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Pandemia “não é razão para perdoar penas e soltar delinquentes”

Covid-19

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Foto: Arquivo

O presidente do PSD defendeu hoje que a pandemia de covid-19 “não é razão para perdoar penas e soltar delinquentes”, admitindo apenas que os mais velhos e com doenças possam beneficiar de prisão domiciliária durante a crise sanitária.


A posição de Rui Rio foi expressa numa publicação na sua conta oficial da rede social Twitter na véspera de ser votada na Assembleia da República a proposta de lei do Governo que prevê medidas excecionais para os presos.

“O Covid-19 não é razão para perdoar penas e soltar delinquentes. Ele justifica que vão para prisão domiciliária os que têm mais de 60 anos e os que têm patologias de risco. Ultrapassado o risco, devem regressar aonde estavam para cumprir o tempo que faltar. É isto que eu defendo”, escreve o líder social-democrata.

Em declarações à Lusa, o vice-presidente do PSD André Coelho Lima já tinha afirmado que o partido recusa o perdão de penas, admitindo a passagem a prisão domiciliária de reclusos que estejam particularmente vulneráveis à covid-19, medidas que os sociais-democratas apresentarão como alterações à proposta de lei do Governo.

O dirigente social-democrata argumenta que “não deve a dimensão legislativa imiscuir-se na dimensão judicial”: “No estado de direito, para funcionar bem, há penas determinadas pelos tribunais que devem ser cumpridas, só excecionamos aquilo que se justifica em termos de saúde pública e de preocupação humanista”.

A proposta de lei do Governo, que é discutida na quarta-feira na Assembleia da República, estabelece um perdão parcial de penas de prisão para crimes menos graves, um regime especial de indulto das penas, um regime extraordinário de licença de saída administrativa de reclusos e a antecipação extraordinária da colocação em liberdade condicional.

O Governo apresentou esta proposta de lei que “estabelece um regime excecional de flexibilização da execução das penas e das medidas de graça, no âmbito da pandemia covid-19” ao abrigo do decreto do Presidente da República que renovou o estado de emergência em Portugal, que inclui uma norma específica sobre esta matéria, admitindo que sejam tomadas medidas excecionais e urgentes de proteção dos reclusos e de quem exerce funções nas prisões.

“Aquilo que o PSD aceita absolutamente é tudo o que excecione as pessoas que estão dentro do grupo de risco relativamente à covid-19, cuja permanência nas prisões portuguesas os coloca a si próprios em risco como a restante população prisional em risco”, defendeu André Coelho Lima.

O PSD concentra assim, o “edifício central” de uma resposta legislativa à situação das prisões perante a covid-10 à “retirada dos estabelecimentos prisionais dos prisioneiros que estejam nos grupos de risco, ou seja, com mais de 60 anos, pessoas com patologias que as tornam mais vulneráveis, e ainda grávidas e mães com filhos a seu cargo até três anos de idade, todos deverão sair dos estabelecimentos de imediato”, com uma “substituição de pena de prisão efetiva por prisão domiciliária”.

Coelho Lima sustenta ainda que a Assembleia da República não deve imiscuir-se nos critérios do indulto presidencial, sublinhando que é uma “competência própria do Presidente da República”, admitindo somente desbloquear as balizas temporais previstas no regime do indulto, segundo as quais deve ser concedido a 21 de dezembro.

Na semana passada, o primeiro-ministro defendeu que a proposta do Governo “visa proteger quem está privado de liberdade da pandemia de covid-19, mas também todos aqueles – técnicos de reinserção ou guardas prisionais ou outros funcionários – que trabalham em estabelecimentos prisionais”.

Segundo António Costa, o Governo prevê nesse diploma “um perdão parcial de penas de prisão até dois anos, ou dos últimos dois anos de penas de prisão, não se aplicando a medida a quem tenha cometido crimes particularmente hediondos, como homicídio, violações, crimes de violência doméstica ou abusos de menores”.

“Também não se aplica a crimes cometidos por titulares de cargos políticos, elementos de forças de segurança ou das Forças Armadas, por magistrados ou outras pessoas com especiais funções de responsabilidade”, adiantou na altura do chefe do executivo.

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Parlamento debate e vota provável prolongamento da emergência em 04 de dezembro

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

A Assembleia da República vai debater e votar o provável prolongamento do estado de emergência num plenário agendado para 04 de dezembro, à tarde, decidiu hoje a conferência de líderes parlamentares.

Na próxima semana, o parlamento realizará três sessões plenárias – um na quinta-feira, dia 03 de dezembro, e dois na sexta-feira, dia 04, um de manhã e outro à tarde – e na semana seguinte dois plenários, marcando para dia 11 um debate setorial com um membro do Governo ainda a definir.

De acordo com a porta-voz da conferência de líderes, a deputada do PS Maria da Luz Rosinha, não ficou definido um número fixo de plenários semanais durante o estado de emergência, que será decidido a cada momento em função das necessidades e da situação sanitária.

Nesta segunda vaga da pandemia de covid-19, o país está em estado de emergência desde 09 de novembro e pelo menos até 08 de dezembro, tendo vários responsáveis políticos já apontado como provável o prolongamento deste quadro legal.

