Seguir o O MINHO

Futebol

O Galo está de volta: “O Porto que se ponha a pau”, diz sócio n.º 1 do Gil Vicente

Entusiasmo em Barcelos a dias do regresso à I Liga. Primeiro adversário: FC Porto

em

Manuel Augusto - Sócio n1 do Gil Vicente Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Por entre as ruas de Barcelos respira-se a alma gilista com o regresso à principal liga de futebol 13 anos depois daquilo que os adeptos classificam como uma das maiores injustiças do futebol português. Por entre esses adeptos, há um que se destaca. Manuel Augusto Martins Fernandes, de 79 anos, é o atual sócio n.º 1 do clube, e O MINHO entrevistou o histórico adepto, em sua casa, na freguesia de Arcozelo.

Sócio há 69 anos depois de um tio lhe ter pago as primeiras cotas [26 tostões por ano], confessa que chegou a pensar não voltar a ver o momento de regresso do Gil, depois de uma pancreatite o ter atirado para uma cama de hospital. Mas hoje, parcialmente recuperado, deixa um aviso ao próximo adversário: “O Porto que se ponha a pau, porque o Gil pode muito bem marcar um ou dois golos e depois defender o resultado”. Manuel é assim, um guerreiro que nunca desiste. E não vai faltar ao jogo do próximo sábado, frente ao FC Porto, que marca o regresso do “Galo” à I Liga.

Manuel Augusto recebeu a reportagem de O MINHO na sua habitação, em Arcozelo. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Durante a entrevista, foram várias as vezes que Manuel Augusto se emocionou, levando a que o jornalista parasse o gravador para conversar em ‘off’. Recorda a história de vida, sempre entrelaçada com o clube que lhe ocupa grande parte do coração. Começou por trabalhar, ainda na adolescência, numa fábrica de farinhas, abrindo depois o próprio negócio, junto ao largo da Estação de Comboios de Barcelos. “Vendia perto de um milhão de quilos de sal gema por mês para a indústria têxtil”, atira. E, por entre as vendas, Manuel Augusto caminhou sempre ao lado do Gil Vicente.

“Quando me fiz sócio, o Gil jogava nas regionais e ainda cheguei a conhecer o Adelino Novo”, diz, referindo-se ao homem que deu o nome ao antigo estádio do clube. No clube, percorreu “os cargos todos, menos presidente”. “Estive na direção do Trigueiros, Bartolomeu Paiva e do Joaquim Silva. Fui vice-presidente, secretário, tesoureiro e depois passei para a Assembleia Geral”, atira. Mais tarde, entrou para o conselho técnico da Associação de Futebol de Braga onde era o responsável por aprovar campos de futebol.

Manuel guarda uma fotografia de quando o Gil subiu pela primeira vez à II Liga, na década de 1970. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Desses tempos, guarda a memória de um grupo de associados que fazia de tudo para que o clube escalasse para momentos de glória. Recorda a subida à II Liga, nos anos 70, como um dos períodos mais festivos que viveu de galo ao peito. Como pior momento, Manuel Augusto não tem dúvidas. “Foi a descida na secretaria” em 2006, na sequência do ‘caso Matheus’.

Com as pupilas lacrimejantes e um embargo emocionado na voz, Manuel recorda que, no final do último jogo em casa da temporada 2005/2006, “festejou-se a permanência com o estádio cheio”. Mas, no final da época, “por linhas travessas”, o Belenenses “conseguiu o que queria” e o Gil Vicente desceu na secretaria. Voltou à principal liga em 2011, e no ano seguinte até disputou uma final da Taça da Liga, mas voltou a descer de divisão.

Manuel Augusto não esconde a emoção durante a entrevista. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Mas Manuel, à semelhança do antigo presidente do clube António Fiúza, de quem é amigo, nunca baixou os braços. “Continuei a apoiar o clube e a pensar que nos haviam de dar razão”, diz, deixando elogios ao antigo presidente.

