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“Cluster industrial” de órgão de tubos de Famalicão exporta para todo o mundo

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O “segredo” sobre a construção de muitos dos órgãos de tubos que “vivem” em catedrais, igrejas e salas de espetáculo de todo mundo está guardado nas freguesias de Landim e Ávidos, Famalicão, explicaram hoje os responsáveis de três fábricas.

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Separadas por poucos quilómetros, laboram em Vila Nova de Famalicão, a JF Organpipes – Fabrico de Tubos de Órgão, especialista em tubos metálicos, a Bom Organum – Components for Organs, que faz fachadas de órgãos, tubos em madeira e foles, e a JMS Organaria, que produz as palhetas responsáveis pelos sons com timbres diferentes.

As duas primeiras são geridas por empresários alemães radicados em Portugal há mais de uma década, enquanto a terceira nasceu há meia dúzia de meses pelas mãos de um casal português.

O elo comum chama-se Georg Jann, um mestre organista alemão que em 1995 se fixou no Norte de Portugal para conseguir viver perto da sua “obra-prima”: o órgão de tubos da igreja da Lapa, concelho do Porto, considerado o maior da Península Ibérica.

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Hoje, numa visita integrada no roteiro Made In que a câmara de Famalicão realiza para dar a conhecer projetos inovadores do concelho, as três fábricas abriram portas para “revelar” o “segredo” da construção de órgãos de tubos, confluindo todos os responsáveis na mesma convicção: há falta de conhecimento sobre a riqueza patrimonial deste setor e a Portugal faz falta uma escola vocacionada a esta arte.

Bjorn Fitzau, responsável pela JF Organpipes que conta com 29 funcionários, cita o pai, também mestre organista, para explicar o porquê de se ter radicado em Portugal. “Os portugueses conseguem aprender com os olhos”, disse.

Gerhard Besenreitev, da Bom Organum que emprega 22 pessoas, comenta: “os portugueses aprendem rápido”.

Por fim, Joaquim Silva da JMS Organaria, empresa com quatro funcionários e uma faixa etária jovem, lamenta a inexistência de uma escola de e sobre órgãos de tubos, afirmando que “Famalicão é o único concelho na Europa com esta concentração de fábricas organeiras”.

O trabalho realizado nas três empresas é paticamente todo manual tendo como destino a exportação para países como Alemanha, França, Suíça, Espanha, EUA e Japão.

O tubo mais pesado construído pela Organpipes, que por mês faz cerca de 8.000 tubos, pesava 120 quilos, enquanto o mais leve 10 gramas. A altura pode ir dos 10 centímetros aos 10 metros. O diâmetro vai dos três milímetros aos 30 centímetros.

Joaquim Silva, que se especializou em afinação na Suíça, descreve o tipo de trabalho de uma fábrica única na Europa no fabrico de palhetas como “muito minucioso” por envolver “peças muito delicadas e coisas pequeninas”.

Já sobre o mercado, Gerhard Besenreitev conta que “em Portugal não existe muito trabalho”, algo que o casal responsável pela JMS Organaria considera que poderá modificar-se graças a este “verdadeiro cluster industrial organeiro”, como lhe chamou o presidente da câmara Paulo Cunha.

“Vemos que há capacidade para exportar mas cremos que existe um património que pode estar desaproveitado. Este é um exemplo da diversidade empresarial, criativa e empreendedora do concelho”, referiu o autarca.

Entretanto, estas três empresas juntaram-se para promover um ciclo de concertos de órgãos, o Inter-Paróquias que se desenvolverá, pelo segundo ano consecutivo, em várias freguesias quer de Famalicão quer de Santo Tirso com início na sexta-feira, indo até dia 16.

Integrado nesta iniciativa, no domingo, realiza-se um concerto em Ribeirão que serve para marcar a inauguração da remodelação do órgão de tubos local que teve o contributo das três empresas de Landim e Ávidos.

 

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