira é um dos autores do projeto e, tendo em conta a formação que adquiriu na campanha da FNAJ, encara a iniciativa como uma forma de também combater o desinteresse eleitoral dos jovens, que “na sua maioria estão de costas voltadas para a política, o que contribui para uma grande abstenção”.

“Selecionámos dois estabelecimentos de ensino por distrito, sempre em localidades fora dos grandes centros urbanos, e, durante sete meses, ajudámos 4.000 jovens a desenvolverem novas competências, para que melhor pudessem identificar os problemas das suas escolas e comunidades e gerar lideranças com impacto direto no seu dia-a-dia”, explicou à Agência Lusa o presidente da FNAJ, Tiago Rego.

Comunicação, gestão de projetos, coordenação de equipas e gestão de conflitos foram algumas das competências desenvolvidas em ações de sensibilização, sessões de tutoria com facilitadores especializados, eleições e outras iniciativas que “tiraram os jovens das suas áreas de conforto e os levaram efetivamente a agir”, concebendo associações com “projetos exequíveis”.

Para o líder da FNAJ, que representa cerca de 1.200 instituições e 500.000 agentes do movimento associativo jovem português, tratou-se de “uma iniciativa inédita”, sobretudo porque, após a apresentação da campanha nas 40 escolas, um grupo de 50 participantes foi convidado a visitar diferentes instituições do país, numa “experiência única de intercâmbio e aprendizagem coletiva”.

Contactando com associativistas, participando em atividades desportivas, sociais e ambientais, e trabalhando temas como os objetivos de desenvolvimento sustentável das agendas 2020 e 2030 das Nações Unidas, esses 50 jovens selecionaram depois os seis melhores projetos entre os 20 apresentados à FNAJ (o que correspondeu a um finalista por distrito).

Seguidamente, uma eleição nacional apurou como grande vencedor do Prémio Inovação FNAJ 2019 o projeto de Beja “Anda lá!”, apostado em criar uma associação que possa desenvolver uma aplicação informática com oportunidades de emprego e voluntariado para jovens da região que não estudem nem trabalhem.

“A app vai reunir ofertas de trabalho, com o empregador a identificar as suas necessidades de pessoal e o valor que pode pagar pelo serviço, e terá também propostas de voluntariado, o que permitirá a jovens alentejanos adquirirem experiência laboral e cívica, o que é particularmente útil numa área altamente afetada pela escassez de oportunidades”, defendeu Tiago Rego.

Max Supelnic é um dos autores do projeto e reconhece que foi precisamente a dificuldade em encontrar uma ocupação que o inspirou: “Quis ajudar pessoas como eu porque no ano passado andei à procura de um part-time para as férias e não consegui arranjar nada, ou porque era menor e não me queriam, ou porque não havia mesmo mais opções”.

A equipa de Max ganhou uma visita a instituições da União Europeia com influência nas políticas de juventude, mas, mesmo sem prémio, há duas outras propostas que já se destacam entre as restantes candidaturas pelos passos dados no sentido de formalizar as respetivas associações.

Outra associação em vias de ser constituída é a Gaivotas Verdes, que surgiu no distrito do Funchal, na Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, e se propõe combater junto de fabricantes e consumidores a “obsolescência programada”, isto é, o recurso a produtos tecnológicos cujos componentes elétricos e eletrónicos têm um prazo de funcionamento prévia e industrialmente estabelecido para garantir a sua curta durabilidade e incentivar substituições rápidas.

Tomás Melício reconhece que desconhecia esse problema antes da discussão gerada na escola por iniciativa da FNAJ e quer agora estimular compras mais informadas, sensibilizar fabricantes para estratégias de produção mais responsáveis e dar nova vida aos resíduos e outro “e-waste” resultantes da obsolescência intencional.

Para isso, está já a contatar diferentes instituições com vista a angariar apoios como “transporte para ações de sensibilização, cartazes e material pedagógico, e, sobretudo, voluntários que se queiram associar ao projeto e ajudar nas suas ações”.

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