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Alto Minho

“Smart Minho”: O projeto que resgata a memória imaterial do que se perde pela foz do rio

Reportagem

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Foto: DR

O espanhol José Manuel e a portuguesa Isalina são “tesouros humanos vivos” com capacidades que já vão sendo raras. Identificá-las é a missão do projeto europeu “Smart Minho”, que procura transmiti-las às gerações futuras.

Ninguém aprecia tão bem o valor da memória como os que sabem que está a desaparecer. A memória, especialmente a coletiva, é um património imaterial de valor incalculável, um museu vivo cuja conservação requer um trabalho altruísta, muitas vezes ingrato e quase sempre solitário.

Xavier Rodríguez sabe isso bem. É um homem jovem, de gargalhada pronta, natural da fronteiriça aldeia galega de As Neves (Pontevedra, Espanha), que no seu tempo livre desce às águas do Minho para absorver os segredos da arte milenar da pesca com ‘masoira’.

Rede de pesca utilizada no rio Minho, conhecida como ‘masoira’. Foto: CM Melgaço

Nesta arte os detalhes são apenas conhecidos por um punhado de idosos de ambos os lados do rio, uma fronteira natural que separa política e administrativamente a Galiza do Norte de Portugal, mas também, e sobretudo, a artéria que durante séculos ligou ambas as margens e o seu povo.

“Há 25 anos que mantemos a cultura galega e a cultura do Norte de Portugal, ou seja, o minhoto. É uma cultura comum”, defende Xerardo Feijóo, antropólogo e membro da Associação Cultural e Pedagógica “Ponte…nas Ondas!”, uma das 176 entidades consultivas acreditadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em todo o mundo e a única na Galiza.

“Ponte….nas Ondas!” estuda o património imaterial transfronteiriço e participa no projeto de cooperação “Smart Minho”, liderado pela Câmara Municipal de Pontevedra e cofinanciado em 75% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Governantes portugueses e espanhóis reforçam colaboração. Foto: DR

A iniciativa “Los tesoros humanos vivos del río Miño Transfronterizo” (“Os tesouros humanos vivos do rio Minho”, em português) tenta documentar, para evitar a sua perda, a memória cultural galego-portuguesa acumulada durante séculos e que agora apenas reside na cabeça de uns poucos idosos.

Esta iniciativa encontrou um aliado em Xavier, que não só desistiu de seguir os passos de muitos outros, que procuravam na emigração uma válvula de escape ao desemprego e à falta de horizonte vital, como também é companhia assídua dos “tesouros humanos vivos”, com a esperança de eventualmente se tornar num deles.

“Parece-me uma riqueza e não quero que se perca”, afirma Xavier, que por esta altura já é um livro aberto sobre a pesca da lampreia com ‘masoira’ e sobre as pesqueiras ou pestos.

Foto: Divulgação / CM Melgaço

As pesqueiras, explica, são formações pedregosas, possivelmente construídas pelos romanos há cerca de 2.000 anos, que entram estrategicamente pela água naquelas zonas onde as lampreias têm menos possibilidades de as contornar. É aí que são colocadas as ‘masoiras’, um aparelho de pesca artesanal que consiste numa rede em forma de funil e que se estende debaixo das águas com uma boia e um peso, com uma grande boca aberta com uma armação de metal pela qual passam os peixes.

As pesqueiras são propriedade privada, mas também património cultural, explica José Manuel Camiña, um desses “tesouros humanos vivos” cujo saber é absorvido por Xavier.

Foto: Wikipédia

Apesar dos seus 70 anos, José Manuel desce pelas encostas íngremes que conduzem ao Minho como se fosse um jovem. E ali, o seu galego fronteiriço e lusitano torna-se nostálgico com a canção de embalar do Minho que recorda outros tempos, não tão antigos, em que as pesqueiras davam de comer a uma família inteira. Foi um tempo, diz, em que se pescava de tudo. Também gulas, que se “utilizava para adubo” ou para alimentar as galinhas. “Agora, a pouca que há vai para o Japão, é um negócio”, lamenta.

É por isso que a arte de pescar com ‘masoira’, hoje, “é artesanato”, diz José Manuel: “Quase ninguém a pratica, os jovens não querem saber porque ela não dá. Antes, as pessoas dedicavam-se a fazer redes porque o rio dava muito e sustentava a família. Agora é um hobby e uma perda de tempo”. E mostra a rede.

