“O senhor Pedro Proença é um jogador. Estamos em ano de eleições, está a jogar em vários tabuleiros”

António Fiúza elogia FPF e critica silêncio da Liga sobre reintegração do Gil Vicente na I Liga

O antigo presidente do Gil Vicente António Fiúza congratulou-se hoje com o comunicado da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que exige a reintegração do clube de Barcelos na I liga portuguesa na próxima época.

“A FPF esteve muito bem ao fazer este comunicado para clarificar isto tudo. Já há dois anos que o Gil Vicente era para ter subido, mas manobras de bastidores e tráfico de influências de alguns clubes que nunca querem descer, fizeram com que fosse retirado esse ponto na ordem de trabalhos numa assembleia-geral da Liga”, disse à Lusa o antigo dirigente.

Em comunicado, a FPF disse não aceitar que “as expectativas criadas em todas as entidades e agentes desportivos, por via das alterações regulamentares e deliberações tomadas no seio da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), sejam frustradas neste momento, com impactos negativos em todas as competições seniores nacionais”.

FPF exige reintegração do Gil Vicente na I Liga de futebol na época 2019/20

O órgão federativo garante que “os factos mais recentes vindos a público, quase três anos após a primeira decisão”, em nada alteram a sua posição e assegura que não terá “uma atitude passiva” na matéria.

“Lá porque alguns clubes construíram mal os seus plantéis, não tiveram competência para contratar jogadores de qualidade, quererem usar o Gil Vicente como boia de salvação, é próprio de gente que não tem caráter”, acusou Fiúza, presidente dos gilistas em 2006, quando a equipa foi despromovida à II Liga, por alegada irregularidade na utilização de Mateus, avançado angolano, atualmente no Boavista.

O Gil Vicente viu a LPFP anunciar a sua reintegração na I Liga a 12 de dezembro de 2017, na sequência de uma decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, em 2016, que declarou nula a decisão de descida do Gil Vicente tomada pelo Conselho de Justiça da FPF, em agosto de 2006.

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“Conheço bem o futebol português, há muito compadrio e tráfico de influências, fico sempre com algumas dúvidas, mas depois deste comunicado da FPF, fico mais descansado”, assinalou.

António Fiúza defendeu ainda que a LPFP devia também ter participado neste comunicado e deixou duras críticas ao seu presidente.

“O senhor Pedro Proença é um jogador e como estamos em ano de eleições está a jogar em vários tabuleiros, mas tem que haver justiça, todos os tribunais deram razão ao Gil Vicente. Já prejudicaram de mais o ‘Gil’. Basta! Se for preciso arranjar 40 ou 50 autocarros para ir à Liga mostrar que estão enganados, eu arranjo, usarei todas as minhas forças para ajudar o Gil Vicente a regressar à I Liga”, disse.

Atualmente, o Gil Vicente disputa a Série A do Campeonato de Portugal – terceiro escalão -, sem que os seus jogos contem para a classificação, por determinação federativa.

Recentemente, vários clubes do principal escalão admitiram recorrer à justiça para impugnar o campeonato, alegando que a decisão judicial de 2016 não obriga à reintegração do clube de Barcelos.

 
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