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Alto Minho

Fernão de Magalhães nasceu em Sabrosa ou em Ponte da Barca? – 500 anos de volta ao mundo

Em 1519, o navegador português provou ser possível a ligação entre oceanos

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Foto: Divulgação CM Ponte da Barca

Os municípios de Sabrosa, Vila Real e Ponte da Barca, Viana do Castelo, dados como prováveis locais de nascimento de Fernão de Magalhães, no século XV, preferem destacar os feitos do navegador ao invés da sua origem.

A tradição longa de mais de dois séculos, refletida em livros e publicações diversas, muitas na internet, iniciativas culturais e memórias pessoais, aponta o município transmontano de Sabrosa como o local de nascimento de Fernão de Magalhães, o navegador português que em 1519, ao serviço da coroa espanhola, iniciou a viagem para oeste, provando a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

Mesmo se outros dados, compilados nas últimas décadas por historiadores e investigadores, descartem Sabrosa como terra natal do navegador, quem, por estes dias, aceder à página internet do município, reforça a convicção de que a vila do distrito de Vila Real está, de facto, ligada às origens do navegador luso: a página destaca, logo a abrir, o “quinto centenário da volta ao mundo de Fernão de Magalhães”.

O programa, ao longo do dia, conta com diversos momentos de teatralização e recriação da época, como “a novidade de mais um nascimento de moço na Casa de Magalhães” ou pormenores da viagem até Mactan, ilha filipina onde morreu em 1521, a conclusão da circum-navegação pelo espanhol Sebastião Elcano e uma homenagem ao navegador português

Ouvido pela Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, Domingos Carvas, admite que a referência a Sabrosa possa ter nascido de uma fraude, um testamento forjado que apareceu na posse de um suposto descendente em finais do século XVIII, mas afirma que “nos dias de hoje não faz sentido tentar esgrimir argumentos” sobre o local de nascimento do navegador português, sem que exista uma “prova definitiva”.

“Seria importante se o conseguíssemos provar mas a não ser que estivesse escondido na Casa de Magalhães um retrato dele com a inscrição ‘nasci aqui’, acompanhado da sua certidão de nascimento não é possível”, ironizou.

“Neste momento já não é tão essencial, tão fundamental, o lugar onde nasceu. É muito mais importante realçar que um português foi o primeiro globalizador mundial, esse é o grande feito dele. Provou que o mundo era redondo e se o fez ao serviço da coroa espanhola e não da coroa portuguesa, a verdade é que o fez”, argumentou Domingos Carvas.

Por outro lado, o autarca prefere destacar a “memória coletiva” que liga Magalhães a Sabrosa – desde escritos de Miguel Torga até á própria vivência diária da população do município transmontano: “Eu tenho 58 anos e quando era miúdo, há 50 anos, na escola, cantava-se o hino de Sabrosa, que reflete o sonho de Magalhães”, recordou.

E Domingos Carvas apresenta ainda, como argumento “indesmentível”, o facto de ao longo de séculos Sabrosa ter sido “o único município que tratou da obra e da vida de Fernão de Magalhães”.

“E continua a fazê-lo”, declarou, aludindo ao programa comemorativo que começou em janeiro e se irá prolongar até 2020, incluindo, entre outras iniciativas, o hastear das bandeiras “de todas as terras tocadas por Fernão de Magalhães” e uma exposição dos “cheiros e sabores” dos locais onde o navegador aportou.

Amândio Barros, especialista em História Marítima, não deixa de concordar com a tese de que Sabrosa “manteve sempre viva a memória” de Fernão de Magalhães, quando outros “há 30, 40 anos” o consideravam “um traidor” por ter estado ao serviço de Espanha.

No entanto, o investigador da Universidade do Porto, com livros publicados sobre o tema, afasta liminarmente a possibilidade de Sabrosa ser a terra natal de Fernão de Magalhães – sustentada “numa história de vigarice, entre aspas, do século XIX” – e dá ênfase, ao invés, à possível origem em Ponte da Barca, devido a referências do próprio à “linhagem das Terras do Nóbrega” onde a autarquia minhota está localizada.

Esta hipótese, no entanto, está longe de ser nova, já que a ela se referiram, entre outros, historiadores como António Baião, falecido na década de 1960 e que durante 40 anos dirigiu o arquivo nacional da Torre do Tombo ou Veríssimo Serrão, autor de quase duas dezenas de volumes da História de Portugal.

Um escrito de Veríssimo Serrão aparece precisamente citado na página internet da autarquia minhota, onde, aludindo à naturalidade do navegador português, aponta a “província Entre Douro e Minho, crê-se com razões de acerto que em Ponte da Barca”.

Amândio Barros não descarta, no entanto, outras localizações como a cidade do Porto “uma hipótese muito forte” que é referida por João de Barros, escritor e cronista do século XVI mas também Vila Nova de Gaia “que tem alguma força” e é produto de investigações mais recentes, nomeadamente por ali estarem referenciados elementos da família Magalhães.

