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“Pedem-me para cuidar do Minho quando for Presidente da República”

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“Pedem-me para cuidar do Minho quando for Presidente da República”

Sérgio Gave Fraga, natural de Sistelo, Arcos de Valdevez, apresentou oficialmente esta semana como pré-candidato à Presidência da República. Advogado de profissão, define-se como o candidato do povo e pretende unir o país.

O arcuense de 48 anos promete tudo fazer para “aniquilar a pobreza extrema” e garante que os minhotos “ficam felizes por existir alguém da terra a querer candidatar-se a um alto cargo da nação”. Em entrevista a O Minho, Sérgio Fraga recorda alguns dramas da infância e explica o projeto Palco D´Abrigo, do qual é presidente.

As eleições presidenciais estão agendadas para janeiro de 2016 e marcam o fim do mandato de Aníbal Cavaco Silva. Anunciadas estão já as candidaturas de outros dois minhotos: António Sampaio da Nóvoa, natural de Valença, e Paulo de Morais, natural de Viana do Castelo.

O Minho – É pré-candidato a Presidente da República. Quais os motivos que o levaram a realizar esta candidatura?

Sérgio Gave Fraga: A minha candidatura nasce de um desejo legítimo de um cidadão solidário que decidiu, a dada altura, perante a crise vivida no país que ama, que não podia ficar indiferente. Foi uma decisão de dever patriota que me levou a socorrer e a dar a mão a Portugal, aos portugueses e a dedicar-me ao meu país. Decidi arregaçar as mangas e ir à luta pela nossa nação e pelos portugueses. Não é possível ficar de braços cruzados! É necessário agir para lutar por um Portugal melhor, para que este possa voltar a ser colocado no lugar que bem merece.

Descreve-se como candidato do povo. Porquê?

Sou candidato do povo porque durante toda a minha vida fiz parte dele e farei. Sempre fiquei a ouvir os discursos políticos dos outros e sei o que as pessoas sentem desse lado. O meu papel não é prometer mundo e fundos, dizer que tenho o poder de fazer isto ou aquilo. Ser Presidente da República é ouvir o povo e dar-lhe aquilo que está ao nosso alcance, sem promessas infindáveis, apenas com esforço, vontade, determinação e luta. O povo tem boas ideias e os políticos deveriam ouvi-los.

Definiu como lema de campanha “Unir Portugal”. Considera que não existe união no país? O que vai fazer para alterar a situação?

Creio que o nosso país sofre do mal de ser unido quando dá jeito. E é isso que quero mudar. Não devemos apenas olhar para o lado e ver o que se passa quando vamos tirar algum proveito da situação. O objetivo será unir os portugueses numa luta diária e constante que passará por melhores condições de trabalho, justiça, famílias felizes, menor pobreza, mais apoio para quem o necessita, entre outras coisas. É necessário unir as pessoas para que quem tem mais consiga ajudar quem menos tem. Os ricos não podem continuar a enriquecer à custa dos pobres que ficam cada vez mais pobres. A união a que me refiro é exatamente sermos capazes de unir todas as classes sociais, todas as raças, todas as pessoas por um Portugal melhor.

Quantas assinaturas já recolheu? Se conseguir as 7500 necessárias, quais os projectos que vai apresentar aos portugueses?

De momento, tenho perto de 2.000 contabilizadas, sendo que tenho muitas por recolher, uma vez que tenho dezenas de pessoas empenhadas neste meu projecto. Quanto aos projetos que irei apresentar passarão, em linhas gerais, pela criação de emprego, lutando para que os jovens do nosso país não tenham que emigrar para terem uma vida estável. Credibilizar o Serviço Nacional de Saúde. Essencialmente, focar-me nas desigualdades sociais, dar a devida importância à pobreza e à exclusão social que estão cada vez mais presentes no nosso país. Tudo farei para aniquilar a pobreza extrema e melhorar e impedir que existam pessoas a viver no limiar da pobreza. Todo e qualquer cidadão tem o direito de viver com o mínimo de dignidade e as entidades públicas a isso estão obrigadas. Valorizar a opinião dos emigrantes, dando-lhes a oportunidade de participarem ativamente no nosso país. Além destes, apoiar os idosos e reformados, assim como as pessoas com necessidades especiais que continuam a ser esquecidas na nossa sociedade. E, por fim, aproveitar os nossos recursos naturais, apoiando cada vez mais aqueles que encontram na agricultura ou na pesca o seu futuro.

Espera o apoio dos minhotos? Entende que a região tem sido bem tratada pela classe politica?