“O Fiúza… Deveria haver mais dirigentes como ele. Foi persistente, dizendo que tinha razão e que o tempo lhe iria dar razão, e assim foi. É alguém que foi júnior do Gil, diretor das camadas jovens e resolveu ir para presidente porque amava o clube, e eu apoiava-o muito”, confessa.

Sobre uma festa organizada por Fiúza em julho deste ano para assinalar o regresso à I Liga, Manuel Augusto recorda que foi um momento inesquecível. “Parecia que o homenageado era eu. Tinha muita gente a ver, sabiam que eu era o sócio n.º 1, e pessoas que não via há mais de 30 anos vinham-me abraçar. Comovi-me muito”, refere.

“Ele [António Fiúza] fez questão que eu fosse à festa porque sabia que eu estive sempre do lado dele. Como tinha razão prometeu que quando houvesse o regresso ia matar porcos para dar de comer aos gilistas, e as pessoas passavam por ele e diziam: ‘então Fiúza, os porcos?'”. Resultado? “Matou 13 porcos, porque foi o número de anos que o Gil esteve à espera da decisão”, explica. “Só ele é que consegue fazer uma festa como aquela, até porque custou-lhe 20 mil euros”, acrescenta Manuel Augusto.

Pancreatite quase o afastou dos jogos. Mas resistiu, como um “bom gilista”

Manuel Augusto viveu, na passada década, um problema de saúde complicado. Sofreu uma pancreatite severa que quase o “levou para o outro lado”. “Quando fui internado tinha o coração a bater a 180. O médico chamou o meu filho e disse que eu não ia sobreviver. Chegou a ir lá o capelão do Hospital para me benzer. Mas eu resisti, a sofrer, mas resisti”. (emociona-se). “Também foi a alma gilista que me ajudou a ficar neste mundo, porque sabemos resistir”, diz, novamente emocionado.

Cartão de sócio de Manuel Augusto. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Durante os anos em que o Gil esteve afastado dos principais palcos, não deixou de colaborar: “Fiz parte de uma comissão com outros históricos para auxiliar na logística de eventos à direção do Gil, e procurei sempre ajudar. Tinha um lugar mesmo em frente no meio campo, e quando o árbitro roubava eu descia e fazia pressão. Também era uma ajuda (risos)”.

Atualmente, fruto do problema de saúde já mencionado, que lhe tolhe bastante os movimentos dos membros inferiores, Manuel Augusto move-se com dificuldade, mas, questionado sobre se irá ou não aos jogos, é peremptório. “Claro que vou. Paguei o ano todo e tenho a cadeira para mim e as cotas todas pagas. Ver o Porto no sábado? Mas é óbvio que sim. Eu e os netos. Tenho seis netos e são todos sócios. Um deles até é treinador adjunto nos juvenis do Gil”, conta um orgulhoso sócio n.º 1.

Manuel Augusto já foi destaque em jornais nacionais. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Antes de nos mostrar a habitação, onde guarda várias recordações, não só do Gil Vicente mas também do Benfica, outro clube pelo qual tem “muito amor”, Manuel Augusto emociona-se novamente, deixando um ‘recado’ ao povo de Barcelos.

“Eu queria que os barcelenses e os simpatizantes do Gil continuassem a apoiar o clube, que aparecessem no futebol, até porque os preços estão acessíveis para que todos possam ir”, apela. Sobre a equipa, diz estar “a ser formado com muitos atletas brasileiros que são mais lentos”, antecipando “dificuldades”.

Todavia, e seguindo a resistência e positivismo que lhe deu alegrias na vida, deixa o ‘recado’ final: “No jogo na Vilas das Aves ganhámos 3-2, portanto o Porto que se ponha a pau porque o Gil pode muito bem marcar um ou dois e defender o resultado. E dar-me uma grande alegria”.

Anúncio

Futebol

Conheça o novo ‘braço-direito’ de Mourinho no Tottenham. Tem 30 anos e é de Barcelos

João Pedro Sacramento

em

Foto: Twitter

O novo adjunto de José Mourinho é João Pedro Machado Sacramento, natural de Barcelos, que passa a ser o novo braço direito do special one nos ingleses do Tottenham, com quem assinou contrato esta quarta-feira.