“O que não há a mínima dúvida é que era um homem do Norte”, assinala Amândio Barros.

Nas comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação Ponte da Barca junta-se a Sabrosa com um programa próprio “ainda muito em plano”, a cargo de um grupo de trabalho onde Amândio Barros se inclui e que propõe “um breve apontamento de recriação histórica, já em setembro”, a aposta num espaço “a ser ocupado com flora dos lugares por onde Fernão de Magalhães terá andado” e o “desejo” de um colóquio com municípios cantábricos da costa norte espanhola.

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Alto Minho

Crocodilo gigante de areia entretém veraneantes em Vila Praia de Âncora

Caminha

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Foto: Jorge Simão Meira

Uma escultura em areia no areal em Vila Praia de Âncora captou a atenção de centenas de veraneantes ao longo do início do mês de setembro, com alguns sustos pelo meio.

A obra de arte é de um autor anónimo que se dedicou a fazer (e desfazer) a escultura ao longo de vários dias de forma a angariar algum dinheiro para subsistência.

Foto: Jorge Simão Meira

O misterioso autor recordou assim uma tradição que já foi cunho daquela vila balnear quando existiu, no início da década de 2000, um concurso promovido pelo Diário de Notícias que consistia na exposição in loco de esculturas feitas em areia.

Foto: Jorge Simão Meira

O MINHO falou com uma das responsáveis da Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora da Bonança, festividades que decorreram no último fim de semana, mesma altura em que surgiu esta escultura nos areais ancorenses.

Foto: Jorge Simão Meira

Aquela comissão explica que a escultura “não teve nada que ver” com as festividades religiosas mas que foram várias as pessoas que questionaram elementos da comissão sobre a proveniência da obra de arte.

Fonte do Turismo de Caminha confirmou a O MINHO que a escultura também não esteve inserida em quaisquer programação municipal.

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Alto Minho

Engenheiro deixa de herança mais de 1.300 livros à biblioteca de Caminha

Herança de António de Almeida Correia de Sousa.

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Foto: DR / Arquivo

A Câmara de Caminha informou esta sexta-feira que o espólio da biblioteca vai ser enriquecido com mais de 1.300 novos títulos na sequência de uma doação.

Em comunicado, o município explicou que o presidente da câmara, Miguel Alves, vai propor na reunião camarária de segunda-feira a aceitação da doação de um fundo bibliotecário de família, que faz parte da herança de António de Almeida Correia de Sousa.

Segundo o município, a “ação está a ser preparada desde julho último, na sequência do contacto de uma filha do engenheiro António de Almeida Correia de Sousa, na qualidade de cabeça de casal da herança, manifestando a intenção de oferecer parte da biblioteca de família, que era espólio de seu pai, a Caminha”.

“Analisados os títulos disponíveis, resultou uma seleção que soma mais de 1.300 livros, de várias temáticas, desde a história, à política, romance, entre outros”, sublinha a autarquia. A coleção da Biblioteca de Caminha dispõe de um fundo bibliográfico com mais de 70 mil volumes.

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Alto Minho

Máquina escavadora roubada em França encontrada em Arcos de Valdevez

Apreendida pela GNR

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Foto: GNR

Uma máquina industrial utilizada para escavações foi apreendida em Arcos de Valdevez por fortes suspeitas de a mesma ter sido furtada em França, tendo depois sido vendida por um preço abaixo do mercado a um homem de Arcos de Valdevez.

Em comunicado enviado a O MINHO, o comando territorial de Viana do Castelo informa que militares do Núcleo de Investigação Criminal de Arcos de Valdevez identificaram o atual proprietário, um homem de 40 anos, que terá comprado a máquina, avaliada em 20 mil euros, a um preço “abaixo do mercado”.

“No seguimento de uma informação recolhida pelos militares relativa à aquisição de uma máquina industrial a um preço abaixo do mercado, os militares verificaram que pendia um pedido de apreensão internacional, emitido por autoridades francesas”, informa aquela polícia.

“De imediato procederam às diligências necessárias para localizar a máquina e identificar o detentor da mesma, tendo-se comprovado a sua origem ilícita”, acrescenta a GNR.

Contactada pela agência de notícias Lusa, fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo adiantou que a máquina foi recuperada em Cabreiro, Arcos de Valdevez, e terá sido roubada, em setembro de 2018, em Fargues-Saint-Hilaire, na região administrativa da Nova Aquitânia, no departamento da Gironda, em França.

A mesma fonte revelou que “o homem de 40 anos, identificado no decurso da operação, havia comprado a máquina industrial pelo valor de 10.500 euros”.

O suspeito foi constituído arguido e os factos remetidos ao Tribunal Judicial de Arcos de Valdevez.

Notícia atualizada às 17h17 com mais informação

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