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Região

Pela preservação do lobo ibérico, nasce um festival comunitário na Peneda-Gerês

Programa junta tradições, música, exposições e workshops

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Fotos: Divulgação

O Festival Aldeia de Lobos, a realizar nos dias 28 e 29 de Junho, em Fafião, em pleno coração do Parque Nacional Peneda-Gerês, é um festival comunitário que tem como protagonista central o lobo-ibérico e a sua relação com a comunidade local.


Na aldeia onde o lobo era levado para morrer nasce um festival em prol da sua preservação. “Longe vão os tempos em que esta espécie, hoje em vias de extinção, era inimiga da população de Fafião, uma das poucas aldeias do país que ainda conserva a tradição da vezeira”, refere a organização.

E se o lobo é a figura central deste festival, a Companhia de teatro Filandorra encena uma peça que lhe dá destaque. Já as gentes mais antigas desta terra juntam-se a Ulisses Pereira para uma sessão de contos e lendas sobre a relação de Fafião com o lobo.

De outras tradições da aldeia também se faz a festa, “ao som de fanfarras e com o aroma a conforto que irá sair pelas chaminés dos fornos fafiotos com o workshop de produção de pão tradicional”. Nas cortes onde os animais pernoitam, estarão as exposições e as instalações artísticas que incluem máscaras tradicionais da região, feitas de madeira.

As ruas estão guardadas para outras intervenções artísticas e tradicionais. “Não faltará também a recriação da mítica Queimada Galega pelo não menos mítico Padre Fontes, várias vezes protoganista deste ritual pagão praticado há vários séculos na região”.

Mas também de muita música se faz o Festival Aldeia de Lobos. Serão dois dias de concertos e sets de DJ de artistas nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, há exposições de escultura, pintura e fotografia e instalações artísticas que estarão distribuídas pela aldeia de Fafião, assim como murais de arte urbana.

“Os visitantes poderão ainda participar em workshops sobre técnicas ancestrais de produção de artesanato,caminhadas por trilhos desenhados pela comunidade local, conhecer um mercado de produtos típicos produzidos na aldeia e provar refeições comunitárias cozinhadas por habitantes de Fafião”.

O restauro da figura do santo padroeiro da aldeia, São Tiago (na igreja de Fafião), a realizar pelo grupo de conservação e restauro Dalmática,é outra das atividades programadas.

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Região

Os Clã têm novo disco e nova formação com dois músicos de Barcelos e Braga

Música

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Foto: DR

Os Clã, uma das mais importantes bandas portuguesas, têm um novo disco, chamado “Véspera”, e também uma formação renovada com secção rítmica minhota. O baixista, Pedro Santos, é de Braga e o baterista, Pedro Oliveira, é de Barcelos.


O MINHO falou com os dois músicos minhotos que, desde há cerca de um ano, integram o grupo de Manuela Azevedo, Hélder Gonçalves, Miguel Ferreira e Pedro Biscaia.

Pedro Oliveira, baterista com longo currículo na cena musical mais alternativa construído em bandas como Kafka, Green Machine, Old Jerusalem, Dear Telephone, Krake, entre muitos outros projetos, ficou surpreendido quando, no primeiro trimestre do ano passado, recebeu o convite “para integrar a banda ao vivo em alguns concertos que os Clã tinham marcados para o verão”.

“Foi com muita surpresa que recebi esse telefonema, pois não era coisa que estivesse de todo à espera. O meu caminho musical recente tinha até caminhado num sentido contrário, mais exploratório. No entanto, achei que poderia ser uma boa oportunidade para trabalhar com músicos que sempre admirei”, refere o músico de Barcelos.

Também Pedro Santos considera que o encontro com os Clã se deu “de forma muito inesperada”.

“Fiz um concerto com os Jáfumega onde conheci o teclista da banda, o Miguel Ferreira, que uns meses mais tarde me contactou a perguntar se estava interessado em colaborar com os Clã”, recorda, acrescentado que “a experiência está a ser diferente de todas as outras” que já tivera “pela abordagem que a banda tem à sua música”.

“Fiquei surpreendido pelo trabalho e pela atenção dada a todos os detalhes musicais e não só. Há espaço e tempo para se testar tudo, o som de cada instrumento para cada música. Cada nota e cada acorde são importantes. Ver uma banda com tantos anos de carreira a ter esta paixão pela sua arte é muito inspirador”, sublinha o baixista de Braga, que acompanha desde 2013 Miguel Araújo e integra também, atualmente, a banda de Marta Ren, tendo já colaborado com nomes consagrados como Jorge Palma, Os Azeitonas, os Jáfumega, entre outros. A nível de composição, integra os 47 de Fevereiro, compõe regularmente com André Indiana e editou um disco com os CRU (“Tens mesmo de querer”).

Pedro Oliveira classifica a experiência de tocar com os Clã “inspiradora”. “É também uma excelente oportunidade explorar abordagens diferentes do que me é habitual. As composições são todas feitas pelo Hélder Gonçalves e foi para mim interessante trabalhar dessa maneira, o que fugiu completamente a tudo o que tinha feito até então”, revela.

