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Cávado

Esposende utiliza dinheiro que era para festas para comprar equipamento para os lares

Cerca de 40 mil euros

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Foto: O MINHO (Arquivo)

A Câmara de Esposende vai adquirir material de proteção individual para as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho, que prestam apoio aos idosos, nomeadamente nos lares e no apoio domiciliário, anunciou a autarquia.


Em causa está um investimento de 40 mil euros de equipamento, como luvas, máscaras, batas, toucas e desinfetante, “pretendendo contribuir para a minimização do risco de contaminação entre este grupo etário mais vulnerável, bem como entre os seus cuidadores formais, consubstanciando mais uma ação para a prevenção desta epidemia em território concelhio”.

“Esta ação constitui a primeira de um conjunto de medidas que serão implementadas no âmbito do combate à pandemia, numa perspetiva de proteção de toda a comunidade”, escreve a câmara, em comunicado.

“Para a sua implementação recorrer-se-á aos recursos financeiros que estavam previstos para as iniciativas que o Município, na sua Agenda de Atividades, tinha previsto desenvolver até final de julho”, acrescenta.

O Município tem vindo a atuar “em várias frentes” com o intuito de “controlar o avanço do vírus” que, até ao momento, contaminou já cinco pessoas naquele concelho.

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Barcelos

Investigadora de Barcelos premiada por trabalho sobre cancro do cólon

Ângela Costa

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Foto: DR

Ângela Amorim Costa, 38 anos, é de Viatodos, freguesia do concelho de Barcelos. Percebeu que queria ser investigadora no ensino secundário e graças à leitura das revistas Super Interessante. E assim foi. Hoje é investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S). Recentemente, o seu trabalho na área do cancro do cólon foi distinguido internacionalmente. O seu projeto de investigação foi um dos quatro contemplados – o único português – pela empresa NanoString, através do seu programa de bolsas, na primeira edição do prémio em sinalização celular em tumores.

A notícia foi recebida “com muita alegria”, porque significa ter dinheiro para “reagentes extremamente caros para experiências de investigação”, os quais “permitem avançar com a nossa linha de investigação, e potenciar a descoberta de dados importantes que futuramente direcionem os nossos estudos”.

“Para além disso, a nível pessoal é bom para o currículo, o que é importante porque o nosso salário está também ele sempre dependente de avaliação de resultados e de concursos supercompetitivos”, acrescenta Ângela Costa.

A investigadora aponta que, “para que se possa fazer trabalho científico, é preciso financiamento, e arranjar esse financiamento é da responsabilidade dos cientistas”.

Ora, “esta situação implica que muito do tempo de trabalho seja dedicado a escrever projetos que tenham valor científico, para concorrerem a programas de financiamento nacional e internacional, num ambiente extremamente competitivo. Para além dos concursos para projetos científicos organizados por entidades oficiais como a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), há por vezes também concursos organizados por empresas, como foi neste caso”.

Impacto da hipoxia no comportamento das células tumorais

O projeto intitulado The impact of hypoxia on the anti-colon cancer immune response: potential implications to immunotherapy, explica a investigadora barcelense, “começou a ser executado no mês passado, e ainda está numa fase muito inicial de otimização das condições experimentais”.

“Depois desta fase vamos fazer a análise, que é efetivamente o prémio, e a partir daí ver que conclusões se podem tirar do estudo”, acrescenta, esclarecendo que o estudo pretende perceber como “a hipóxia [baixos níveis de oxigénio] afeta o comportamento das células tumorais e de que maneira isso tem impacto nas células imunes”.

Desenvolvendo: “Na área dos tratamentos do cancro há agora uma alternativa muito promissora chamada imunoterapia, que consiste em fazer com que o sistema imune da pessoa reconheça o cancro como sendo uma entidade externa, como por exemplo uma bactéria ou um vírus e o ataque como faria nesses casos. No entanto, enquanto que nos casos dos tumores líquido (leucemias e linfomas) os resultados foram muito bons, no caso dos tumores sólidos, como o cólon, as coisas não têm funcionado tão bem. E uma das particularidades dos tumores sólidos é que devido à rápida proliferação das células, que não é acompanhada pelo crescimento de vasos sanguíneos funcionais, se cria um ambiente pouco oxigenado, hipóxico, que se sabe que altera o funcionamento quer das células malignas, quer das células normais que se encontram no microambiente do tumor, como as células imunes. Esta situação pode afetar a maneira como estes tumores respondem à imunoterapia”.

