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Braga

Os sarcófagos romanos de Braga que nunca ninguém viu

Arqueologia

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Fotos cedidas a O MINHO

Dois núcleos arqueológicos foram encontrados durante a obra de Requalificação do Antigo Quarteirão dos CTT, em Braga, no ano de 2008. Desde então, os núcleos encontram-se protegidos dentro de duas salas e continuam à espera de serem musealizados com condições de visitação turística.

Quatro sarcófagos e uma antiga fábrica de vidro, muros e estruturas funerárias utilizadas por brácaros e romanos oriundos dos séculos primeiros após a morte de Cristo, compõem dois núcleos arqueológicos que estão fechados, mas disponíveis para visitação pública, com agendamento prévio, junto da divisão arqueológica da Universidade do Minho.

A possibilidade de visita está sempre pendente do aval da direção do shopping Liberdade Street Fashion — espaço comercial, que alberga dentro de duas salas, os referidos núcleos arqueológicos.

Existe um esboço realizado pelo arqueólogo responsável, pela escavação, para a musealização dos núcleos, que neste momento padece de financiamento, público ou privado. Um dos núcleos encontra-se no perímetro da rua Doutor Gonçalo Sampaio, e o outro, na Avenida da Liberdade, em pleno centro histórico de Braga.

Prespetiva vista de sul de parte do edifício antes da desmontagem das oficinas. Foto cedida a O MINHO

As ruínas preservadas in situ, não foram exumadas à data da escavação, em 2009, para o Museu D. Diogo de Sousa, porque o valor histórico e a estrutura complexa dos achados arqueológicos, não o permitiu. Os restantes artefactos encontrados, durante a escavação arqueológica, foram exumados, para um dos principais museus de arqueologia de Bracara Augusta, o museu D. Diogo de Sousa.

Local a preservar (na altura das escavações arqueológicas). Foto cedida a O MINHO 

Num relatório publicado, pela arqueologia da Universidade do Minho e relativo ao núcleo principal, pode ler-se: “Considerando as características do edifício, a sua singularidade, o seu estado de preservação, a sua cronologia de construção, que o aproxima do momento da fundação de Bracara Augusta, e o facto de se encontrar nas imediações da Fonte do Ídolo, importante santuário de origem indígena que continuou a ser utilizado em época romana, entendeu a direção científica dos trabalhos arqueológicos que o mesmo merecia ser conservado no local, tendo em vista a sua posterior musealização, pois constitui um exemplar arquitetónico com traços únicos”.

Pormenor de sepultura. Foto cedida a O MINHO

No mesmo relatório público, mas relativamente ao núcleo arqueológico, com 90 m2, a direção científica da escavação afirma: “Neste núcleo, numa área relativamente reduzida, encontram-se assinaladas quatro grandes sepulturas de inumação, com diferentes orientações e soluções construtivas diferenciadas, que cobrem um período cronológico entre os séculos III-VI. Para além das sepulturas identificadas, que a seguir se descrevem, merece destaque a existência no local de um recinto, definido por paredes de alvenaria, de forma aproximadamente retangular, cuja fundação recobre parcialmente duas sepulturas. Trata-se de uma construção, de funcionalidade indeterminada, onde sobre a sua demolição, ocorrida no período suevo-visigótico, foi individualizada uma pequena caixa feita de tijolos, que não revelou qualquer espólio”.

Prespetiva geral da área a preservar. Foto cedida a O MINHO 

A escavação arqueológica, que foi imposta à obra de requalificação do antigo quarteirão dos CTT, pela Direção Regional de Cultura Norte, em 2007, estava calendarizada para 6 meses, mas acabou por demorar mais tempo. Entre dezembro de 2007 e maio de 2009 todo o quarteirão dos antigos CTT foi escavado, devido à sua natureza rica em achados arqueológicos.

Desde então, há 12 anos, os dois núcleos arqueológicos, com inegável valor cultural, histórico e científico continuam à espera de musealização, apesar do interesse demonstrado pelos promotores, aquando da obra de reabilitação do antigo quarteirão dos CTT.

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