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Alto Minho

PS questiona Governo sobre falta de apoios à bienal de Cerveira

Exclusão pela DGArtes

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Foto: Facebook

Os deputados do PS eleitos por Viana do Castelo questionaram, na terça-feira, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, sobre a não atribuição de financiamento à candidatura da bienal internacional de arte de Vila Nova de Cerveira.

Na segunda-feira, a Direção-Geral das Artes (DGArtes) revelou as três entidades culturais, todas da Área Metropolitana de Lisboa, que vão receber um total de 550 mil euros de apoio sustentado à criação, na área das Artes Visuais, para 2020-2021.

Os resultados definitivos do Programa de Apoio Sustentado 2020-2021 começaram, na segunda-feira, a ser divulgados pela DGArtes e, na área das Artes Visuais, confirmaram os resultados provisórios anunciados em 11 de outubro.

A candidatura da bienal de Cerveira é uma das cinco que foram consideradas elegíveis para apoio pelo júri, mas para as quais não há financiamento disponível.

No requerimento enviado à ministra da Cultura, os deputados Marina Gonçalves, Anabela Rodrigues e José Manuel Carpinteira, perguntam “se existe margem para a reapreciação da continuidade do apoio da DGArtes aquele projeto cultural de excelência para a vila das artes, para o distrito, mas também para a promoção cultural do nosso país”.

“A Bienal Internacional de Cerveira, que conta com mais de 40 anos de história e com 20 edições já realizadas, é indiscutivelmente um dos grandes acontecimentos do nosso país e uma referência para a cultura artística nacional”, argumentam os três deputados socialistas eleitos pelo Alto Minho.

Os parlamentares referem ainda que “artistas de renome expuseram a sua arte em Vila Nova Cerveira, ao mesmo tempo que esta deu oportunidade a novos artistas para promoverem as suas criações”.

Os deputados socialistas dizem ter recebido com “preocupação” a decisão da DGArtes de não atribuir financiamento ao projeto, “ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos três anos”.

“Tendo a fundação Bienal Arte de Cerveira ficado entre as candidaturas elegíveis para apoio, mas para as quais não há financiamento disponível, é importante conhecer os motivos pelos quais se priorizou o financiamento de outros projetos, em detrimento de um projeto que valoriza o Alto Minho, dignifica o setor e permite dar continuidade a um trabalho de excelência reconhecido nacional e internacionalmente”, reforçam os três deputados do PS no requerimento ontem enviado à tutela.

Na segunda-feira, o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho disse ter recebido com “estupefação” a decisão “incompreensível” da Direção-Geral das Artes (DGArtes) de não financiar a bienal de arte de Vila Nova de Cerveira.

Alto Minho “estupefacto” com DGArtes: “Decisões destas aprofundam as fraturas culturais”

“Esta decisão prejudica a programação da mais antiga bienal da Península Ibérica e de Portugal, mas lesa também uma afirmação cultural descentralizada e fora da capital do país”, afirmou José Maria Costa.

Para o socialista José Maria Costa, que também preside à Câmara Municipal de Viana do Castelo, são “decisões destas que prejudicam a coesão territorial e aprofundam as fraturas culturais” no país.

Também contactado, na segunda-feira, pela Lusa, o presidente da Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC), Fernando Nogueira, disse estar “completamente desiludido” com a decisão por considerar que “prejudica a cultura e arte no norte”.

“Estou completamente desiludido com esta decisão. O que devo dizer é que quem manda pode. Não sei se é uma decisão técnica ou política. Parece-me ser mais uma decisão política do que técnica, porque a candidatura da fundação estava bem sustentada. É uma decisão que prejudica os interesses da cultura e das artes no norte. Isso é uma constatação mais do que evidente”, afirmou Fernando Nogueira.

O responsável pela fundação reafirmou ser “estranho que os apoios fiquem circunscritos à região de Lisboa”.

“Este concurso foi a prova provada de que Lisboa continua a ter muito força e a sobrepor-se ao resto do país em todas as áreas e então nas artes é mais do que evidente. O Governo tomou esta posição ou quem decidiu, mas em última instância, como é óbvio, é o Governo que tem responsabilidade pelo que aconteceu”, frisou.

Fernando Nogueira, que é também presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, no distrito de Viana do Castelo, garantiu que a bienal irá realizar-se em 2020.

“Haverá, com toda a certeza, bienal de artes no próximo ano. Certamente num modelo mais mitigado, mas tudo faremos para manter a qualidade a que a bienal nos habituou nos últimos anos. Terá de ser a câmara municipal a fazer um esforço suplementar. Vamos ter de reduzir na dimensão do evento”, especificou.

A Bienal Internacional de Arte de Cerveira, a mais antiga da Península Ibérica, realiza-se desde 1978.

Em 2018, decorreu entre 15 de julho e 16 de setembro, e recebeu cem mil visitantes. A 20.ª edição apresentou mais de 600 obras, de 500 artistas de 35 países em 8.300 metros quadrados, num total de 14 espaços expositivos.

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