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“Fui autarca 20 anos na autarquia mais pobre de Portugal, Celorico de Basto”

Eleições presidenciais 2021

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Imagem TVI / RTP

O candidato presidencial Tiago Mayan, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), acusou hoje Marcelo Rebelo de Sousa, recandidato ao cargo, de ter sido “o Presidente dos donos disto tudo” e o “propagandista e porta-voz do Governo”.

No debate transmitido pela RTP (ver aqui), Marcelo Rebelo de Sousa, que conta com o apoio do PSD e do CDS-PP na corrida a Belém, rejeitou estas acusações, reiterando ter estado “com os portugueses” e sido dos Presidentes que mais vetou leis em primeiro mandato.

Desafiado pelo atual chefe de Estado a dar um exemplo de uma lei do Governo que teria vetado, Tiago Mayan apontou a legislação que permitiu a eleição indireta dos presidentes das Comissões de Coordenação Regional, que considerou um “simulacro de democracia” combinado entre PS e PSD.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que o seu adversário foi “vago”na crítica e invocou a sua condição de autarca durante 20 anos em Celorico de Basto para considerar que esta lei foi “um avanço no sentido da descentralização”, com Mayan a dizer ser “risível” ouvi-lo falar neste tema, mas sem responder se era ou não favorável à regionalização.

“Eu fui autarca 20 anos na autarquia mais pobre de Portugal,. Não foi Lisboa, Não foi Porto. Já pensou o que é a autarquia mais pobre de Portugal? E que agora já não é a mais pobre. Mas para perceber o drama era preciso estar lá, é estar no terreno”, disse Marcelo, sem provocar grande diferença em Tiago Mayan.

“Se for reeleito vai terminar o seu mandato como presidente do país mais pobre da Europa”, respondeu o candidato apoiado pela IL, algo que o Presidente contrapôs com o Plano de Recuperação e Resiliência da União Europeia.

“Neto da Terra”, Marcelo foi presidente da Assembleia Municipal de Celorico de Basto (a sua avó Joaquina vivia em Gandarela de Basto) de 1997 até 2005 (18 anos), sempre eleito pelo PSD. Os autarcas de Celorico de Basto têm reconhecido a importância do papel de Marcelo no desenvolvimento daquele que era um dos concelhos menos desenvolvidos do Minho. Nas últimas presidenciais, teve uma votação expressiva (81%) a seu favor.

Colado ao Governo

O fundador da IL adotou, ao longo de todo o debate, um tom muito crítico em relação ao atual Presidente da República, mas os dois candidatos praticamente nunca se interromperam mutuamente, só entrando em diálogo mais direto na parte final.

Desafiado a apontar exemplos concretos da ‘colagem’ do chefe de Estado ao Governo, Tiago Mayan referiu o momento em que Marcelo Rebelo de Sousa garantiu, ao lado da ministra da Saúde, que haveria vacinas da gripe para todos os portugueses, quando não reconduziu Joana Marques Vidal na Procuradoria Geral da República ou quando apareceu, com o Governo, a anunciar a final da Liga dos Campeões em Portugal.

“A única coisa que move o Presidente é a sua busca de popularidade, só quando a sua popularidade baixa aí está pronto a tirar o tapete até a ministro”, criticou.

Marcelo teme que menos cuidados no Natal possam conduzir a “galopar” da pandemia

Marcelo Rebelo de Sousa assegurou que a popularidade lhe é “completamente indiferente”, referindo que, por exemplo, vetou a lei do financiamento dos partidos “contra o parlamento todo”.

“Eu intervim consoante haver razões ou não para intervir em relação aos respetivos ministérios, porque os factos ocorreram naquele momento”, disse.

O recandidato presidencial reiterou que, no seu entender, o Presidente tudo deve fazer “para que as legislaturas cheguem até ao fim”.

“No caso de haver crises que o justifiquem, então podem ser interrompidas, mas é preciso haver indicadores que essa interrupção aponta para soluções diferentes, alternativas às existentes. Nunca aconteceu isso, mesmo no caso mais flagrante que foi o de 2017”, disse, referindo-se ao período dos incêndios que causaram mais de cem mortes em Portugal.

O caso do cidadão ucraniano que morreu em março em instalações do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras voltou ao debate de hoje, com Tiago Mayan a considerar que o Presidente não deveria ter “aderido a um pacto de silêncio de nove meses”.

Marcelo Rebelo de Sousa voltou a invocar razões de Estado para não ter falado com a viúva de Ihor Homeniuk e assegurou que mantém essa decisão e “não faria diferente”.

Tiago Mayan apontou Ramalho Eanes quando foi questionado quem foi o melhor Presidente da República e desvalorizou qualquer comparação do seu resultado nesta eleição com o do candidato e líder do Chega, André Ventura.

“Eu não me estou a medir com aquele ou aqueloutro, estou a apresentar uma visão liberal, radicalmente diferente para o país”, disse.

Além de Marcelo Rebelo de Sousa e Tiago Mayan Gonçalves, são candidatos às eleições presidenciais de 24 de janeiro Marisa Matias, André Ventura, Vitorino Silva, João Ferreira e Ana Gomes.

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