Adjunto de Marcelo Bielsa no Lille, JP (como é conhecido entre os amigos), de 30 anos, nunca treinou em Portugal, tendo feito a sua carreira no País de Gales e em França, onde foi também observador no Mónaco de Claudio Rainieri e Leonardo Jardim.

Depois de ter tirado o curso de treinador no Reino Unido, com apenas 20 anos, realizou várias teses e acabou por ser convidado para treinar os sub-15 do Cardiff, seguindo-se o Trefonen FC, onde exerceu funções como adjunto.

Aos 23 anos, e já depois de ter sido palestrante em várias conferências mundiais sobre futebol, foi convidado por Luís Campos, diretor desportivo do Mónaco em 2013, para assumir as funções de olheiro daquele clube, onde esteve três épocas.

Desempenhava, desde 2017, as funções de treinador adjunto do Lille, na Liga francesa de futebol, tendo orientado a equipa em seis jogos, quando Marcelo Bielsa esteve suspenso por uma viagem não autorizada.

É filho de Ernestino Sacramento, natural de Fão, Esposende, e conhecido membro de bandas de blues, cordas e percussão de Barcelos, entre as quais o grupo Cellos.

Substitui Rui Faria, outro barcelense

JP Sacramento ocupa o lugar, na equipa de Mourinho, deixado por outro barcelense, Rui Faria, eterno adjunto de Mou, que treina agora uma equipa do Qatar.

Mourinho recrutou ainda, no Lille, um novo treinador de guarda-redes (Nuno Santos), para substituir Silvino Louro que, avança a imprensa inglesa, não continuará na equipa do treinador.

Mantém-se na equipa técnica o observador português Ricardo Formosinho, o analista italiano Giovanni Cerra e o preparador físico colombiano Carlos Lalin Novoa, que trabalharam com o treinador no Manchester United.

José Mourinho assinou contrato com os ingleses até 2021, auferindo por época cerca de 17.5 milhões de euros. Embora o clube de Londres tenha sido finalista da Liga dos Campeões da época passada, este ano ocupa um alarmante 14.º lugar da geral na Premiere League.

Continuar a ler

Futebol

Já não há bilhetes para o Vizela-Benfica da Taça de Portugal

Festa da Taça

em

Foto: Divulgação

Os cerca de 6.000 bilhetes disponíveis para o jogo de sábado entre Vizela e Benfica, relativo à quarta eliminatória da Taça de Portugal de futebol, esgotaram esta quinta-feira, informou o emblema vizelense, anfitrião do encontro.

“Já não existem ingressos para o jogo com o Benfica, referente à quarta eliminatória da Taça de Portugal. O Estádio do FC Vizela irá, assim, registar casa repleta para o grande desafio da prova ‘rainha'”, lê-se numa nota publicada hoje à tarde na página oficial do clube minhoto na rede social Facebook.

O recinto onde joga o Vizela, equipa que comanda a Série A do Campeonato de Portugal, tem capacidade para 6.500 espetadores, mas os bilhetes disponibilizados para o embate com o líder da I Liga foram apenas 6.000, por “razões de segurança”, explicou à Lusa fonte oficial dos vizelenses.

O Vizela, que na atual edição da Taça já ultrapassou Pedras Rubras, Fontinhas e Casa Pia, recebe o Benfica, equipa que bateu o Cova da Piedade na ronda anterior, às 20:45 de sábado.

Continuar a ler

Futebol

Jorge Jesus, ex-SC Braga, pode ser o primeiro português a conquistar a Taça Libertadores

Taça Libertadores da América

em

Jorge Jesus, treinador do Flamengo. Foto: CBF / Divulgação

Jorge Jesus, o mestre da tática, pode conquistar no sábado, aos 65 anos, pelo Flamengo, o mais importante troféu da carreira, uma Taça Libertadores que não consta do palmarés de qualquer treinador português de futebol.

