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Sindicato diz que enfermeiros estão “exaustos” da “retórica política” sem concretização

Covid-19

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Foto: Ilustrativa / DR

Mais de 30 enfermeiros “cansados” e “exaustos” da “retórica política” organizaram uma vigília ao início da noite de hoje em frente ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, reivindicando uma carreira para todos estes profissionais de saúde.

“Os enfermeiros estão cansados e estão exaustos. Estamos fartos do discurso político, da retórica política, sobre a relevância do papel dos enfermeiros, mas no plano prático, em termos de consequências [para as carreiras dos enfermeiros], é zero”, disse aos jornalistas o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins.

O grupo de enfermeiros reuniu-se em frente ao principal hospital de Lisboa erguendo bandeiras do sindicato e entoando palavras de ordem como “queremos uma carreira para a enfermagem inteira”, “enfermeiros a cumprir têm de progredir” e “com ou sem pandemia, contratação já é tardia”.

Para o dirigente do SEP, o Governo “tem de dar início à negociação de uma carreira única para todos os enfermeiros”, que “valorize todos, corrija desigualdades” e “elimine injustiças”.

Uma das injustiças que os enfermeiros quiseram evidenciar foi o facto de haver profissionais com mais de 15 anos de profissão, mas que “ganham o mesmíssimo” que um enfermeiro recentemente empregado.

E a pandemia apenas veio “evidenciar” não só a importância, mas também o risco associado, à profissão de enfermeiro, prosseguiu José Carlos Martins.

Durante a tarde, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo já tinha mandado “processar o pagamento do subsídio de risco devido aos profissionais” de saúde.

Questionado sobre como é que o sindicato vê o anúncio do chefe do Governo, o dirigente sindical criticou o que considerou ser uma intenção do Governo de “poupar dinheiro”, já que “fixou um conjunto de critérios que determina a sua aplicabilidade a um reduzido número de enfermeiros, muito poucos, quando o esforço, o desempenho e o profissionalismo” foi de todos.

“O que nós exigimos, precisamente, para reconhecer o trabalho, o empenho e a dedicação dos enfermeiros, é atribuir a menção de relevante no seu desempenho, face ao ano de 2020, no combate à pandemia”, afirmou José Carlos Martins.

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