Ainda não se sabe muito a este respeito, “nomeadamente quais os mecanismos moleculares que podem estar implicados”, portanto, “esclarecer de que forma esta característica dos tumores sólidos – a hipóxia – afecta o comportamento das células tumorais e de que maneira isso tem impacto nas células imunes é de importância fulcral, para que se entendam quais os pontos fracos do cancro onde se pode atacar, de maneira a que a imunoterapia seja efetiva”.

“Com este projeto, e usando o cancro do colon como modelo, vamos analisar as diferenças de comportamento das células tumorais e imunes num contexto de níveis de oxigénio normais e hipóxicos, com esperanças de encontrar diferenças que nos permitam explicar a falta de resposta da imunoterapia, e dessa forma saber por onde se deve atacar o problema”, afirma a investigada de Viatodos, freguesia onde viveu “a maior parte” da sua vida e ainda reside.

“Sempre frequentei escolas públicas, é motivo de grande orgulho”

Ângela Costa estudou em Viatodos até ao 9.º ano, depois fez o secundário na Escola Secundária Camilo Castelo Branco de Famalicão (“para uma pessoa de Viatodos, Famalicão fica a metade da distância de Barcelos”) e concluiu a licenciatura pré-bolonha de Bioquímica na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, no ramo de Bioquímica Aplicada.

“Sempre frequentei escolas públicas, o que para mim é um motivo de grande orgulho”, destaca.

O seu percurso profissional foi todo ele dedicado à investigação científica. Depois de fazer estágio curricular de Bioquímica na Faculdade de Farmácia da Universidade Complutense de Madrid, no programa Erasmus, começou a concorrer a bolsas de investigação em Portugal.

“Tive então a oportunidade de ir trabalhar no IPATIMUP, no Porto, onde acabei por fazer o doutoramento, em colaboração com o Instituto Max-Planck da Biologia da Infecção, na Alemanha. Já como pós-doc fui trabalhar para a Universidade do Minho, para o ICVS”, conta.

Entretanto, chegou a crise económica e, “tal como muitos outros cientistas”, ficou desempregada. “Uma situação bastante crítica, pois como bolseira de investigação não temos direito a subsídio de desemprego”, recorda, notando que, nesse período, ainda teve “a sorte de poder trabalhar em bolsas de curta duração na FEUP e no ICVS”.

A partir do final de 2015, e depois de conseguir uma bolsa no concurso nacional da FCT, foi trabalhar para o i3S no Porto, onde permanece.

“Na altura em que comecei a ler a revista Super Interessante percebi que queria trabalhar em investigação”

Ângela Costa recorda que “foi no secundário e na altura em que [começou] a ler a revista Super Interessante” que percebeu que “queria trabalhar em investigação”.

“Não sabia em que área, mas sabia que aquela coisa de estar num ambiente de equipa, a pensar num problema, nos seus porquês e nas soluções era por onde devia ir”, lembra a investigadora. “Como gostava muito de Química e de Biologia, e não sabia de qual gostava mais, acabei por ir para Bioquímica, um curso que sabia estar ligado a diversas áreas de investigação”.

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Cávado

Voluntários recolhem uma tonelada de lixo nas praias de Esposende

Ambiente

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Foto: Divulgação / CM Esposende

Um grupo de voluntários recolheu, em cerca de duas horas, perto de uma tonelada de lixo marinho em cinco praias de Esposende, numa ação que serviu para assinalar o Dia Internacional de Limpeza Costeira.

Em comunicado, a câmara de Esposende explica que os 178 participantes recolheram resíduos trazidos pelo mar para o areal ou “esquecidos” pelos banhistas, arrastados pelos rios e linhas de água, assim como artefactos utilizados normalmente pelos pescadores, “contribuindo para preservar os habitats abrangidos e melhorar significativamente a imagem destes locais”.