Quando encontro as pessoas na rua e lhes digo que sou pré-candidato às eleições presidenciais de 2016, há um feedback muito positivo. Ficam felizes por existir alguém da terra a querer candidatar-se a um alto cargo da nação e dizem-me para quando lá estiver cuidar do Minho. Nota-se que as pessoas desejam que alguém do povo e da terra chegue ao lugar que anseio. Quanto ao tratamento que a região tem recebido por parte da classe política, penso que tem sido positivo. O Minho é uma região das mais belas e ricas em paisagens que temos em Portugal e, estando um pouco afastado das duas grandes metrópoles do país, faz com que, por vezes, fiquemos esquecidos, mas creio que, cada vez mais, a classe política percebe que é necessário vir conhecer estes recantos do nosso Portugal.

O que pode ser feito para a região ser mais atrativa e fixar a população?

Não podemos nunca descaracterizar a essência desta região, que é as suas paisagens, os seus costumes e tradições. Todavia, existem várias alternativas locais que poderão ser exploradas de forma a rentabilizar as potências desta região e das suas gentes. Existe um grande potencial de mão-de-obra de qualidade, gente trabalhadora, corajosa, com poder de sacrifício. Potenciais estes que deverão ser aproveitados para fixar estas pessoas no Minho e para que, desta forma, os minhotos se unam em prol desta magnifica região.

sergio gave fraga candidato

É de conhecimento público que não teve um início de vida fácil. Quais foram os momentos mais marcantes da sua infância?

Como sabe, fui um filho indesejado, fruto de uma relação extra conjugal, nunca perfilhado nem reconhecido pelo meu pai e abandonado pela minha mãe quando era apenas bebé. Fiquei aos cuidados da minha avó materna que, de uma forma cruel, maltratava e explorava um bebé de apenas dois anos de idade, obrigando-o a ir ao monte carregar penosamente sacos de pinhas para ela se aquecer, deixando esta criança de tenra idade a dormir nos fundos da casa junto com as galinhas, com frio, medo, mal nutrido, descalço e com as roupas rotas. Depois, o momento em que fui despejado no orfanato quando tinha os meus três anos. Momentos que marcaram a minha vida para sempre.

É descrito pelos amigos como um homem sempre pronto a ajudar os outros. Como é que despertou esse espírito solidário?

Este meu lado solidário adveio, sem dúvida, das vivências que tive ao longo da minha vida. A consciência de saber o que é não ter nada levou-me a olhar para os outros de outra forma. Isto porque há momentos em que sei exatamente o que aquelas pessoas estão a viver. Ser solidário é uma forma de estar na vida. Ser solidário faz bem à alma e ao bem-estar mental. Sinto-me bem e feliz ao ver os outros felizes.

Como surgiu a iniciativa Palco D´Abrigo, da qual é presidente? Quantas pessoas já ajudou?

Surgiu da vontade de ajudar crianças, jovens e famílias que necessitam, em determinado momento, de apoio. Olhando primeiramente para o concelho de Arcos de Valdevez, apercebi-me de que faltava uma associação direcionada para o apoio a crianças e jovens necessitados. Depois, por impulso de querer ajudar o Dinis, em 2014, a associação ganhou vida. Somos uma associação ainda muito recente, mas temos vontade de apoiar aqueles que mais precisam e o desejo de crescer, dia após dia. Neste momento, encontramo-nos a ajudar a Fátima e a sua família, tendo como objetivo ajudar, no futuro, a Beatriz, que é uma menina que nasceu com o síndrome de Triplo X e que precisa de realizar tratamentos para que possa alcançar uma vida mais feliz.

É natural de Sistelo, Arcos de Valdevez. Qual é a sua posição sobre o projeto de construção de uma mini-hídrica no Rio Vez que tem sido muito contestada pela população?

Sou contra a construção da mini-hídrica no Rio Vez e a minha posição é pública. Desde o início que defendo que o nosso pequeno “Tibete português” não deve ser invadido por construções humanas, principalmente, por infraestruturas que irão, inevitavelmente, destruir a essência da natureza que aquela aldeia tem tão caraterística e que nos faz ser tão especiais aos olhos de pessoas que nos visitam e aos olhos da população residente. Acredito que, a nível financeiro, a construção da mini-hídrica poderia trazer muitas vantagens para as aldeias locais, mas, neste caso em questão, o dinheiro não se deve sobrepor à natureza, à paisagem, à flora e à fauna que envolvem a aldeia de Sistelo e o Rio Vez.  Mas a luta só agora começou

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