“Isto agora por menos de 500 ou 600 euros eles não te fazem”. Cada rede é feita à medida, em função do tamanho da pesqueira. Isto está feito malha a malha e depois não se desconta na vida”, acrescenta.

Foto: Divulgação / Polícia Marítima

Estes não são os únicos obstáculos que esta arte milenar enfrenta para tentar contornar a sua própria extinção, pensa Xavier, que fala de excesso de exploração e alterações climáticas: “Além disso, um grande problema são as cascatas que foram construídas rio acima, que variam muito o seu leito. Portanto, ao mesmo tempo que é mau para a pesca, é mau para a própria reprodução da lampreia, porque quando desova, ao baixar o rio, os pássaros, os corvos-marinhos, comem as crias”.

Depois, há a hiper-regulamentação e a burocracia, que José Manuel critica amargamente: licenças de pesca emitidas pelo Comando Marítimo do Minho, taxas, controlos rigorosos ao tamanho das redes, restrições à reparação das pesqueiras e multas elevadas pelo incumprimento da regulamentação, tornando deficitária uma atividade que nos seus bons tempos permitiu aos que a praticavam apanhar até 40 ou 50 lampreias numa só noite.

Tudo isso é história ou estaria a um palmo de o ser se não fossem pessoas como Xavier: “Enquanto viver vou tentar não perder os meus costumes e gostaria, quando for mais velho, de fazer como eles fazem, que estão muito agradecidos de que a gente jovem esteja interessada no tema. E espero que um dia eu possa ensinar estas artes, que são, afinal de contas, costumes. Realmente, antes, as pessoas faziam-no para comer, por necessidade, e agora fazem-no por tradição, não por outra coisa”.

Pesqueira no rio Minho. Foto: DR

Felizmente para os conservacionistas deste património imaterial, a relação que Xavier e José Manuel mantêm com o rio e as pesqueiras é reproduzida do outro lado do Minho, porque, como explica Xerardo Feijóo, lá “existem as mesmas pesqueiras, exatamente como aqui, com pessoas que conhecem e partilham os mesmos conhecimentos sobre as artes do rio”.

Nesse outro lado, em território português, sobe-se desde o vale junto ao rio por estreitas estradas arborizadas, que ziguezagueiam colina acima até Castro Lameiro, uma minúscula e isolada aldeia do distrito de Viana do Castelo perdida entre um denso nevoeiro. Os seus poucos habitantes mantêm resquícios de um modo de vida de outro século que a iniciativa “Los tesoros humanos vivos del río Miño Transfronterizo” conseguiu documentar.

Parque arqueolóxico de Campo Lameiro. Foto: Divulgação

É ali que vive há 76 anos Isalina Fernandes, uma idosa que encadeia frases como uma máquina de costura. Fá-lo em castrejo, um português rústico repleto de arcaísmos, cuja sonoridade galega se relaciona com variedades dialetais do outro lado do rio. E com esta forma particular de falar, Isalina dá livre curso à sua memória, que é tão torrencial e desordenada como as águas do Minho quando desabam bravas.

“A minha vida tem sido muito dura, muito dura”, diz, sentada junto ao fogo de uma lareira, que despeja um fumo espesso. Os seus olhos escondem-se animados entre as estrias do seu rosto esquartejado, que se retraem como um acordeão cada vez que ri, algo que faz frequentemente quando fala dos galegos, com os quais tem uma relação algo contraditória.

Isalina e a sua filha Leonor, cujas formas de vida estão tão intimamente ligadas à natureza e às montanhas como determinadas por elas, são também “tesouros humanos vivos”, os protagonistas do projeto europeu “Smart Minho”.

São as únicas em toda a aldeia que ainda praticam a transumância. Antes da chegada do aquecimento, das estradas ou dos automóveis, a prática estendia-se por toda a aldeia, que a cada inverno fugia da montanha para evitar ficar presa pela neve.

