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Advogado de Braga suspeito de falsificar habilitações arrisca ser destituído da Ordem dos Templários

Luis Rufo tinha sido investido Cavaleiro em 2014

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Luís Rufo a ser investido Cavaleiro da Ordem dos Templários. Foto: O MINHO

Luís Rufo, advogado de Braga suspeito de ter falsificado as suas habilitações académicas, pode ser destituído de Cavaleiro da Ordem dos Templários, soube O MINHO esta terça-feira.

Segundo apurou o nosso jornal, desde sábado, quando o semanário Nascer do Sol espoletou o caso, que os mais altos responsáveis da Ordem dos Templários estão a seguir atentamente o desenrolar da situação, embora ninguém queira assumir uma posição pública, dado o secretismo que envolve a instituição, em especial tratando-se casos melindrosos.

Luís Rufo é na região do Minho, desde há oito anos, um dos mais destacados cavaleiros da Ordem dos Templários, inclusivamente a nível nacional, mas segundo referem os estatutos daquela ordem internacional, os títulos atribuídos poderão ser retirados a todo o momento em caso de eventuais falsificações de títulos que tenham sido tidos em conta para a sua adesão.

O advogado foi investido na cidade de Braga, em plena Igreja da Irmandade de Santa Cruz, onde já era o provedor da instituição, no dia 20 de junho de 2014, fez ontem precisamente oito anos, em cerimónia solene e pública, sob a presidência do grão-mestre universal da Ordem dos Templários, Fernando Campello Pereira Pinto de Fontes.

A investidura de Luís Rufo como Cavaleiro da Ordem dos Templários, a par de várias autoridades eclesiásticas, civis e militares, com a guarda de honra da Associação Humanitária e Beneficente dos Bombeiros Voluntários de Braga, incluiu um solene cortejo, desde a Avenida Central dos templários com os mantos brancos, seguindo-se a cerimónia religiosa e a investidura internacional, em que os novos membros assumiram o seu compromisso de cumprir os Estatutos da Ordem do Templo, através da Comendadoria São Geraldo.

Esta comendadoria tem sede em Braga, sendo então liderada por Manuel Beninger, presidente da Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos, candidato pelo partido Chega à Assembleia da República nas eleições legislativas, através do Círculo de Fora da Europa.

Naquela cerimónia os postulantes ajoelharam, um a um, perante o grão-mestre, enquanto que, segundo o ritual templário, este lhes tocava levemente nos ombros e na cabeça com a espada dizendo ao invocar a Santíssima Trindade: “Eu te faço Cavaleiro/Dama Templária hoje e para sempre”.

A cerimónia, à data, atraiu as atenções de todas as televisões nacionais. “Hoje em dia um cavaleiro templário é um senhor de uma sólida autoestima e que sabe distinguir com acuidade o bem do mal, tendo a organização passado de ordem militar a fraterna e filantrópica, continuando a ser uma das organizações não-governamentais das Nações”, acentuou na altura Manuel Beninger, o comendador de São Geraldo, falando a jornalistas de todo o país.

Fundada no ano de 1118, a Ordem dos Templários, que tem mais de 30 mil membros distribuídos por cerca de 50 países, reuniu-se, em convento internacional, então em Braga, através de reunião magna internacional participam cerca de uma centena de templários oriundos de nove países, tendo aquela instituição, uma das mais famosas Ordens Militares de Cavalaria, tendo sido fundada no rescaldo da 1ª Cruzada, em 1118, por Hugo de Payens, com o apoio de mais oito cavaleiros e do novo rei de Jerusalém de nome Balduíno II, para proteger os peregrinos que tentassem chegar e bem a Jerusalém, face a investidas de qualquer inimigo, conforme reza a história.

Oficialmente aprovada pela Igreja Católica, pelo Papa Honório II, por volta de 1128, a Ordem tornou-se uma das favoritas da caridade em toda a Cristandade e a regra desta ordem religiosa de monges guerreiros (de carácter militar) foi escrita por São Bernardo. A sua divisa foi extraída do livro dos Salmos: “Non nobis Domine, non nobis, sed nomine Tuo ad gloriam”, significando “Não a nós, Senhor, não a nós, mas pela Glória de teu nome”, tendo como primeira sede dos Cavaleiros Templários, a Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, foi o Monte do Templo. Os cruzados chamaram-lhe de o Templo de Salomão, como ele foi construído em cima das ruínas do templo original, tendo sido a partir desse local que os cavaleiros tomaram seu nome de Templários, na Ordem, ainda de acordo com a história.

Luis Rufo, advogado suspeito de falsificar as habilitações académicas para exercer a profissão ao longo de 30 anos, “requereu a sua suspensão” da advocacia e “entregou voluntariamente a sua cédula profissional”, informou esta terça-feira a Ordem dos Advogados (OA).

Como O MINHO noticiou, Luís Rufo, um dos advogados mais famosos de Braga, é suspeito de exercer a advocacia, sem nunca ter estado habilitado para o efeito, ao longo dos seus 30 anos de atividade profissional. Esta terça-feira, a Ordem dos Advogados informou que Luís Rufo “requereu a sua suspensão” da advocacia e “entregou voluntariamente a sua cédula profissional”.

Segundo o semanário Nascer do Sol, Luís Rufo terá falsificado as certidões de todas as disciplinas do curso de licenciatura em Direito, a partir de uma única que completara, História do Direito Português, onde obteve onze valores, na Universidade de Coimbra, falsificando-as.

Sempre através de fotocópias, alegadamente truncadas, certificadas num notário de Ponte da Barca, cada uma com o nome de todas as “cadeiras” do curso, que concluiria, na Universidade Portucalense, do Porto, após frequentar a Universidade Livre, logo encerrada.

Luís Manuel Rodrigues Gonçalves Rufo, de 67 anos, é natural da freguesia da Areosa, em Viana do Castelo, onde nasceu a 8 de março de 1955, tendo desde sempre escritório em Braga, o último dos quais e atualmente na zona de Santa Tecla, junto ao Palácio da Justiça.

Até maio de 2020, Luís Rufo foi durante oito anos provedor da Irmandade de Santa Cruz, instituição bracarense fundada em 1581, na ocasião denominada Confraria do Bom Jesus de Vera Cruz, além de ter sido investido, em 2014, Cavaleiro da Ordem dos Templários.

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