A cumprir a 31.ª época da sua carreira de técnico, iniciada há 30 anos, na temporada 1989/90, ao serviço do Amora, Jesus precisa de bater os argentinos do River Plate, os detentores do título, para fazer história no ‘gigante’ brasileiro.

Em pouco mais de quatro meses, Jesus já conquistou o ‘coração’ dos adeptos do Fla, mais do que pelos triunfos, pela forma como a equipa os consegue, pelo atraente futebol que pratica e tem sido traduzido em resultados, com dois troféus à mão de semear.

O treinador português pode dar ao Flamengo a Champions da América do Sul, que seria apenas a segunda do clube, depois do sucesso de 1981, num conjunto comandado em campo pela categoria de Zico e que tinha o ex-benfiquista Mozer como central.

O fim de semana pode, aliás, trazer dois títulos para o palmarés do Fla, que se sagrará campeão brasileiro pela sexta vez, e primeira desde 2009, caso o Palmeiras não vença no domingo na receção ao Grêmio. Sê-lo ia com quatro jornadas por disputar.

O Brasileirão é, porém, um dado adquirido, uma questão de tempo, enquanto a Libertadores decide-se no sábado, num só jogo, em Lima, e será o grande título de Jesus, que, na Europa, esteve em duas finais, mas não conseguir ganhar nenhuma.

O técnico luso conduziu os encarnados a duas finais consecutivas da Liga Europa, mas perdeu a primeira (2012/13) para o Chelsea (2-1), culpa de um golo nos descontos, e a segunda para o Sevilha (2013/14), no desempate por penáltis (4-2).

No seu currículo internacional, consta apenas uma Taça Intertoto, que arrebatou pelo Sporting de Braga porque os minhotos foram a equipa das 11 vencedoras da terceira ronda da prova que chegou mais longe (oitavos de final) na Taça UEFA.

Em relação ao panorama nacional, Jorge Jesus, que cumpriu em solo luso as primeiras 29 temporadas da carreira, encheu o saco de troféus com a sua passagem pelo Benfica, que representou de 2009/10 a 2014/15, arrebatado 10 títulos, mais do que qualquer outro técnico na história do clube da Luz.

Depois de passagens pelo Amora, que subiu à Liga de Honra (atual II Liga) em 1991/92, Felgueiras, com promoção ao primeiro escalão em 1994/95, União da Madeira, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Vitória SC, Moreirense, União de Leiria, Belenenses e SC Braga, Jesus aterrou na Luz com 55 anos e prometeu de imediato colocar a equipa jogar o dobro.

O Benfica foi logo campeão em 2009/10 e, após seis anos, o saldo foi de 10 títulos: três campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e cinco edições da Taça da Liga, faltando-lhe a consagração europeia, que esteve muito perto de conseguir.

Com enorme polémica, mudou-se então para o outro lado da Segunda Circular, para o Sporting, que esteve muito perto de levar ao título em 2015/16, ao somar 86 pontos, insuficientes, porém, face aos 88 do Benfica, do seu sucessor Rui Vitória.

Jorge Jesus falhou nessa época e, nas duas seguintes, não esteve sequer perto de repetir a façanha, mas, nos três anos, recheou o palmarés com dois títulos, a Supertaça (2016), logo na estreia, face ao Benfica, e mais uma Taça da Liga (2017/18).

Depois do ciclone que significou a invasão da Academia do Sporting, partiu, contrariado, mesmo com muitos euros envolvidos, para o estrangeiro e só não terá conquistado, pelo Al-Hilal, o título de campeão da Arábia Saudita porque saiu antes do final da época. Acabou por ganhar o Al-Nassr, de Rui Vitória.

A experiência foi curta e a pausa na carreira também, porque rapidamente apareceu o Flamengo, ao serviço do qual está muito perto de conquistar dois títulos, depois de 23 vitórias, oito empates e apenas duas derrotas, em 33 jogos (71-27 em golos).

Continuar a ler

Populares