“Em todas as coisas que me tinha envolvido até ao momento sempre tinha sido compositor em conjunto com todos os outros músicos dos projetos. Nos Clã não há grande espaço para improvisações, as músicas são bastante herméticas, o que faz com que explore coisas mais técnicas e menos artísticas. O meu contributo acabou por ser muito no trabalho de estúdio, questões de interpretação, som, etc”, acrescenta.

Os dois músicos minhotos já integraram os concertos dos Clã no verão passado no Douro Rock e no Avante. “Foram super intensos”, avalia Pedro Santos. “Muito rock, algum nervosismo e adrenalina a correr nas veias. Os Clã têm um repertório grande de músicas intemporais, e poder estar em palco e ver o público a cantá-las em massa foi especial”, confessa.

Relativamente ao novo disco, “Véspera”, o baixista avalia que “é um disco surpreendente, sem receio de explorar sonoridades atuais, misturando esse ‘modernismo’ com rock e até soul/R&B, nunca deixando de ter a identidade crua dos Clã’.

Participar em “Véspera” foi, para Pedro Santos, “um desafio muito grande. Penso que o Hélder [Gonçalves], sendo um incrível baixista, acaba por pensar nas músicas à volta de uma linha de baixo forte, ou mesmo que o baixo surja depois, tem sempre um papel importante nas músicas de Clã. Sendo assim, cada música do disco novo tinha novos detalhes para explorar. Outra coisa que achei interessante foi que, por vezes, a abordagem do baixo nos Clã é quase “guitarrística”, assumindo melodias, acordes e libertando-se um pouco do mais convencional. Acabou por ser engraçado porque eu próprio procuro esse tipo de abordagem noutras bandas em que participo”.

Pedro Oliveira afirma que está “bastante satisfeito com o resultado final do disco” e que se sente “muito orgulhoso de ter podido fazer parte dele”.

“Os Clã são uma banda inspiradora e extremamente cuidadosa com as coisas que soltam cá para fora”, conclui o baterista de Barcelos.

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Ave

Bombeiros de Fafe mobilizados para incêndio em tinturaria

Incêndio

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Foto: Ivo Borges / O MINHO

Um incêndio deflagrou, esta segunda-feira à noite, numa empresa têxtil, em Fafe.


Ao que O MINHO apurou, as chamas tiveram origem numa râmola – uma máquina que submete as malhas a temperaturas elevadas.

As chamas ficaram circunscritas àquela máquina, não alastrando a outros setores do grupo Gravotêxtil / Davitex, uma empresa de tinturaria e acabamentos têxteis, localizada em Bouças.

Vídeo: Ivo Borges / O MINHO

O fogo poderá ter sido provocado por excesso de cotão na râmola.

O alerta foi dado às 22:23 e, em pouco tempo, foi dado como extinto.

Os Bombeiros de Fafe estiveram no local com sete operacionais e duas viaturas.

A GNR registou a ocorrência

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Braga

Longas filas, distanciamento e algum receio no regresso da população ao Braga Parque

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Carmo Lopes veio à Zara trocar peças de roupa compradas pela internet. Já José Ferreira veio de Barcelos para trocar uma cadeira de bebé. São alguns dos exemplos no regresso da população ao Braga Parque, que decorre esta segunda-feira, no início da terceira fase do desconfinamento.


Foto: Fernando André Silva / O MINHO

O MINHO esteve na chamada reabertura, embora o centro comercial nunca tenha fechado, como explica António Afonso, diretor-geral. “Nunca existiu um encerramento dos centros comerciais, como é referido pela opinião pública. Das 180 lojas que existem dentro das instalações, 15 mantiveram-se abertas”, conta.

Mas a adesão diminuiu em cerca de 90% ao longo dos últimos três meses. Para esta nova fase, o responsável explica que foram tomadas várias medidas para evitar possíveis contágios, mesmo quando o vírus parece já ter dado tréguas na região minhota.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Limitámos o acesso, neste momento o máximo permitido é de quatro mil pessoas, retirámos 50% das mesas da restauração, onde deixámos ficar apenas as de quatro lugares para grupos, e promovemos o uso obrigatório de máscaras”, explica.

Porém, nem todos cumprem, como admite o diretor. “Caso alguém entre sem máscara, nas lojas serão barrados, porque os lojistas têm indicação de não deixar entrar ninguém sem a devida proteção”, assegura.

Muita gente voltou a entrar no Braga Parque. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Para além das medidas supra citadas, as casas de banho também foram alvo de redefinição. Agora, por cada mictório disponível, outros dois estão interditos, o mesmo sucedendo com as cabines e com os lavatórios. Nos elevadores, só podem entrar duas pessoas de cada vez, excepto grupos que já venham juntos.

Distanciamento social na área de restauração. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Outra das medidas foi a não circulação do ar condicionado: “Todas as janelas foram abertas para facilitar a circulação de ar natural. Temos também as portas de entrada e saída todas abertas, não só para ajudar o ar a circular mas também para evitar potenciais contágios com o toque nas mesmas”.

