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Melgaço: Cerco sanitário mostra a Parada do Monte que nem o “cantinho” está a salvo

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

*** Reportagem de Andrea Cruz, da agência Lusa ***

O cerco sanitário em torno da aldeia de Parada do Monte despertou os 370 habitantes para uma “realidade” que não imaginavam ser possível, por viverem num “cantinho” do concelho de Melgaço que julgavam “guardado” da covid-19.

O “pesadelo” começou na segunda-feira, com a confirmação de um casal de idosos infetados com o vírus da covid-19 e transformou-se “numa coisa do outro mundo” com o terceiro caso e a consequente imposição do cerco sanitário decidido na quarta-feira pela Câmara de Melgaço, no distrito de Viana do Castelo, para conter a propagação da doença.

“Ninguém imaginava uma coisa destas. Isto é uma coisa do outro mundo. E no concelho de Melgaço, infelizmente somos nós os primeiros”, desabada Helena Barreiros.

Aos 48 anos, dona de uma mercearia da aldeia, “nunca” imaginou “estar a viver um pesadelo” que sempre pensou ser impensável em Parada do Monte.

“Aqui nunca na vida vai chegar, pensava eu. Afinal de contas chegou mais depressa do que o que nós imaginávamos. Pensávamos que estávamos num cantinho, aqui guardados. Mas chega a todo o mundo, e não é por estamos mais desviados dos centros que somos poupados”, afirmou.

No segundo dia em cerco sanitário, que a população “assustada” e com “medo” caiu “numa realidade” que, alertou Helena, deve “servir de lição a muitas aldeias que agora têm de ter o máximo de cuidado”.

“Estamos assustados, temos medo, mas estamos a cumprir. Isto vai a todo o lado, infelizmente”, referiu.

Numa aldeia “com mais de 50% de idosos”, os 88 anos de Prazeres Esteves colocam-na no grupo de risco. Longe dos dois filhos, ambos emigrantes em França, e dos cinco netos, Prazeres sente-se “sozinha e assustada”, “fechada na casinha” onde criou a família, “sem a ajuda” do marido, que “morreu cedo”.

“Sinto-me sozinha, mas que remédio eu tenho. Claro que estou assustada. Estou bastante assustada porque a gente tem medo, não é? Porque o mundo está tão mal. Ai Jesus senhor”, lamentou.

Além dos telefonemas do presidente da União de Freguesias de Parada do Monte e Cubalhão, Prazeres fala com a família que “não deixam passar para cá”.

“Vou falando com a família toda. Ainda de manhã falei com uma neta. Telefonam-me todos os dias, coitadinhos. Gostam muito de mim. Queriam ter a avó, mas agora não podemos ir lá, não os deixam passar. É um problema”, desabafou a idosa.

Não tem problemas de saúde, “por ora”, não lhe falta comida, porque tem a “arca cheia”, e remédios estão garantidos.

No terreno, “atento ao que faz falta”, anda um grupo de voluntários criado pelo autarca Ricardo Alves, pelo padre e alguns paroquianos para “cuidar e ajudar os velhotes, com a mercearia e medicamentos”.

Desde quarta-feira que o presidente da Junta faz rondas pelos mais de 27 quilómetros quadrados da aldeia para se certificar que “está tudo a correr bem”.

“Neste momento, estão todos a cumprir. Parece uma freguesia pós-apocalipse. Está tudo com medo. As pessoas estão assustadas, mas estão a cumprir para conter o vírus”, referiu.

Hoje, durante a “volta” pela aldeia, Ricardo Alves parou para lançar um olhar sobre os campos da aldeia e sentiu “um arrepio”.

“É uma freguesia onde as pessoas ainda vivem muito da agricultura e estamos no tempo forte desta atividade. Agora vê-se tudo parado, tudo com medo de sair à rua”, desabafou.

Na aldeia continuam a funcionar duas mercearias e uma padaria. As portas de empresas encerraram e o café da terra fechou. As conversas que aí se faziam até há pouco tempo são agora à distância e “à moda antiga”.

Helena, dona de uma das duas mercearias, é vizinha do presidente da Junta e, entre eles, o diálogo fica à distância dos quintais de casa de cada um. Mas há também quem comunique de “varanda para varanda ou até de janela para janela”.

