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Guimarães

Guimarães. Nicolinas arrancaram com milhares de “bombistas” na rua

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Foto: Divulgação

Uma noite singular. Milhares de pessoas, com os jovens em maioria, inundaram o centro da cidade-berço, tocando bombos, noite dentro, até os braços doerem. Esta madrugada, Guimarães voltou a sentir a vibração de milhares de bombos, tocados a uma ou duas mãos, na noite do Pinheiro, que abre as Festas Nicolinas. Algo que apenas acontece ali, e que, de facto, abarca todos os estudantes da cidade. 

E não tem paralelo em nenhuma outra urbe portuguesa. Em Braga, as festas académicas do Enterro da Gata, também, envolviam bombos, mas essa tradição esfumou-se ou quase. Ao contrário de Guimarães onde, tocar o dito, é uma espécie de dever sagrado para atuais e antigos estudantes.

Apesar do frio, quatro graus centígrados, o desfile pelo centro urbano – património da humanidade – arrastou um rumor musical que fazia dançar gente de todas as idades. Até ao nascer do dia. Com ou sem traje académico mas com um gorro, de cores nacionais, na cabeça.

O Pinheiro tem mesmo um negócio associado, – para além dos comes e bebes que a noite é longa: o da venda das moinas, o nome dado aos bombos de média dimensão. Alguns personalizados ou com a figura do pai da pátria, D. Afonso Henriques.

O longo cortejo, que parecia não mais acabar, foi devidamente protegido pela PSP, que vedou o acesso ao centro e garantiu a segurança, e também apoiado pela Câmara Municipal. A organização é da Associação de Nicolinos. Pena foi que a Polícia tivesse cercado a cidade com operações stop, numa evidente vontade de caça à multa!

EM HONRA DE SÃO NICOLAU

As Festas Nicolinas – diz a Câmara Municipal – têm a sua origem na devoção religiosa dedicada a São Nicolau que era oriundo da Ásia Menor e terá vivido nos séc. III e IV. Julga-se que terá sido Bispo em Mira, Turquia.

Este culto terá chegado até Guimarães através dos peregrinos de vários pontos do país e do estrangeiro que aqui se deslocavam para venerarem Nossa Senhora de Guimarães (Padroeira de Portugal até ao séc. XVII), e também através da passagem de romeiros de/e para Santiago de Compostela que terão deixado como marca a sua devoção a S. Nicolau.

São Nicolau está ligado à devoção popular como protector das raparigas pobres, dos perseguidos, dos comerciantes, das crianças, dos presos, dos infelizes, dos abandonados pela sorte; também, como sendo contra as heresias, e está indicado para a cura de determinado tipo de doenças.

Paralelamente a estas devoções, São Nicolau é também Patrono dos estudantes. Reza a lenda que três crianças em idade escolar foram esquartejadas por um estalajadeiro e quando São Nicolau se aproximou delas devolveu-lhes a vida. Talvez, por isso, São Nicolau seja muitas vezes representado com três crianças aos pés.

As celebrações em honra de São Nicolau, em Guimarães, inicialmente eram de cariz exclusivamente religioso. No entanto, com o passar do tempo vão sendo incluídas nessas celebrações manifestações de caracter profano, tais como cantares, danças, etc., pois representavam uma forma de quebrar com a dureza do dia-à-dia.
Este culto, desenvolvido entre o povo, foi mais tarde apropriado pelos estudantes que constituíram uma capela em honra de São Nicolau (entre 1661 e 1663) na Igreja Nossa Senhora da Oliveira, e aí sediaram a sua irmandade.

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