Sobre as lojas, António Afonso refere que já quase todas das 180 existentes abriram, tirando as que ainda não tinham as medidas todas implementadas, mas essas abrirão até amanhã.

Trocas

Carmo Lopes veio da cidade de Braga para trocar roupa. Encomendou-a através do site da loja mas acabou por não servir. Apesar de achar o ambiente “pacíficio”, admite sentir “sempre algum receio”.

Carmos Lopes veio da cidade de Braga para trocar roupa. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“As regras estão bem expostas, há dispensadores em todo o lado mas em termos de distanciamento, acho que algumas pessoas não se preocupam muito com isso”, aponta, dando como exemplo o distanciamento na fila de pagamento na loja da Zara. “Há uma ou outra pessoa que não cumpre, mas, regra geral, toda a gente está a ser um verdadeiro agente de saúde pública”, afirma.

José Ferreira veio de Barcelos de propósito para trocar uma cadeira de bebé para uma neta de 16 meses, na loja da Chicco. Comprou a cadeira, mas foi decretado o Estado de Emergência então teve de esperar por agora para poder voltar a trocar.

José Ferreira veio de Barcelos para trocar uma cadeira de bebé. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Sobre o regresso em massa ao shopping, acha que as pessoas estão a cumprir as regras de distanciamento e o uso de máscara. Também está contente com os dispensadores colocados. “Acho que estão reunidas as condições para aos poucos regressar tudo ao normal, caso não haja nova vaga”.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Jurista de profissão, está agora em teletrabalho, depois de, no escritório, alguns dos colegas não encararem inicialmente a pandemia como José acha que deveriam. “Na altura, eu e outros colegas mais velhos decidimos colocar um atestado médico até que fossem colocados horários rotativos para podermos trabalhar em maior segurança, sobretudo por causa do espaço. Agora até estou em teletrabalho por isso tem sido tranquilo nesse aspecto”, sublinha.

Primark

Na Primark, as filas são longas, assim como na Sport Zone e na Nespresso. O MINHO tentou obter reação dos responsáveis das lojas mas o mesmo foi descartado, por apenas ser permitida a comunicação a nível central. Dentro da Primark, no entanto, apesar do dispensador obrigatório na entrada, os clientes iam mexendo na roupa, como antes da pandemia.

Longa fila na Primark. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Falámos com Maria Sequeira, vinda de Famalicão. Era a 15ª pessoa na fila de entrada, cerca das 13:30. Admite que há muita gente na fila mas que todos estão de máscara e a cumprir “mais ou menos” o distanciamento. “Há sempre quem se chegue, mas comigo a experiência tem sido positiva”.

Braga Parque. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“É sempre chato estar na fila mas preciso de comprar umas calças para o meu filho e aqui acaba por ser mais barato. Em layoff, numa fábrica têxtil, admite que “o momento não está para compras em lojas mais caras”, acrescentou.

A controlar a fila, que se estendia por mais de 100 metros, existiam dois funcionários, que iam assegurando o cumprimento das regras.

“Só fechamos três dias”

A tabacaria e papelaria Kiosku só fechou três dias ao longo do confinamento. Para além de um restaurante de take away, foram a única loja aberta em todo o segundo piso, como explica o casal de proprietários. Admitem, no entanto, que existiu uma quebra de 90% nas vendas o que levou a que fosse necessário ativar lay-off e rotatividade por turnos. “A administração do Braga Parque ajudou-nos muito, deram-no sempre tranquilidade, acho que estiveram à altura do que aconteceu”, confessam.

Proprietários da tabacaria e papelaria Kiosku. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Sobre esta segunda-feira, parece ter melhorado, aos olhos dos proprietários. “Já tem muita mais gente, mesmo assim ainda não há aquele movimento de clientes como antes desta situação toda”.

Chegada dos emigrantes

A Smart Talk foi das últimas lojas a fechar. Situada num stand no centro do shopping, reabriu hoje, mas Paulo Pinto, que gere o espaço, confessa-se apreensivo.

Paulo Pinto, gerente da Smart Talk. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Acho que poderíamos ter sido mais resguardados, uma vez que estamos aqui no meio dos corredores, mas é justo dizer que a administração tem lidado bem com tudo isto”, elogia.

Paulo refere que o shopping “está cheio de gente”. “É bom para o negócio mas em termos de saúde, não sei se será assim tão positivo”, admite, confessando que é necessário perder o receio de vir às grandes superfícies.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Mas o maior receio de Paulo é outro: a chegada dos emigrantes, temendo mesmo “uma balbúrdia”.

Admite ainda que já atendeu “um ou dois” clientes sem máscara. “Atendi porque estavam distanciados e nesse sentido acho que até cumpriram essa regra. “98% usam máscara”, remata.

A nível global, de acordo com um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia da covid-19 já provocou mais de 372 mil mortos e infetou mais de 6,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,5 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.424 pessoas das 32.700 confirmadas como infetadas, e há 19.552 casos recuperados, segundo a Direção-Geral da Saúde.

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