Empresa de Barcelos envia autocarro com ajuda humanitária e traz 73 refugiados ucranianos

Valérius
Autocarro partiu esta manhã para a Polónia. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

A Valérius, empresa têxtil sediada em Barcelos, fretou um autocarro para trazer 73 refugiados ucranianos.

O autocarro arrancou, na manhã desta segunda-feira, das instalações da empresa, na freguesia de Vila Frescainha S. Martinho, carregado de bens alimentares e vestuário.

Está previsto chegar a Varsóvia, na Polónia, esta terça-feira à noite e chegar a Barcelos entre sexta-feira e sábado.

O autocarro leva quatro motoristas – para a viagem não sofrer paragens – e de Barcelos vão ainda dois intérpretes e seis voluntários da Valérius.

A sinalização dos refugiados que viajarão para Barcelos foi feita através da organização SOS Ucrânia, que faz a ponte entre a Ucrânia e as várias instituições que estão dispostas a ajudar quem está a fugir à guerra.

No autocarro da Valérius virão maioritamente “crianças e mulheres”, uma vez que os homens em idade adulta são obrigados a ficar no país para combater, com idades “dos nove meses aos 80 anos”, adiantou a O MINHO Patrícia Ferreira, da administração da empresa e também integrante do grupo de voluntários que irão à Polónia.

Autocarro partiu esta manhã para a Polónia. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Patrícia Ferreira sublinha que a iniciativa da empresa surgiu de um “sentimento de impotência” perante a guerra que está a atingir o povo ucraniano: “Temos que ajudar estas pessoas que estão a precisar”.

A Valérius lançou um apelo para a recolha de bens para ajudar o povo ucraniano e a comunidade deu uma resposta muito positiva.

Além da ajuda humanitária que encheu este autocarro, a Valérius ainda tem “meio pavilhão” com bens que serão enviados posteriormente.

A empresa de Barcelos assegura casa para 35 pessoas e as restantes são garantidas pela Câmara de Barcelos, que também articulou o processo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

“Tentaremos ajudar o máximo possível na integração destas pessoas”, realça Patrícia Ferreira, acrescentando que a empresa estará disponível para dar emprego aos refugiados, caso estes o venham a solicitar. Mas, para já, assinala, o que importa é acolher estas pessoas, sobretudo mulheres e crianças, até porque o futuro estará sempre dependente do evoluir do conflito no país, ao qual deverão querer regressar para junto dos familiares que lá deixaram.

Patrícia Ferreira salienta que a Valérius recebeu o incentivo de várias empresas que se “mostraram disponíveis para ajudar no que fosse preciso” e espera que esta iniciativa “seja uma inspiração para outras pessoas fazerem o mesmo”.

A Valérius é presidida por José Manuel Vilas Boas Ferreira, natural de Barcelinhos, e que, desde 2005, se tem notabilizado a recuperar empresas, como, por exemplo, recentemente, a Dielmar ou a Fábrica Camisas Sagres.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de 4,8 milhões de pessoas, 2,8 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU — a pior crise na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, e muitos países e organizações impuseram à Rússia sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 19.º dia, causou um número ainda por determinar de mortos e feridos, que poderá ser da ordem dos milhares.

Embora admitindo que “os números reais são consideravelmente mais elevados”, a ONU confirmou hoje pelo menos 636 mortos e 1.125 feridos entre a população civil, incluindo mais de uma centena de crianças.

 
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