Fora dos Jogos Olímpicos, Emanuel Silva põe ponto final na carreira: “Nada ficou por fazer”

Foto: DR

Emanuel Silva assumiu hoje que vive o dia “mais difícil” ao terminar uma carreira de três décadas como canoísta, mas espera continuar a ajudar a modalidade, assumindo o desejo de um dia ser dirigente ligado às seleções.

“O dia mais difícil porque durante quase 30 anos pratiquei desporto no alto rendimento. Era algo que adorava fazer na minha amada canoagem. Não quero dizer que vou desligar da modalidade, mas é uma fase difícil. Vai ser um registo totalmente diferente. Espero bem estar preparado para esta mudança”, disse, em declarações à Lusa, o atleta natural de Braga.

Aos 38 anos, ‘Mané’, como é conhecido na canoagem, decidiu terminar o ciclo enquanto competidor, levando apenas a “mágoa e tristeza” de não poder ir a Paris2024, “no maior palco multidesportivo do universo”, pois era nos seus sextos Jogos Olímpicos que sonhava retirar-se, diante dos “aplausos de familiares e amigos na bancada”.

“Foi uma carreira muito bonita, com cinco Jogos Olímpicos, títulos mundiais e europeus, a medalha de prata em Londres2012 (com K2 1.000 metros com Fernando Pimenta). Foi uma aprendizagem enorme enquanto ser humano e atleta de alta competição. E um orgulho para mim representar as cores nacionais”, sublinhou.

De tudo o que viveu, destaca duas conquistas, precisamente o pódio em Londres2012 e a sua estreia olímpica em Atenas2004, com 18 anos, em que foi sétimo classificado em K1 1.000 metros: “Esses momentos ficam marcados para sempre na minha carreira desportiva”.

Entende que “nada ficou por fazer” na sua carreira, garante que deu sempre o “melhor” pela canoagem e que ninguém pode questionar o seu “profissionalismo” de sempre, recordando que desde 1996, ano em que se federou, pelo Clube Náutico de Fão, entrou nas provas “sempre para ganhar”.

“Só assim atingi os resultados que tive, com um currículo para ser analisado, recordado e jamais ser esquecido”, sentenciou, descartando “uma estátua ou um busto”, assegurando que apenas deseja ser “respeitado enquanto atleta e por tudo o que este deu à modalidade”.

Agora a prioridade é a família e continuar a gestão dos seus dois projetos empresariais, um de alojamento local, no Gerês, e outro uma pizzaria em Braga: assistirá aos Jogos Olímpicos a torcer pelos companheiros, de quem espera estar novamente mais próximo no ciclo olímpico para Los Angeles2028.

“Passei por três direções da federação de canoagem e aprendi muito com elas. Felizmente que a federação está bem encaminhada, com bons atletas como o Fernando (Pimenta), o João (Ribeiro) e o Messias (Baptista) e jovens que estão a singrar. A canoagem e o Emanuel estiverem sempre ligados, que assim continuem. Posso ajudar para o sucesso da modalidade a nível nacional. Estou sempre disponível”, confessa.

Emanuel Silva descarta a possibilidade de ser treinador, pois, recorda, isso seria manter o atual status quo de estágios, viagens, demasiados dias fora da família, que foi sacrificando ao longo da sua carreira: “Essa fase terminou (…) e Portugal está bem entregue aos treinadores das equipas nacionais”.

Já a possibilidade de ser diretor desportivo da federação é um cenário que agrada ao ex-canoísta, que considera favorável o facto de até há bem pouco tempo ter “convivido e vivido” com todos os elementos da seleção.

“É muito importante um diretor desportivo conhecer os atletas e ter sido ele mesmo um atleta. Posso acrescentar muito ao futuro dos mais jovens. E a minha presença na seleção é recente, conheço muito bem os atletas e acho que isso poderia ser uma mais-valia”, concluiu.

Além da prata olímpica e várias outras finais em Jogos Olímpicos, em diferentes tripulações, Emanuel Silva contabilizou títulos europeus e mundiais, bem como em Taças do Mundo.

 
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