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Guimarães

Cerca de 5.000 Vespas em Guimarães (e três mil vão subir o Sameiro, em Braga)

É o European Vespa Days

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O mundo das vespas está reunido, desde quinta-feira até domingo, no Multiusos de Guimarães. É o European Vespa Days que se realiza pela terceira vez em Portugal – depois de, em 2004, ter sido em Lisboa e, em 2010, em Fátima -, reunindo mais de 5.000 participantes, vindos não só da Europa, mas também da América Central, EUA, Canadá, Indonésia, Índia e Austrália.

Um vespista vindo da Indonésia, não trouxe a sua Vespa, mas circula no recinto com uma alugada. Karen Montero, facilmente identificável como mexicana pelo sombrero, optou pela mesma solução, mas, há um grupo de australianos que não se deixaram intimidar com o facto de virem do outro lado do mundo. Viajaram com as suas vespas de avião até Barcelona e, a partir da Catalunha, vieram por estrada até Guimarães. “É perto”, palavra de quem vive num país imenso. 

Foto: Rui Dias / O MINHO

“Autoestradas não são para vespistas”

“Quem viaja de vespa não pode ter preocupações com velocidade. Autoestradas não são para vespistas. Isto são máquinas para andar no máximo a 90 quilómetros por hora, daí em diante é muito desconfortável”, explica Filipe Primitivo, ex-presidente do Vespa Clube de Portugal, durante 12 anos. Filipe já leva mais de 90 mil quilómetros feitos de Vespa pelas estradas europeias. “Nunca houve um português que não chegasse ao destino. Por onde passamos há sempre um amigo, se alguém tem um problema, é só fazer um telefonema e resolve-se tudo”, afirma.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Na concentração, em Guimarães, segundo a organização, 90% dos participantes são estrangeiros. Filipe cumprimenta um francês que circula numa Vespa branca com side-car. Uma figura de longas barbas brancas que aciona um jogo de botões que reproduzem sons semelhantes aos dos carros da polícia. O francês trouxe a Vespa num reboque, “já sou velho demais para tantos quilómetros”. 

Simon Wynne também já não é nenhuma criança, mas isso não o impediu de conduzir a sua PX 200, desde Hadfield, 280 quilómetros a norte de Londres, até Guimarães. “A mulher deixa-me sair uma vez por ano, por isso, eu aproveito e conduzo devagar para fazer render o tempo”, confessa. Simon está em Guimarães para o European Vespa Days, mas também porque os seus amigos Chris e Tatjana escolheram o momento para celebrarem o seu casamento.

Simon Wynne veio de Hadfield, no centro de Inglaterra. Foto: Rui Dias / O MINHO

Há Vespas por toda a cidade, as mais antigas estão no Museu Alberto Sampaio

Álvaro Mendes, presidente do Vespa Clube de Portugal, destaca a envolvência do evento com a cidade e com as suas instituições. “Algumas das vespas mais preciosas, mais raras, estão no Museu Alberto Sampaio, uma exposição imperdível”, assegura. A organização passou por diversas dificuldades relacionadas com os adiamentos, em virtude da pandemia. Os custos dispararam, numa altura em que as inscrições já estavam pagas, mas mesmo assim o balanço é altamente positivo. O recinto do Multiusos de Guimarães não tem sido suficiente para albergar todos os que querem entrar, com muitos a terem que deixar a mota no exterior e entrar a pé.

Foto: Rui Dias / O MINHO

“O nosso evento é mesmo único. Vai ser o primeiro jantar de gala, desde 2010, em que vai haver vinho à descrição. Lá fora nunca dão álcool”, adianta Filipe Primitivo. O português confidencia que as comitivas portuguesas acabam por levar uma box de vinho por baixo do blusão quando estão no estrangeiro. “Nem a Vespa anda a água”, diz outro vespista.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Três mil vespas sobem ao Sameiro no sábado

Um dos momentos mais marcantes deste European Vespa Days acontece na manhã de sábado, quando 3.000 vespas partirem de Guimarães rumo à Póvoa de Lanhoso, de onde seguem para Braga, antes de subirem ao Santuário do Sameiro, onde os vespistas e as máquinas receberão a bênção.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Além deste passeio, os participantes, vindos de 30 países, estão permanentemente a sair, em pequenos grupos, para excursões pela região do Minho, organizadas ou informais. A cidade de Guimarães está completamente tomada por este “enxame”. Filipe Primitivo estima o impacto na economia local em um milhão de euros. “Só para a organização, fechamos três hotéis, durante uma semana, 140 quartos”, avança.

Foto: Rui Dias / O MINHO

A entrada, para quem quiser sentir-se parte da turma das vespas, custa 10 euros, que revertem, na totalidade, para os Bombeiros Voluntários de Guimarães. 

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