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O desafio de alimentar o nacional conformismo

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É estranha esta mania portuguesa de desdenhar nos políticos e simultaneamente permitir que os mesmos prossigam as más práticas que conduzem a mais mediocridade e a mais corrupção. São cada vez mais as Pessoas que vejo revoltarem-se com o estado de sítio a que chegou a política portuguesa e, curiosamente, muitas delas pertencem ao grupo mais conformado e acomodado do País – os abstencionistas.

Como é possível que perante tantas evidências de destruição de valor público, de empobrecimento da população e de extorsão da riqueza coletiva, as Pessoas sejam cada vez mais cúmplices pela sua inação? Como é aceitável que alguém que reclama dos políticos não se envolva na política para combater precisamente aquilo de que se queixa e que está a destruir o País?

Nesta região onde agora vivo, tive a oportunidade de aprender muito nestes últimos tempos e verificar como funciona o sistema local/regional:

1.      Aqui mandam os espertalhaços (espertos+palhaços) dos anos 80 e 90 que ainda controlam o alimento das seitas que empregam, já que acumularam, nos anos dourados dos fundos e da promiscuidade, riqueza suficiente para, mesmo não sendo milionários, influenciarem hoje a economia local;

2.      Têm marionetas nas câmaras onde há mais massa para gastar em obras de fachada e que geram a tal atividade “económica importante” do calhau e do betão que depois alimenta uma parte do sistema. Quando não há necessidade de betão ou calhau, inventam trabalho sem qualquer retorno para a sociedade, pois há que alimentar os empregados;

3.      Alimentam também as bases de militância dos partidos, através de pagamento de quotas e outros pagamentos de favor que lhes permitem continuar a mandar nas máquinas de parasitismo local;

4.      Silenciam os orgãos de comunicação social local, pois estes dependem dos editais e outras publicações municipais para receberem a sua esmola publicitária, sobretudo no caso da imprensa escrita. A situação é ainda mais caricata no caso das rádios que se transformaram em verdadeiras emissões de culto ao regime;

5.      Dominam grande parte das instituições locais (associações, clubes, irmandades e afins) pelo financiamento das atividades destas, através do dinheiro público, debaixo de planos de atividades que não servem sequer os fins daquelas;

6.      Metem uns tipos de fato e gravata a cumprimentar os idosos no fim das missas, contribuindo assim para o ritual domingueiro de beija mão ao regime vigente, aproveitando muitas vezes a escassez de padres nas freguesias. Ainda o padre emprestado está a entrar no carro (para ir para a freguesia seguinte dar a missa) e já lá estão os doutores e alguns engenheiros (alguns nem curso têm) naquele teatro adaptado a ectoparasitóides.

Abri esta exceção de referir-me ao contexto de política local para traduzir aquilo que está na génese do atual estado das coisas: a ignorância induzida para alimentar o conformismo. Dá jeito alimentar ignorantes pois assim os parasitas têm vida livre. É este o maior flagelo português – a ausência de um Povo ativo e consequente. Portugal vive de habilidosos que vivem de um Povo passivo e conformado.

Mas, e há sempre um mas, estes regimes não se eternizam. Cada vez está mais difícil para os espertalhaços garantir o funcionamento do regime. Cada vez há mais informação livre, via internet e não só. Cada vez há mais gente bem formada nas novas gerações. Tenho (muita) esperança na destruição destas pragas e doenças de que padece a nossa democracia. Tenho (muita) esperança na rutura do regime.

Ainda ontem deixei (no café da nossa aldeia) esta nota num bilhete: “A liberdade não serve só para ter programas televisivos de promoção de lixo social. Mudem de canal. Boas festas.”

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