Penas de 17 e 18 anos para casal que matou mulher em Braga

Justiça

O Tribunal de Braga condenou hoje a penas de 18 anos e 17 anos de prisão o casal que em novembro de 2020 matou uma mulher por asfixia, para impedir que a vítima alterasse o testamento.

A pena mais elevada, de 18 anos e oito meses, foi aplicada ao elemento masculino do casal. A mulher foi condenada a 17 anos e seis meses.

Os arguidos, ele com 52 anos e ela com 49, foram condenados pelos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver e burla informática.

Em tribunal, os dois arguidos acusaram-se mutuamente da autoria do homicídio, mas o tribunal deu como provado que agiram em coautoria.

O coletivo de juízes sublinhou a “extrema gravidade” e a “elevada censurabilidade” da atuação dos arguidos, designadamente pela utilização de um meio insidioso.

Os arguidos terão ainda de pagar indemnizações de cerca de 30 mil euros a familiares da vítima.

A sentença foi lida esta terça-feira, após ter sido adiada por o Tribunal de Braga ter concluído que o homicídio de Maria da Graça Ferreira, de 69 anos, ocorrido em novembro de 2020, num apartamento do bairro do Fujacal, em Braga, foi pensado, planeado e executado por ambos os arguidos que estão a ser julgados pelo crime.

A acusação do Ministério Público como que ‘atirava’ as maiores culpas para Júlio Pereira, amante da arguida, Maria Helena Gomes, e ‘namorado’ da própria vítima, dizendo que teria sido ele quem imobilizou as pernas e os braços da vítima – que estava a dormir num dos quartos do apartamento – e a asfixiou até à morte com um pano embebido em lixívia no rosto, embora com a ajuda da companheira, Maria Helena Gomes. Só que, o coletivo de juízes entende haver factos que provam que o crime foi planeado e executado por ambos.

Assim, e dado ter havido uma “alteração não-substancial dos factos”, adiou a leitura do acórdão final, para esta terça-feira, isto porque o Código de Processo Penal obriga a que seja dado um prazo para que a defesa se pronuncie, e esta não prescindiu.

Além de homicídio qualificado, ambos foram julgados por profanação de cadáver e burla informática.

Culpa do outro

Em julgamento, a Maria Helena disse que, pelas 05:30, de 03 de novembro, ele pôs-se em cima da vítima, imobilizou-lhe os braços e asfixiou-a com uma toalha embebida em lixívia. Ela assistiu.

Já o Júlio disse que foi ela quem matou a Maria da Graça e que ele acabou por se calar, com medo que ela viesse a dizer que foi ele, conforme sucedeu.

Recorde-se que, após o assassínio, o cadáver ficou na cama, mas começou a exalar maus cheiros.. a Helena foi à garagem e trouxe dois sacos de plástico grandes…embrulharam o corpo num lençol e fecharam os sacos. De madrugada, meteram-no carro, deixando-o num caminho, em Montélios, onde foi encontrado por transeuntes.

 
Total
0
Partilhas
Artigo Anterior

Sérgio Conceição quer FC Porto “inteligente emocionalmente” ante o AC Milan

Próximo Artigo

Bastonário diz ser um erro não estar a ser pensado reforço da vacinação dos médicos

Artigos Relacionados
x