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Porque recua Cabeceiras de Basto? Reabertura das escolas e dois surtos ligados a funerais

Presidente da Câmara alerta para “consequências económicas”

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Foto: CM Cabeceiras de Basto / Arquivo

Cabeceiras de Basto recua nas medidas do confinamento, voltando à fase de 19 de abril, enquanto quase todo o país avança para a última etapa. O concelho já estava em alerta desde a semana passada, quando as medidas foram reavaliadas. Segundo o mais recente boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde apresentava uma incidência de 531 casos por 100 mil habitantes – bem acima do limite imposto pelo Governo para avançar no desconfinamento (120).

E por que razão tem Cabeceiras de Basto uma incidência tão elevada? Segundo o presidente da Câmara, Francisco Alves, em declarações à Lusa, “muito desta situação deve-se ao arranque das aulas presenciais e à testagem em massa que foi feita”.

“A câmara investiu cerca de 25 mil euros em testes e está a testar quinzenalmente todos os alunos do 1º, 2º e 3º ciclos, os alunos do secundário são testados pelo ministério de Educação. Nestes testes, num universo de 2000 alunos foram detetados 30 casos positivos”, explanou.

Já ao Jornal de Notícias o autarca acrescenta que o aumento de casos também está relacionado com dois surtos que podem ter surgido na sequência de dois funerais em diferentes freguesias.

Com uma população de 16 mil habitantes, as dezenas de casos colocam a vila no ‘vermelho’.

“Em bom rigor, não temos muitos casos ativos, temos à volta de 50 pessoas infetadas. São poucos, mas como Cabeceiras de Basto tem pouca população, seguindo a regra estabelecida é o suficiente para nos fazer recuar no desconfinamento”, afirma o autarca.

“Vai ter inevitavelmente consequências económicas”

O autarca adianta que esta sexta-feira a Câmara irá “avaliar que medidas se podem tomar para garantir que o numero de infetados não aumente, estando em cima da mesa, por exemplo, suspender a feira semanal [que se realiza à segunda-feira] pelos próximos 15 dias”.

Reconhecendo que “o recuo” no plano de desconfinamento vai ter “inevitavelmente consequências económicas”, Francisco Alves tem “confiança” que a próxima avaliação da situação pandémica “seja mais favorável”.

Francisco Alves apontou a restauração como “o setor que será mais afetado”, uma vez que, devido à incidência de covid-19, os cafés e restaurantes voltam a ter que fechar às 13:00 ao fim de semana e a diminuir o número de clientes por mesa, para além de que “será avaliada a suspensão da feira semanal” até à próxima análise governamental à pandemia, no dia 20.

“Apesar dos impactos, estou confiante que vamos saber lidar com esta situação e que, na nova avaliação, já seja possível avançar e desconfinar em segurança”, referiu.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.244.598 mortos no mundo, resultantes de mais de 155,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.988 pessoas dos 838.475 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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