“Aqui há sempre um vizinho com quem falar. Como nos conhecemos todos uns aos outros, damos apoio uns aos outros, se bem que agora à distância. Comunicamos entre nós cumprindo as regras de segurança”, reforçou, esperançada de que esteja “próximo o dia em que acordar de manhã e o pesadelo não tenha passado disso mesmo, um pesadelo”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 480 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 22.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, registaram-se 60 mortes, mais 17 do que na véspera (+39,5%), e 3.544 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que identificou 549 novos casos em relação a quarta-feira (+18,3%).

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

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Alto Minho

Cerca de 3.000 pessoas impedidas de entrar em Portugal pelas fronteiras terrestres

Covid-19

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Foto: GNR / Arquivo

Quinze pessoas foram detidas e cerca de três mil foram impedidas de entrar em Portugal desde que foi reposto temporariamente o controlo nas fronteiras terrestres devido à pandemia, avançou hoje o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Em comunicado, o SEF indica que foi hoje atingido o meio milhão de pessoas controladas nos Pontos de Passagem Autorizados (PPA) com Espanha, numa operação iniciada em 16 de março com a colaboração da Guarda Nacional Republicana.

Segundo o SEF, nestes cerca de dois meses e meio, o PPA com maior registo de controlos foi o de Valença, que ultrapassou os 200 mil, representando cerca de 50% em média do número total de pessoas controladas a nível nacional, seguido do Caia com cerca de 70 mil, e Vilar Formoso com 60 mil.

O SEF acrescenta que, durante este período, foram ainda impedidas de entrar em Portugal cerca de três mil pessoas por não se encontrar justificada a necessidade de atravessar a fronteira.

Aquele serviço de segurança indica também que, no âmbito do cumprimento de medidas cautelares, foram detidas 15 pessoas até hoje.

O SEF refere ainda que o trabalho no controlo de pessoas tem sido facilitado com a utilização de uma aplicação, designada de SEF Mobile, que já permitiu um controlo rápido e seguro de mais de 100 mil cidadãos.

O controlo das fronteiras terrestres com Espanha está a ser feito desde as 23:00 do dia 16 de março em nove pontos de passagem autorizada devido à pandemia de covid-19 e vão permanecer encerradas até às 00:00 de 15 de junho.

No âmbito do controlo das fronteiras, estão impedidas as deslocações turísticas e de lazer entre os dois países, sendo apenas permitida circulação de transportes de mercadorias, de trabalhadores transfronteiriços, trabalhadores sazonais, veículos de emergência e socorro e de serviço de urgência.

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Jovem detido por suspeita de atear incêndios em Ponte de Lima estava inocente

Justiça

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Foto: Ilustrativa / DR

O jovem de 24 anos que foi detido pela Polícia Judiciária de Braga acusado da prática de dois crimes de incêndio florestal no concelho de Ponte de Lima está inocente, referem os três juízes responsáveis pelo julgamento.

No acórdão da audiência, a que O MINHO teve acesso, é determinado pela juiz-presidente que todas as acusações imputadas ao jovem sejam retiradas, considerando-o absolvido da prática dos crimes.

Os incêndios ocorreram no passado dia 18 de setembro de 2019, em Vilar das Almas e em Gaifar, consumindo uma quantidade significativa de mato, eucaliptos e pinheiros.

Na altura, o jovem agora absolvido deu o alerta para o incêndio de Gaifar, algo que funcionou contra ele uma vez que a acusação do Ministério Público indicou esse alerta como uma das provas para o suposto ato criminoso.

A outra prova da acusação era a posse de um isqueiro por parte do jovem, mas este sempre refutou que fosse uma ‘arma de crime’ por ser fumador e precisar do isqueiro para poder acender os cigarros.

No acórdão, o coletivo sublinha que a acusação ou a PJ nunca conseguiram provar que o jovem “tenha usado um isqueiro e pegado fogo a ervas de mato seco que deram origem aos dois incêndios”.

As três testemunhas da acusação, que sustentavam as provas de que teria sido o jovem a cometer o crime, também não conseguiram provar que foi o jovem, uma vez que não houve prova ocular, ou seja, não viram nada, apenas tinham suspeitas. Entre eles estava um militar da GNR.

