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Braga

Britalar meteu novo PER no Tribunal, mas António Salvador vendeu a construtora em março

Plano Especial de Revitalização

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO (Arquivo)

A construtora Britalar-Sociedade de Construções, SA, de Braga, meteu, há dias, novo PER- Plano Especial de Recuperação no Tribunal de Famalicão. O quarto no espaço de quatro anos. Mas, o empresário António Salvador nada tem já a ver com o caso, dado que vendeu a empresa em março a um grupo brasileiro.

Ao que O MINHO soube, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção a Norte do rio Douro enviou, esta quinta-feira, ao Tribunal um documento em que contesta o pedido do PER, argumentando, entre outras coisas, que, aparece no documento como credora de 5,8 milhões de euros uma empresa constituída em abril de 2020, muito depois da aprovação do último PER, em junho de 2020. O Sindicato pretende mesmo impugnar o Plano.

Os cerca de 15 funcionários que ainda têm dinheiro a receber da Britalar queixam-se de que não recebem a parcela acordada no último PER, há seis meses.

Consideram “muito estranho” que a empresa brasileira adquirente da Britalar apresente no balanço, dois milhões de ativos e 20 de passivo, ou seja, argumentam, está “tecnicamente falida”.

O MINHO contactou António Salvador o qual não se quis pronunciar. Fonte ligada ao processo disse que a empresa compradora atua em Portugal na área dos resíduos e pretende agora investir na construção civil: “estão dispostos a desenvolver a empresa”, afirmou. Sobre o atraso no pagamento aos ex-funcionários, a mesma fonte garantiu que, enquanto a firma pertenceu a Salvador, até fevereiro, as prestações foram liquidadas.

“ A Britalar tinha uma dívida de 80 milhões aquando do primeiro PER e agora tem apenas 20 milhões, o que significa que foi feito um grande esforço para ressarcir os credores”.

Dívida de 36 milhões em 2019

Em maio de 2019 o PER aprovado em Tribunal indicava uma dívida de 36 milhões de euros a 635 credores.

No documento, a empresa dizia ter garantida “a entrada de um parceiro/investidor que a dotará de meios financeiros e capacidade produtiva, sem aumento da sua estrutura de custos, que lhe permite aproveitar as oportunidades de negócio do mercado em crescimento”.

O investidor – cujo nome não é indicado – “compromete-se a realizar um aumento de capital, através de novas entradas em dinheiro, em valor suficiente para tornar exequível o serviço da dívida ora proposto”.

No Plano, propunha-se pagar aos credores comuns – os fornecedores – em 149 prestações mensais, ou seja, em mais de 12 anos, mas aponta a possibilidade de liquidar mais depressa a dívida, se o credor fizer um desconto, que pode ir até aos 50 por cento.

À fazenda publica e à Segurança Social promete pagar a totalidade do valor em débito em 150 prestações, enquanto que aos credores privilegiados, isto é aqueles que têm hipotecas ou outras garantias e avales – caso da banca onde o Novo Banco aparece como um dos grandes credores – afirma que pagará em 49 prestações mensais.

A Britalar, então com sete milhões de capital – 86 por cento das ações, ao tempo, na posse de Salvador e o restante da mulher – é uma sociedade anónima fundada em 1994.

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