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Igreja quer que partidos “escutem” o Papa nas legislativas

Braga

Igreja quer que partidos “escutem” o Papa nas legislativas

O arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, desafiou hoje os partidos políticos a “beberem inspiração” na nova encíclica papal para a elaboração dos seus programas eleitorais, sobretudo no que diz respeito a matérias ambientais, mas também sociais e económicas.

“Os decisores políticos não podem, nem devem, ignorar esta encíclica”, referiu Jorge Ortiga, em conferência de imprensa.

Lembrando que os partidos em Portugal estão atualmente em “fase de preparação” dos seus programas eleitorais para as legislativas, Jorge Ortiga defendeu que a encíclica papal “Laudato si” (“Louvado sejas”), publicada na quinta-feira, poderá ser uma boa fonte de inspiração.

Laudato si, Papa Francisco

Na encíclica em que propõe uma revolução social, ambiental e económica, o papa Francisco defende que os países ricos devem sacrificar algum do seu crescimento e, assim, libertar recursos necessários para os países mais pobres.

“Chegou a hora de aceitar crescer menos em algumas partes do mundo, disponibilizando recursos para outras partes poderem crescer de forma saudável”, escreveu.

Cobrindo temas que vão do ambiente ao desemprego, Francisco apela às potências mundiais para salvarem o planeta, considerando que o consumismo ameaça destruir a Terra – transformada em “depósito de porcaria” – e apontando o egoísmo económico e social das nações mais ricas.

Hoje, em conferência de imprensa, o arcebispo de Braga manifestou “grande alegria” com a nova encíclica, sublinhando que “é de uma atualidade invulgar” e defendendo que “é urgente criar uma nova mentalidade” para salvar o planeta Terra.

“O cuidar desta nossa casa comum tem de começar hoje, para que amanhã não seja já demasiado tarde”, alertou Jorge Ortiga.

Por isso, o prelado defendeu que a encíclica deve ser lida “por todos” e os seus “ensinamentos” postos em prática pelos diversos atores da sociedade, desde as famílias às escolas, passando pelas autarquias e pelos governos.

Para Isabel Varanda, docente da Faculdade de Teologia de Braga, a nova encíclica “converge com a agenda do planeta” e assume-se como “um estupendo presente que o papa acaba de oferecer ao mundo”.

“A natureza agradece”, referiu, adiantando ainda tratar-se de “uma encíclica inconveniente para muitos aprendizes de feiticeiros”.

Aludindo a uma “lição de sapiência ecológica”, com “ensinamentos dirigidos as todas as criaturas do planeta”, Isabel Varanda classificou ainda a encíclica como “uma convocação mundial a um sobressalto”.

“E este sobressalto tem de acontecer, já”, rematou.

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