Pedro Filipe Soares afasta candidatura à liderança do Bloco de Esquerda

Líder parlamentar disse que o partido tem maturidade para definir a escolha

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, considerou hoje que o partido tem “uma maturidade inequívoca” e por isso “não ficará órfão de qualquer liderança”, afastando a possibilidade de se apresentar como candidato a sucessor de Catarina Martins.

Em declarações à agência Lusa depois de Catarina Martins ter anunciado que vai deixar a liderança do BE na convenção nacional de maio, Pedro Filipe Soares deixou um agradecimento à ainda líder “por todo o período em que esteve na coordenação e pelas capacidades que demonstrou ao longo desse período, quer internas quer externas, e pelas mudanças que ajudou a construir no país”.

“O Bloco de Esquerda tem neste momento uma maturidade que é inequívoca e por isso não ficará neste momento órfão de qualquer liderança, tem uma linha política que está em discussão para a próxima convenção, tem a capacidade de garantir que ao longo dos próximos tempos fará a diferença na esquerda portuguesa, na vida das pessoas e isso é uma certeza absoluta”, assegurou.

Questionado sobre a possibilidade de se apresentar como candidato à liderança do partido – em 2014 disputou uma convenção muito dividida -, Pedro Filipe Soares garantiu que não e que essa hipótese está completamente afastada.

“O Bloco de Esquerda é um partido plural. Tem nessa pluralidade uma riqueza que se fortalece no debate e depois também se mostra na sua força da expressão pública com uma política que tem respondido a muitas das dificuldades da vida das pessoas”, defendeu.

Mariana Mortágua é o nome mais forte para ser a líder do Bloco de Esquerda

Depois de confrontadas “as diversas opiniões”, para o líder parlamentar do BE, o partido tem a possibilidade de sair desta reunião magna “como uma síntese política capaz de fazer a diferença”.

“E eu creio que essa é a certeza maior que o partido dará ao país, sendo certo que nós não temos medo nem da democracia fora do partido nem dentro do partido. Nós somos democratas, acreditamos que a democracia leva sempre às melhores decisões”, enfatizou.

Questionado sobre quem poderá então suceder a Catarina Martins na sucessão, numa altura em que vários órgãos de comunicação apontam Mariana Mortágua como a hipótese mais válida, Pedro Filipe Soares referiu que estão a ser ultimadas as moções de orientação do partido.

“Elas serão entregues até ao final do mês. É esse o calendário que usaremos também para exprimir essa vertente da informação”, disse.

Catarina Martins anunciou hoje que vai deixar a liderança do BE na Convenção Nacional de maio, escusando-se a apontar nomes para a sua sucessão, mas deixado claro que tomou esta decisão tranquila por saber que há pessoas no partido preparadas para o fazer.

Na conferência de imprensa desta manhã, Catarina Martins afirmou que a década durante a qual esteve à frente dos destinos do BE foi de “vitórias e derrotas”, explicando que “o que mudou agora” foi “a instabilidade da maioria absoluta”, afirmando que a crise “multiplicada dentro do Governo e em choque com a luta popular é o sinal do fim de um ciclo político”.

“No Bloco não há períodos muito longos de funções como a coordenação. O que me fez decidir neste momento foi pensar que é agora que o Bloco deve começar a preparação da mudança política que já aí está”, afirmou.

Catarina Martins está à frente dos destinos do partido desde novembro de 2012, na altura em parceria com João Semedo, quando foram eleitos coordenadores do Bloco de Esquerda, então numa inédita liderança “bicéfala”, modelo abandonado dois anos depois, na Convenção Nacional seguinte, em 2014.

Nesse ano, o partido passou a ser dirigido por seis coordenadores: Pedro Soares, Pedro Filipe Soares, Joana Mortágua, Adelino Fortunato, Nuno Moniz e Catarina Martins, que então era porta-voz do BE.

Na reunião magna do partido em 2016 deixou de existir o cargo de porta-voz e retomou-se a figura de coordenador/a nacional, lugar ocupado por Catarina Martins.

Já na XI Convenção Nacional, em novembro de 2018, a lista de continuidade e sem grandes alterações de Catarina Martins, Pedro Filipe Soares e Marisa Matias foi eleita confortavelmente e conseguiu 70 dos 80 lugares na Mesa Nacional.

Na última reunião magna do partido, em maio de 2021, a lista da atual direção conseguiu 54 dos 80 lugares da Mesa Nacional do BE, que ficou mais dividida, uma perda de 16 mandatos em relação a 2018.

 
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