Por esta via, finaliza o texto, “o município de Esposende, através da Esposende Ambiente, está a contribuir para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, nomeadamente no que se refere ao ODS 13 – Ação Climática, ODS14 – Proteger a Vida Marinha, ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre e ODS 17 – Parcerias para a Implementação dos Objetivos de Sustentabilidade”.

A ação foi organizada pela empresa municipal Esposende Ambiente, em colaboração com a Associação Rio Neiva e a Onda Magna, apoiadas pela Fundação Oceano Azul.

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Cávado

Filha salvou da morte pai esfaqueado pela mulher em Esposende

Julgamento continua esta terça-feira no Tribunal de Braga

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Foto: Ilustrativa / DR

A filha do homem que terá levado uma facada nas costas da mulher, Eliana Yurlev Henão, de 37 anos, uma colombiana, na casa onde viviam – quando ele dormia – em Marinhas, Esposende, é ouvida esta terça-feira no Tribunal de Braga, na segunda sessão do julgamento.

A jovem, de nome Maria, agora com 18 anos, acudiu ao pai quando este foi atingido pela faca, salvando-o de uma provável morte por perda de sangue: “Ouvi os gritos dele, fui a correr e arranjei uns panos molhados para estancar o sangue que jorrava intensamente”, contou a testemunha ao juiz na fase de inquérito. “ E consegui”.

Esta versão vai ser hoje repetida perante o coletivo de juízes.

Mulher que esfaqueou o marido em Esposende diz que não se lembra do crime

A jovem garante que, ao contrário do que diz a Eliana, foi ela que acordou com os gritos, não tendo sido chamada pela madrasta: “O meu pai deitou tanto sangue que, no final, quando veio a ambulância, eu própria estava ensanguentada da cabeça aos pés”.

A vítima, António Ganas, não pediu nem vai pedir qualquer indemnização pela facada – isto se o coletivo de juízes o der como provado. “A única coisa que quer é que ela o deixe em paz”, disse fonte da família.

“Não tentei matá-lo”

Na primeira sessão, e conforme O MINHO noticiou, a mulher declarou: “Não sei. Não fui eu que o esfaqueei, nem tentei matá-lo”. E, posteriormente, veio a acrescentar que se ‘enrolou’ com o marido numa briga e que este caiu em cima da cama, tendo sido espetado pela faca que ali estaria. Foi esta a versão dada ao Tribunal de Braga pela imigrante colombiana, já naturalizada portuguesa, a qual contou que, na noite do crime, em abril de 2018, discutiu com o marido, o português António Maria Ganas, após ter ido à cozinha beber água e comer uma maçã. Diz ter pegado numa faca para cortar a fruta e ter ido dormir para o quarto em que estava com dois adolescentes, um filho seu e uma jovem de 16 anos, filha dele. Afirmou que não sabe o que sucedeu depois, nem mesmo o destino da faca, só se lembrando de ter acordado os filhos e chamar o 112. Atribuiu as discussões do casal a ciúmes do marido.

Esta versão é desmentida pela vítima que disse a O MINHO que ela o esfaqueou nas costas, enquanto dormia, deixando-lhe uma parte da lâmina, com nove centímetros, no corpo, o que lhe perfurou um pulmão e chegou ao coração. E ainda tentou impedi-lo de respirar. “Mente. Quando foi detida disse à PJ de Braga e ao juiz que me tinha dado uma facada para me matar. Está no processo”, acrescentou.

No final da audiência, a arguida empurrou, deitando-a ao chão, a mãe da vítima, tendo-lhe ainda chamado puta, o que lhe vai valer novo inquérito judicial no Tribunal, tendo como testemunhas alguns jornalistas que presenciaram os factos.

Entretanto, António Ganas disse a O MINHO que apresentou duas outras queixas-crimes contra a mulher, de quem já pediu o divórcio. Diz que, quando saiu do hospital, ela tinha vendido um Audi seu e que os pertences pessoais que tinha em casa desapareceram.

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