Então, pouco depois da matança do porco, nas carroças puxadas por bois carregando galinhas e coelhos, seguidos de cabras e vacas, começou uma complexa transferência para o vale, onde todos os aldeões tinham uma segunda casa, a que chamavam “inverneira”: “Natal na ‘inverneira’ e Páscoa na ‘branda'”, ainda dizem na aldeia para distinguir ambas as casas e o tempo que passaram nelas.

“Levávamos tudo. E íamos pelos caminhos abaixo. Agora há estradas, mas antes eram caminhos, e gente chegou até a morrer nos caminhos. Nós colocávamos uma escada, com algumas barras cruzadas e com roupas debaixo, porque não havia colchões, nem havia nada disso, e então lá íamos com os mortos para baixo”, conta Isalina.

Ninguém faz mais essas transferências tediosas e arriscadas, exceto Isalina e a Leonor, mas contam agora com uma carrinha, um trator e estradas que lhes facilitam a descida, razões que ratificam a sua decisão de se recusarem a abandonar o seu modo de vida.

“Alguns dão-se conta que estão melhor lá em baixo, outros que estão melhor aqui, e como eu estou bem de um lado e no outro ainda faço a viagem”, diz Isalina, sorridente.

“As pessoas foram para as cidades e agora a maioria delas volta, porque nas cidades não há empregos e não têm nada para comer. Aqui não nos falta comida”, assegura Leonor, de 54 anos, para quem na serra “só morrem à fome os que não querem trabalhar”.

Produzem leite, queijo, enchidos e tudo o que a natureza pode dar aos que aprenderam a domesticá-la. Em suma, dizem, nada lhes falta.

Existem exceções, mas é por isso que existem as feiras que frequentam nos arredores, de um e outro lado do Minho, onde os galegos e os portugueses se misturam tão naturalmente como a maioria dos seus costumes. Uma mostra dessa relação delas é o Carnaval, festa profundamente enraizada na Galiza, onde se chama Entroido, e que, devido à influência galega, se chama Entrudo no Norte de Portugal.

No interior da sua ‘branda’, Leonor mostra o seu fato de Entrudo e explica pacientemente as partes que o compõem: o lenço, o avental, as calças, o saiote e um véu que lhe tapa a cara e lhe permite envolver no anonimato faltas de respeito e verdades apenas aceitáveis nos alegres dias de máscaras que antecedem a Quaresma.

Esses são também os dias para alimentar a comunicação com as pessoas do outro lado do Minho, com os quais Isalina, que gosta de compor cantigas, mantém uma relação com bastantes entraves, porque nos galegos não se fia muito.

No entanto, gosta de lhes dedicar cantigas que ela própria escreve, como esta: “Eu recebi um galego / com todo o amor e carinho, / espero que ele não se perca pelo caminho. / Para vir a minha casa por alguém foi guiado, / mas ele veio a um sítio certo, ele não deu um passo errado”.

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Alto Minho

Aprovados apoios ao emprego, às empresas e às instituições de Caminha

Covid-19

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Foto: Divulgação / CM Caminha

A Câmara de Caminha aprovou por unanimidade, em reunião ordinária do executivo municipal, um pacote de medidas de apoio ao emprego, às empresas e às instituições do concelho, informou hoje à Lusa o presidente da autarquia.

A proposta da maioria socialista no executivo municipal “prevê isenções de pagamento de rendas habitacionais e de comércio em espaços municipais, isenção do terrado das feiras semanais e de esplanadas, pagamento de tarifas fixas no abastecimento de água, saneamento e resíduos urbanos para pequenas e microempresas e o apoio financeiro a Instituições Particulares do Solidariedade Social (IPSS) e corporações de bombeiros”.

As medidas hoje aprovadas, por unanimidade, têm como objetivos “a manutenção do emprego, o equilíbrio financeiro da atividade empresarial e de suporte ao trabalho das IPSS que trabalham com idosos no concelho, incluindo as corporações de bombeiros de Caminha e Vila Praia de Âncora”.

No final da sessão, em comunicado enviado às redações, os três vereadores do PSD no executivo municipal informaram ter apresentado “nove medidas adicionais” à proposta da maioria socialista que consideram ser “geradoras de apoios importantes em época pandémica”.