Patrícia Amorim, advogada com escritório próprio na Avenida António Feijó, em Ponte de Lima, defendeu o jovem, indicando que “é perfeitamente normal a posse de um isqueiro num fumador” e que isso “não pode servir de prova”.

“Ele alertou a GNR de que havia um incêndio perto de onde residia, como é o dever de qualquer cidadão. Um elemento da GNR referiu que o meu cliente poderia ter apagado o incêndio por estar perto dele, mas a juiz diz que o normal não é um popular apagar o incêndio, mas sim chamar as autoridades competentes”, indicou a advogada a O MINHO.

“O meu cliente sempre negou a prática dos factos e narrou o seu trajecto de forma credível naquele fim de tarde e início de noite, sempre teve uma postura coerente ao longo de todo o processe e isso contribuiu para a absolvição”, acrescentou.

O jovem esteve, desde final de setembro, obrigado a apresentações diárias no posto da GNR de Freixo e à obrigação de não transportar isqueiro, algo que, embora sendo fumador, cumpriu. Essas medidas obrigatórias foram agora extintas.

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Viana do Castelo investe 2,4 milhões na requalificação de zona habitacional em Darque

Quinta da Bouça

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Foto: Divulgação / CM Viana do Castelo

A requalificação da Quinta da Bouça, em Darque, por 2,4 milhões de euros, vai avançar após um acordo de gestão celebrado entre a Câmara de Viana do Castelo e a Infraestruturas de Portugal (IP), foi hoje divulgado.

Em comunicado enviado às redações, a Câmara de Viana do Castelo explicou que o acordo agora formalizado “permite ao município avançar com a requalificação do espaço público da Quinta da Bouça, na freguesia de Darque, qualificando esta zona de habitação multifamiliar com execução de ciclovias, vias pedonais e ajardinamento junto da Estrada Nacional (EN) 13.

A obra, integrada no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), prevê, além “da construção daqueles percursos, a sua conservação, manutenção e limpeza, contribuindo, deste modo, para a melhoria das condições de acessibilidade e segurança da circulação ciclável e pedonal local, em alternativa à rede viária”.

“A IP verificou que a solução apresentada é adequada, visando a garantia das condições de sustentabilidade ambiental, de fluidez de tráfego e segurança da circulação”, lê-se ainda no documento.

Segundo o projeto, “o espaço público apresenta-se desprovido de áreas verdes, de mobiliário urbano, com o pavimento degradado e existem algumas zonas em terra”.

“Verifica-se a projeção de elementos (escadas e rampas) para o espaço público, resultando numa série de fatores que contribuem para um espaço amorfo e confuso. Todos estes fatores contribuem para a degradação do espaço público e consequente diminuição da qualidade de vida da população aí residente”, indica a memória descritiva do projeto de requalificação.

A empreitada pretende “requalificar uma zona de habitação multifamiliar ajustada aos novos imperativos de ordenamento do território e de qualificação ambiental”.

Segundo o município, “a implementação desta área residencial tem como objetivos gerais qualificar o ambiente urbano, a promoção e valorização da qualidade ambiental através da redefinição de aéreas de circulação automóvel e pedonais, a implementação de um corredor para bicicletas (ciclovia) paralelamente à EN 13, e complementado por zonas arborizadas áreas ajardinadas, reordenamento de estacionamento público de apoio à área comercial e residencial”.

A intervenção prevê “a substituição dos materiais ou recuperação dos existentes nos arruamentos e a criação e reorganização de bolsas de estacionamento, de forma a introduzir melhorias significativas na acessibilidade e mobilidade, promovendo conjuntamente a circulação pedonal e ciclovia nestes espaços”.

A proposta prevê ainda a eliminação dos muros existentes contíguos à EN 13.

Ao abrigo do PEDU, “a Câmara Municipal está a investir, até 2020, 20 milhões de euros em 30 diferentes projetos, cuja intervenção é focada nas Áreas de Reabilitação Urbana (ARU)”.

O PEDU, financiado por fundos do programa Portugal 2020, visa a qualificação do sistema urbano, do ponto de vista da mobilidade sustentável, regeneração urbana e ação integrada para as comunidades desfavorecidas.

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