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Braga

O dia de São João em que o povo não saiu à rua em Braga

Reportagem de Vítor Costa Pereira, da agência Lusa

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Fotos: Comissão de Festas de Sao Joao de Braga

O fervilhar de gente que em anos normais deixava Braga a rebentar pelas costuras por alturas do S. João deu hoje lugar a uma cidade quase deserta, por culpa da pandemia, que transferiu os festejos da rua para casa.


“Por esta altura [21:00], já não se podia andar aqui. Hoje é esta tristeza, que até faz doer a alma”, refere à Lusa o zelador da capela de S. João da Ponte.

Júlio Pereira, de 68 anos, garante que nunca viu “nada assim”.

À porta da capela, de máscara na cara e com um frasco de desinfetante para lavar as mãos dos devotos, Júlio Pereira ia vendo as pessoas a entrar “a conta-gotas”, para venerar o santo padroeiro.

Capela S. João da Ponte. Foto: Comissão de Festas de São João

“Em anos normais, isto era aqui uma enchente que até metia gosto. O maldito vírus veio virar tudo de pernas para o ar”, atira.

Na cidade, são muito poucos os sinais de S. João: a Arcada e a Capela iluminadas, três ou quatro barracas de venda de farturas, algodão e pipocas, uma outra de pão com chouriço e bifanas, um ou dois vendedores de martelos.

Pela avenida, cumpre-se perfeitamente o distanciamento social, tão poucas são as pessoas que a percorrem.

“Não há música, não há marteladas, não há nada. Em anos normais, já anda aqui tudo às cotoveladas. Que tristeza que isto é este ano”, diz Maria Isabel Fernandes, de 72 anos, moradora no centro da cidade, enquanto passeia tranquilamente o cão.

No entanto, Maria Isabel fez questão de levar o “cheirinho e o sabor” do S. João até sua casa: ao almoço comeu sardinhas, comprou uns manjericos que “estão muito bonitos” à janela de casa e não vai recolher ao lar sem antes comer uns churros.

Avenida da Liberdade: Comissão de Festas de São João

Em sentido oposto, Manuel Miranda, de 65 anos, mostra-se bem agradado com a pacatez da cidade.

“Em anos normais, não punha aqui os pés, que é uma confusão que não se aguenta. Hoje, respira-se bem na cidade e foi por isso que cá vim, comer uma fartura, mas já vou embora”, confessa.

Por toda a avenida da Liberdade, a principal artéria da cidade de Braga, cartazes tentavam animar os transeuntes com a mensagem: “Em 2021, voltamos a festejar juntos”.

Para hoje, o convite é mesmo para festejar em casa, mas mesmo assim vê-se, aqui e ali, um assador de sardinhas na rua.

Como se a pandemia de covid-19 não bastasse, este ano também as previsões meteorológicas, que apontam para uma noite tropical, “ajudam à festa”, desaconselhando o lançamento dos tradicionais balões de S. João.

“Arre, que este ano é mesmo tudo mau”, desabafa Maria Isabel.

Portugal contabiliza pelo menos 1.540 mortos associados à covid-19 em 39.737 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde.

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Braga

No meio do inferno da Póvoa de Lanhoso, ainda houve tempo para salvar um cão

Póvoa de Lanhoso

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Foto: Ivo Borges / O MINHO

Ricardo Martins e Ana Catarina Silva, bombeiros da corporação da Póvoa de Lanhoso, ainda tiveram forças para tratar de um cão, durante o grande incêndio que deflagrou esta tarde numa indústria de calçado naquele concelho.

Depois de dominado o incêndio, os dois bombeiros acudiram ao apelo dos proprietários da empresa ardida, que buscavam por um cão que julgavam dentro do edifício que tinha sido tomado pelas chamas.

Mas o cão sobreviveu quase incólume e apareceu junto dos bombeiros que não lhe negaram tratamento. Segundo conta Ricardo Martins a O MINHO, o cão acabou por aparecer no final do incêndio, quando já se julgava que o mesmo tinha perecido perante a inalação de fumo ou mesmo com as chamas.

Foto: Ivo Borges / O MINHO

Visivelmente exaustos depois do combate a um dos maiores incêndios industriais da Póvoa de Lanhoso nos últimos anos, os dois bombeiros ainda conseguiram ter força para tratar do ‘patudo’.

