Bombeiros gastam 80 milhões em emergência médica e INEM só paga metade

Foto: O MINHO / Arquivo

As corporações de bombeiros voluntários gastam cerca de 80 milhões de euros por ano em emergência médica, mas o INEM apenas paga metade desse valor, acusou hoje a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), que defende uma revisão da tabela.

O presidente da LBP, António Nunes, disse à Lusa que a Liga calcula em cerca de 40 milhões de euros a parte que não está a ser ressarcida pelo Instituto Nacional de Emergência Médica aos bombeiros.

Segundo António Nunes, o INEM paga neste momento 4.870 euros por mês aos bombeiros pelas 450 ambulâncias de emergência médica existentes nas associações humanitárias.

“Para cada uma dessas ambulâncias nós temos de ter equipas de primeira intervenção 365 dias por ano e 24 horas por dia. Admitindo que cada equipa tem oito elementos e o INEM paga 4.870 euros, a verba não chega para pagar metade da equipa”, precisou, dando conta que as associações humanitárias precisam de cerca de sete mil euros por mês, o que, multiplicando este valor pelas 450 ambulâncias e os 12 meses do ano, totaliza cerca de 40 milhões de euros.

O responsável frisou que as associações humanitárias têm de obter “uma parte substantiva deste financiamento, porque as verbas que o INEM está a transferir para as associações humanitárias são manifestamente insuficientes”.

De acordo com o presidente da LBP, o INEM paga cerca de 40 milhões, mas devia pagar 80 milhões.

“É isso que estimamos que os bombeiros estão a comparticipar ao sistema integrado de emergência médica, quando os portugueses com seguros pagam uma taxa para ter esse sistema de emergência médica em funcionamento e há uma lei da Assembleia da República que diz que os bombeiros devem ser ressarcidos de todas as despesas que sejam feitas no âmbito da emergência pré-hospitalar”, precisou.

António Nunes afirmou que os bombeiros têm de garantir o seu funcionamento através dos orçamentos próprios, nomeadamente o pagamento das quotas por parte dos sócios ou subsídios obtidos através das câmaras municipais e beneméritos.

O presidente da Liga sublinhou que as associações humanitárias estão “com um défice permanente”, existindo uma série de corporações de bombeiros “mais aflitas”, nomeadamente aquelas que realizam um menor número de serviços.

António Nunes referiu ainda que estes números surgem após a LBP ter feito contas numa altura em que está a tentar negociar um novo protocolo com o INEM e defende uma nova tabela de pagamento de serviços.

 
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