Entre essas medidas, apontaram a isenção do pagamento das tarifas fixas da água e saneamento, com calibre de adução até 25 milímetros, nos meses de abril, maio e junho, do pagamento de tarifas fixas de recolha de resíduos sólidos para todos até julho do presente ano, o apoio de forma excecional e temporária às famílias que tiveram perdas do rendimento familiar iguais ou superiores a 25%, comparticipando em 50% no pagamento das rendas habitacionais” e defenderam “maior rapidez no pagamento a fornecedores, assegurando maior liquidez às empresas para fazerem face aos seus compromissos com os trabalhadores”.

Os vereadores do PSD alertaram ainda para a necessidade de “acompanhamento das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), no sentido de garantir apoio na aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (UEPI), sobretudo as IPSS que apenas têm creches e jardins-de-infância nas suas respostas sociais, uma vez que, pelo facto de estarem encerrados, não garantem receitas suficientes para o pagamento das despesas mensais, nomeadamente os salários dos trabalhadores”.

“O PSD estará sempre responsavelmente ao lado da população de Caminha, conforme continua a demonstrar reunião atrás de reunião, propondo novas alternativas e medidas para que todos possamos ultrapassar este estado pandémico o melhor possível”, sustenta a nota dos vereadores sociais-democratas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 70 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 311 mortes, mais 16 do que na véspera (+5,4%), e 11.730 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 452 em relação a domingo (+4%).

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Alto Minho

Lar em Arcos de Valdevez confirma utente infetado

Covid-19

em

Foto: Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez

Há um caso positivo de covid-19 no Lar Vila Gerações, em Arcos de Valdevez, confirmou hoje a própria instituição à Altominho.tv.

Em causa está um utente na casa dos 90 anos que está internado no Hospital de Viana do Castelo.

Em declarações à Altominho.tv, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez, Francisco Araújo, adiantou que a instituição “irá proceder ao longo do dia de hoje à realização de testes a todos os utentes e funcionários” e estão a ser exercidos “todos os procedimentos exigidos nestas circunstâncias pela Direção Geral de Saúde”.

Arcos de Valdevez regista 21 casos de covid-19, segundo os dados divulgados hoje pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal, em estado de emergência até 17 de abril, regista ​​​​​​311 mortes, 11.730 infeções e 140 recuperados.

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Viana do Castelo

Lar em Darque, Viana do Castelo, com 30 idosos infetados

Covid-19

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Foto: RTP

A direção do centro social e paroquial de Darque, em Viana do Castelo, confirmou hoje à Lusa a infeção por covid-19 de 30 dos 41 utentes do lar da instituição e de três funcionários.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da direção, Xavier Moreira, adiantou que os resultados “começaram a chegar no final da semana passada e os últimos na tarde de domingo e vieram confirmar o pior dos receios”.

“Os 30 idosos, com idades entre os 70 e os 90 anos, estão todos estáveis. Estão todos no lar a ser acompanhados pelas autoridades de saúde, sendo que temos quatro utentes, cujos testes deram negativo e que estão isolados, num espaço da instituição”, explicou o padre Xavier Moreira.

O responsável acrescentou que “dos 40 funcionários já testados, apenas três estão infetados”.

O pároco criticou a “demora” na realização dos testes de despiste da doença, justificando “o número tão elevado de infetados por serem feitos a conta gotas”.

Além do lar, com 41 idosos, o Centro Paroquial de Promoção Social e Cultural de Darque, na margem esquerda do rio Lima, dispõe ainda de uma unidade de cuidados continuados de média e longa duração, com 32 utentes.

No total, trabalham naquela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) 90 funcionários.

“Amanhã [terça-feira] vamos testar os 32 utentes da unidade de cuidados de média e longa duração e, entre amanhã e quarta-feira serão testados mais 52 funcionários. O problema disto é não existirem testes para toda a gente”, referiu.

Questionado sobre a possibilidade de o edifício ser alvo de uma operação de desinfeção, Xavier Moreira disse ser um objetivo da instituição, mas disse desconhecer quando ocorrerá face à situação atual.

“Temos o lar transformado num hospital com os utentes a serem acompanhados pelos funcionários, sob supervisão das autoridades de saúde”, apontou.

Viana do Castelo tem 68 casos registados, segundo os dados divulgados hoje pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal, em estado de emergência até 17 de abril, regista ​​​​​​311 mortes, 11.730 infeções e 140 recuperados.

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