“Nós tratamos dos animais como tratamos de um ser humano, vamos arranjar forças mesmo quando elas falham”, disse Ricardo. Conta que o cão se aproximou dele e da colega com várias queimaduras no pêlo e bastante desidratado.

Foto: Ivo Borges / O MINHO

“Tinha algumas queimaduras no pêlo mas não chegaram a atingir a pele. Tratámos dele mas era pouca coisa, nem houve necessidade de alertar um veterinário”, assegura.

Para além do tratamento do pêlo, tiveram ainda de hidratar o animal que esteve algumas horas desaparecido por entre as chamas e o fumo da fábrica de calçado que ardeu em 50%, na zona industrial de Vilela.

Incêndio em indústria de calçado foi “dos piores de sempre” em Póvoa de Lanhoso

No local estiveram 30 bombeiros da Póvoa de Lanhoso apoiados por outros 33 de várias corporações do distrito de Braga.

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Braga

Mulher de Lisboa ferida em cascata no Gerês. A segunda no mesmo dia

Mata da Albergaria

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Foto: DR / Arquivo

Uma mulher de 41 anos sofreu ferimentos na sequência de uma queda numa cascata no Gerês, ao final da tarde desta sexta-feira, disse a O MINHO fonte da Cruz Vermelha.

A vítima, natural de Lisboa, caiu de uma altura de dois metros na cascata da Mata da Albergaria, situada entre o Gerês e a Portela do Homem.

Segundo explicou Jacob Alves, coordenador da Cruz Vermelha de Rio Caldo, a mulher terá sofrido fatura a nível de um membro superior e várias escoriações, resultantes da queda na cascata.

Para o local foi mobilizada a Cruz Vermelha de Rio Caldo que efetuou o transporte da vítima para o Hospital de Braga.

Para ajudar na estabilização e transporte da vítima da cascata até à ambulância foram mobilizadas duas equipas da UEPS da GNR e elementos do ICNF, para além de uma patrulha da GNR para registar a ocorrência.

Também a VMER de Braga esteve no local por se suspeitar de ferimentos graves, algo que acabou por não se confirmar, sendo considerado “ferido ligeiro”.

Esta foi a segunda queda com ferimentos no mesmo dia. Por volta das 15:00 horas desta sexta-feira, uma mulher de 43 anos sofreu ferimentos graves, partindo anca e pernas, depois de uma queda de vários metros na cascata da Portela do Homem.

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Braga

Incêndio em indústria de calçado foi “dos piores de sempre” em Póvoa de Lanhoso

Incêndio industrial

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O incêndio industrial que lavrou na zona industrial de Vilela, na Póvoa de Lanhoso, ficou dominado ao final da tarde desta sexta-feira, depois de um intenso combate por parte dos bombeiros.

Solas e cola industrial funcionaram como combustível que acelerou a propagação das chamas na fábrica de calçado que ficou em 50% reduzida a cinzas. A intervenção dos bombeiros acabou por impedir que o incêndio alastrasse aos escritórios, resguardando assim os outros 50% da empresa.

António Veloso, comandante dos Bombeiros da Póvoa de Lanhoso, descreveu a O MINHO o cenário de terror como “um dos piores incêndios industriais” nos últimos anos naquele concelho.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Deslocamos onze viaturas e 30 elementos da Póvoa e tivemos apoio de doze veículos e 33 elementos de outros corpos de bombeiros do distrito”, explicou, revelando que, à chegada da corporação, parte do pavilhão estava já tomado pelas chamas.

“O combate foi complicado porque se tratava de muita borracha, solas e alguma tinta, mas principalmente borracha e solas de sapatos, que criaram um fumo denso”, disse o responsável no teatro de operações.

“No exterior da empresa também havia muita matéria a arder, não percebemos muito bem se o incêndio foi de fora para dentro ou de dentro para fora, mas tinha muito combustível em ambos os lados”, assegurou.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O combate foi tão intenso que o próprio comandante necessitou de receber assistência hospitalar após uma breve indisposição durante o combate ao incêndio.

Foto: Ivo Borges / O MINHO

Foto: Ivo Borges / O MINHO

Foto: Ivo Borges / O MINHO

Foto: Ivo Borges / O MINHO

Foto: Ivo Borges / O MINHO

Foto: Ivo Borges / O MINHO

Foto: Ivo Borges / O MINHO

A Polícia Judiciária foi ao local para investigar a origem do incêndio que permanece desconhecida.

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