Na próxima quinta-feira, dia 03 de dezembro, o plenário será dedicado a declarações políticas dos partidos e ao debate de duas petições, uma sobre a dignidade profissional dos professores (com iniciativas legislativas associadas de BE, PCP e PEV) e outra de repúdio à criação de um museu Salazar.

Para dia 04, no plenário da manhã, ficou marcado um debate de urgência pedido pelo PSD sobre as consequências da pandemia na política de habitação e uma proposta de lei do Governo para suspender a caducidade das convenções coletivas de trabalho.

À tarde, além do eventual debate de renovação do estado de emergência, será também apreciado o relatório relativo ao primeiro período deste quadro legal, que vigorou entre 09 e 23 de novembro.

Para dia 10 de dezembro, a conferência de líderes agendou um projeto-lei do PSD que quer prolongar o período de admissão de novas entidades à Zona Franca da Madeira até 31 de dezembro de 2023, uma iniciativa do BE sobre a idade da reforma de pessoas com deficiência e outros diplomas do PCP, CDS-PP, PAN e PEV.

No dia 11 de dezembro, realiza-se um debate setorial com o Governo (que alterna com o debate com o primeiro-ministro, que passou a bimensal), cabendo ao PS a escolha do tema.

Questionada se o Chega manifestou intenção de agendar uma iniciativa que apresentou esta semana com o objetivo anunciado de “tentar impedir o XXI Congresso Nacional do PCP”, que se realiza entre sexta-feira e domingo, em Loures, a porta-voz da conferência de líderes informou que o deputado único e líder do Chega, André Ventura, não esteve presente na reunião.

A próxima conferência de líderes ficou marcada para dia 09 de dezembro, às 10:30.

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INEM tem 18 profissionais infetados e 39 de quarentena

Covid-19

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Foto: O MINHO / Arquivo

O INEM tem 18 profissionais infetados com o novo coronavírus e 39 em isolamento profilático, o registo mais elevado desde o início da pandemia de covid-19, indicou hoje aquele instituto.

Num boletim hoje divulgado, o Instituto Nacional de Emergência Médica avança que, a 22 de novembro, estavam 18 trabalhadores infetados, 38 em isolamento profilático e 16 profissionais estavam sob vigilância da Comissão de Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos (CCIRA) do INEM, sendo o registo mais elevado desde o início da pandemia.

O INEM revela também que na última semana registou-se um “aumento do trabalho das equipas do Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) dedicadas ao acompanhamento dos profissionais do INEM”, que fizeram um total de 361 intervenções desde o início da pandemia, em março.

No mesmo boletim, o INEM refere também que desde 01 de março já foram efetuados 72.167 transportes de utentes com suspeita de infeção, ou seja, qualquer situação de falta de ar (dispneia) triada pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 4.209 mortes e 280.394 casos de infeção pelo novo coronavírus.

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Portugueses falharam quase 8.000 candidaturas à residência no Reino Unido

Brexit

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Quase oito mil candidaturas de cidadãos portugueses à residência no Reino Unido no âmbito do sistema de regularização de imigrantes europeus pós-Brexit fracassaram até agora, revela um relatório publicado hoje pelo Governo britânico.

Das 296.850 candidaturas de cidadãos portuguesas processadas até ao final de setembro, 7.780 foram consideradas inválidas (3.610 ), retiradas ou anuladas (3.370) ou recusadas (800), o que corresponde a 2,6%, acima da média geral.

Até ao final de setembro, o Governo britânico processou 3.880.380 candidaturas de cidadãos europeus e também da Islândia, Suíça, Noruega e Lichtenstein, que beneficiam da liberdade de circulação na União Europeia, mas 94.570 não passaram.

De acordo com o relatório trimestral publicado pelo Ministério do Interior britânico, 99% do total das candidaturas mal-sucedidas foram recusadas por falta de elegibilidade, como a falta de documentos de identificação ou de prova de residência, e 1% por falta de conformidade, por exemplo devido a cadastro criminal ou informações falsas.

Do total de 289.080 candidaturas portuguesas concluídas, 175.170 receberam o estatuto de residência permanente e 113.910 de residência provisória.

Este valor não corresponde diretamente ao número de pessoas candidatas, pois o sistema duplica casos de pessoas que receberam primeiro o estatuto provisório e depois pediram o estatuto permanente.

O título permanente (‘settled status’) é atribuído aos residentes há pelo menos cinco anos no Reino Unido e o título provisório (‘pre-settled status’) aos que estão no país há menos de cinco anos.

Os números do Ministério do Interior relativos ao final de outubro indicam que estão pendentes mais de 193 mil candidaturas, quando faltam sete meses para o fim do prazo.

O sistema de regularização migratória (‘settlement scheme’), aberto no âmbito da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), fecha a 30 de junho de 2021, mas os candidatos têm de fazer prova de que iniciaram residência no Reino Unido até 31 de dezembro, quando acaba a liberdade de circulação do movimento devido ao fim do período de transição pós-Brexit.

Nos primeiros seis meses de 2021 vigora um “período de graça” em que os cidadãos europeus elegíveis ainda poderão completar o registo para continuarem a ter acesso ao mercado de trabalho, a serviços de saúde e educação, bem como apoios sociais.

A partir de 01 de janeiro de 2021, europeus que queiram estabelecer-se no Reino Unido terão de cumprir requisitos previstos na nova lei para a imigração, como um contrato de trabalho, conhecimentos da língua inglesa e um salário mínimo.

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