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Braga

Braga-Miami com escala em Hong Kong: ‘Ergueu’ casinos, hoje cria lojas Starbucks

Arquiteto bracarense reside em Miami e é responsável pelo design das lojas Starbucks na América Latina

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“Hoje é feriado em Portugal, não é?”. Foram as primeiras palavras de uma conversa de quase 40 minutos com o arquiteto bracarense que já conquista o Mundo através do design e prepara-se agora para travar nova vitória com recurso à fotografia captada através de drone.

José Macedo, 36 anos, natural de Braga, deixou as trouxas na cidade aos 18 anos, depois de estudar no colégio D. Pedro V e nas escolas André Soares e Carlos Amarante, e formou-se em arquitetura na Universidade de Coimbra. Passou por Brasil, Hong Kong, Macau e assentou arraial minhoto na Flórida, EUA, onde presentemente desenha as lojas drive thru da marca Starbucks, depois de um convite da administração por ter sido distinguido com o trabalho do ano na Ásia, onde já trabalhava para a cadeia norte-americana.

José Macedo. Foto: DR

De Braga para o Mundo. O arquiteto manteve durante vários anos um programa na Rádio Universitária do Minho (RUM), onde falava de arquitetura e de música indie. Ao mesmo tempo, licenciou-se em Coimbra, onde conseguiu um estágio de intercâmbio com o Brasil. Esteve lá dos 24 aos 26, regressando a Braga para abraçar um projeto que lhe deu a primeira visibilidade. “Fui um dos cinco arquitetos a acompanhar a obra do novo Hospital de Braga”, revela a O MINHO.

Construção do Hospital de Braga. Foto: bysteel / dst

Aos 28, surge a oportunidade de trabalhar numa das maiores empresas de design no mundo (AEDAS), que emprega cerca de 900 arquitetos. Destino? Hong Kong e mais um continente para a lista de moradas. Na Ásia, conquistou experiência nos projetos em “grandes escalas”. “Desenhei resorts, hóteis, centros comerciais”, apresenta.

Aos 32, voltou a fazer as malas, mas desta vez sem mudar de continente.

Os casinos de Macau esperavam pela pena do bracarense, que se divertia na adolescência a tocar guitarra ritmo numa banda de post rock, mas seria a capacidade na arquitetura que fez com que rodasse o planeta Terra.

Na outrora província do Império de Portugal, José começou a trabalhar no lado do cliente. “Tratam melhor os arquitetos”, expõe. “Deixei as empresas de arquitetura e comecei a desenhar hotéis e casinos com clientes próprios”, acrescenta. Num desses projetos, surgiu o primeiro contacto com representantes da Starbucks. Um convite surgiu, José regressou a Hong Kong, e os drive thrus da marca nunca mais foram os mesmos.

Nos últimos quatro anos, o arquiteto desenhou os diferentes edifícios da marca de cafés no sudeste asiático e na Austrália. Uma dessas lojas, na Tailândia, valeu-lhe um prémio interno na empresa, pelo melhor design. E um convite, que surgiu no início de 2019, para se instalar em Miami, na Flórida, onde hoje é responsável por criar o lado visual das lojas da América Latina.

Fotografia 2D pelos ares com publicações em várias revistas

Ainda em Hong Kong, e a o mesmo tempo em que iniciou a colaboração com a empresa norte-americana, José Macedo desenvolveu uma paixão que se tornou num caso sério de mediatismo. Fotografia 2D com recurso a drone.

O investimento “mais caro” que realizou – num drone fotográfico -, já lhe valeu cobertura de órgãos de comunicação social como a Time Out Hong Kong (ler aqui), Perspective Magazine e o semanário Expresso (acesso pago). Tem, atualmente, uma exposição desse género de fotografia patente na galeria de arte Bamboo Scenes, em Hong Kong.

 

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“Comecei a tirar fotos por brincadeira e a publicar nas redes sociais”, diz. À distância de vários likes e comentários, chegaram os incentivos para tirar cada vez mais fotografias nesse prisma. E não só o fez como o tornou num estilo.

“Percebi que o meu estilo era mais de cima para baixo, isto é, em plano 2D, como os arquitetos veem a planta. Por isso é que tiro assim as fotos”.

Depois, o passatempo passou a um projeto que começou a crescer: “uma galeria (Bamboo Scenes) propôs comprar os direitos de exibição de oito fotos, e ainda lá estão expostas”.

Sobre este projeto, José adianta a O MINHO que irá tentar explorar a junção da fotografia à arquitetura, mas “ainda sem saber como”. “Não sei o que irá sair daqui, mas quero juntar o útil ao agradável, o trabalho ao passatempo”.

Gerês e a região de Braga não escaparam ao enquadramento do arquiteto.

Bom Jesus. Foto: José Macedo

Praia da Caniçada, Gerês. Foto: José Macedo

Lago do Bom Jesus. Foto: José Macedo

Regresso a Portugal

José Macedo não sabe se irá aproveitar o incentivo do Governo para que emigrantes regressem ao país, mas tem a certeza que quer retornar a Braga (ou a outra cidade do país), a breve prazo.

“A América é espetacular, vim um pouco reticente porque diziam que em Miami era só show off, mas encontrei outra cidade, onde há sempre sol e boas energias, com um espírito mais latino do que americano”, diz. Todavia, “família e amigos” pesam na equação, e o regresso a Portugal será inevitável.

“Não tenho convites ou projetos em mente mas sei que quero regressar a Portugal quando surgir a oportunidade”, garante. Lamenta, no entanto, que não existam as mesmas oportunidades no país.

“Saímos da escola a pensar que queremos ser um Siza Vieira ou um Souto Moura, mas, hoje em dia, com a velocidade da sociedade, é complicado, sobretudo em Portugal, onde é muito difícil criar um ambiente bom dentro das empresas porque há muitos arquitetos e ninguém quer perder o lugar”.

“A situação em Portugal não é a melhor mas se surgir um bom contrato e uma boa oportunidade, que me permita continuar a viajar, aceito na hora”.

West Kowloon Terminus

De Hong Kong, traz ainda a obra mais emblemática que que esteve envolvido. A West Kowloon Terminus, estação de comboios rápidos que liga Hong Kong à capital chinesa (Pequim).

West Kowloon Terminus. Foto: Divulgação

“Foi um desafio interessante porque envolveu um trabalho conjunto de arquitetura e engenharia, de forma a que existisse sustentabilidade”, conta. “Um desenho arrojado e uma grande construção”.

Essa é uma das obras que José Macedo utiliza para tentar explicar aos jovens arquitetos portugueses que devem procurar oportunidades no exterior de foram a alargar os horizontes.

“Acho que devem sair porque a oportunidade de trabalhar em projetos de grande dimensão não existe em Portugal”.

Notícia atualizada às 19h34

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