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Bispo espanhol apela em Fátima à oração face aos tempos conturbados que se vivem

Religião

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Foto: Santuário de Fátima

O bispo de Ourense, José Montanet, sublinhou hoje em Fátima a importância da oração, tendo em conta os tempos que se vivem, cheios de “experiências de desolação e guerra”.

Para o prelado espanhol, o pedido deixado pela Virgem em Fátima, em 1917, de rezar o terço “pela paz e pelo fim da guerra”, continua atual.

“Não existe um pedido mais real e urgente. Continuamos a viver experiências de desolação e guerra”, disse José Lemos Montanet perante os peregrinos presentes na peregrinação de julho ao Santuário da Cova da Iria, deixando-lhes várias perguntas: “Já se questionaram quantas crianças morreram no seio das suas mães na Europa no ano passado? Sabem quantos suicídios aconteceram nos nossos países de pessoas jovens, que procuraram a própria morte porque a vida tinha perdido o sentido para eles? E as famílias, e as nossas escolas e as faculdades, onde se pregam ideologias que, mais cedo ou mais tarde, matam a fé na vida das jovens gerações?

O bispo de Ourense, perante este cenário, não tem dúvidas: “É preciso atender ao convite da Virgem: rezar!”.

O também presidente da Comissão Episcopal de Liturgia da Conferência Episcopal espanhola, deixou um apelo especial para o apoio aos mais jovens.

“Na situação atual, com a pandemia que perturba todas as nossas vidas, temos de voltar os nossos olhos (…) para os nossos adolescentes e jovens. Temos de ajudá-los, não criticá-los. Ajudá-los muito, porque eles tiveram de viver num mundo em mudanças permanentes, cheio de imensas incertezas”, afirmou o prelado, acrescentando que muitos têm também “dúvidas sobre o seu futuro e o significado e utilidade dos seus estudos” ou estão “preocupados com as suas famílias, muitas vezes desfeitas ou cheias de confrontos violentos”.

Por outro lado, são também numerosos os “que estão sem esperança, porque lhes falta uma perspetiva de trabalho digno e seguro”.

“São problemas muito complexos e temos de ajudá-los a resolvê-los, porque os problemas deles são também os nossos problemas”, frisou, ao mesmo tempo que exortava os jovens a caminharem “sempre em frente!”.

Na homilia da missa deste 13 de julho, que assinala a terceira aparição ao Pastorinhos em 1917, o bispo de Ourense disse ainda que “a sociedade de hoje está a passar por graves transformações, que afetam a todos, especialmente os mais vulneráveis”.

“Não podemos esquecer as crianças e os idosos”, afirmou José Montanet, apelando à oração “por todo este mundo tão carente de uma vida mais espiritual, onde reine o ser e nunca o ter. Que acabe a pandemia, as guerras e que em toda a terra exista a união, o respeito e a atenção também pelos que não acreditem, pelos ateus, pelos agnósticos”, sem esquecer o esforço que deve ser feito “para tratar melhor a Natureza”.

“Queremos ser uma Igreja que com Maria nos torne portadores de alegria e amor e, ao mesmo tempo, neste período de pandemia, queremos ser testemunhas de esperança, de vida. Queremos ser uma Igreja vive, uma Igreja que caminha, (…) uma Igreja onde, como família de Deus, todos se encaixem”, sublinhou.

O Santuário de Fátima, na apresentação desta peregrinação aniversária sublinhou que a mesma “evoca a terceira aparição de Nossa Senhora aos videntes”, na qual podem ser elencados “três aspetos fundamentais do acontecimento de Fátima: o primeiro quadro compõe-se de uma visão do inferno; o segundo apresenta a devoção ao Imaculado Coração de Maria; o terceiro refere-se à Igreja peregrina e mártir”.

A peregrinação de julho volta a ter como tema “Louvai o Senhor, que levanta os fracos”, havendo, segundo o Santuário, “uma especial intenção pelos que sofrem neste momento de tribulação decorrente da pandemia”.

Os peregrinos presentes – em pequeno número comparativamente ao que se verifica nas peregrinações de maio, agosto e outubro – estão a respeitar distanciamento físico e a usar máscara, de acordo com as orientações dadas pelo Santuário.

Nesta peregrinação estão a participar grupos organizados de peregrinos de Espanha, Itália, França, Polónia, Croácia e Venezuela.

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