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Taxa de juro do crédito à habitação atingiu em dezembro máximo desde 2014

Segundo o Banco de Portugal

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO / Arquivo

Os bancos emprestaram 1.394 milhões de euros para crédito à habitação em dezembro, mais 119 milhões de euros do que em novembro, tendo a taxa de juro atingido máximo de oito anos e meio, segundo dados do Banco de Portugal.

A taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação subiu para 3,24% em dezembro (face a 3,09% em novembro), tendo sido o valor mais alto desde junho de 2014.

No conjunto do ano, os bancos concederam 23.878 milhões de euros em novos empréstimos a particulares, um aumento de 1.908 milhões de euros face a 2021.

“Por finalidade, foram concedidos 16.156 milhões de euros para novos empréstimos à habitação, 5.377 milhões de euros para consumo e 2.345 milhões de euros para outros fins, mais 886, 891 e 132 milhões de euros do que em 2021, respetivamente”, explica o banco central.

A taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação “mais do que triplicou em relação a 2021”, ao passar de 0,83% em dezembro de 2021 para 3,24% em dezembro de 2022.

“Esta subida acompanha a trajetória das taxas Euribor, que, em dezembro, foram em média 3,03% no prazo a 12 meses, 2,57% a seis meses e 2,07% a três meses (-0,50%, -0,54% e -0,58% em dezembro de 2021, respetivamente)”, acrescenta o BdP.

Já a taxa de juro média dos novos empréstimos ao consumo foi de 7,97% (7,18% em dezembro de 2021).

No documento hoje publicado, o BdP acrescenta que houve um aumento da percentagem de contratos renegociados ao longo de 2022, representando “22% do total de novas operações de crédito para habitação própria permanente”.

Já os novos empréstimos às empresas concedidos pelos bancos em dezembro atingiram 3.319 milhões de euros, mais 1.665 milhões do que em novembro. Destes, 1.435 milhões de euros foram em créditos até um milhão de euros e 1.884 milhões em empréstimos acima de um milhão de euros.

A taxa de juro média dos empréstimos às empresas subiu tanto nos empréstimos até um milhão de euros (de 4,29% para 4,45%), como para os empréstimos acima de um milhão de euros (de 3,63% para 4,42%).

No total do ano, o montante de novos empréstimos concedidos pelos bancos às empresas foi de 22.055 milhões de euros, mais 1.229 milhões que no ano anterior. Até um milhão de euros foram concedidos a empréstimos no montante de 12.442 milhões de euros e 9.616 milhões de euros acima desta linha.

A taxa de juro média dos novos empréstimos às empresas “mais do que duplicou no último ano, aumentando de 2,00% em dezembro de 2021 para 4,44% em dezembro de 2022”, sendo “transversal aos empréstimos até um milhão de euros (de 2,12% para 4,45%) e aos empréstimos acima de um milhão de euros (de 1,90% para 4,42%)”.

Quanto a depósitos, em dezembro, os novos depósitos a prazo de particulares atingiram 5.156 milhões de euros, mais 285 milhões de euros face a novembro e o valor mais alto desde janeiro de 2019. A taxa de juro média foi de 0,35% (igual a novembro, quando se atingiu um máximo desde dezembro de 2016).

Ao longo de 2022 os novos depósitos a prazo de particulares foram de 49.393 milhões de euros (mais 6.377 milhões de euros que em 2021), com uma taxa de juro média de 0,35%.

“Do montante dos novos depósitos constituídos, 88% foram aplicados em depósitos a prazo até um ano, remunerados, em dezembro, a uma taxa de juro média de 0,30% (0,04% em dezembro de 2021)”, detalhou o banco central.

Em 2022, os novos depósitos a prazo das empresas somaram 21.513 milhões de euros, dos quais 96% foram aplicados em depósitos a prazo até um ano.

“No final do ano, a remuneração média destes depósitos era de 0,97%, percentagem acima da oferecida no final de 2021 (0,06%)”, conclui o BdP.

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