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Testamento Vital

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Testamento Vital

 

Pensei ter esquecido.
Repassei o assunto mentalmente, num ápice.
Recordo vagamente a notícia do testamento vital, em vigor há um ano.
Passou um ano.
Não terei esquecido.

[efsnotification type=”success” style=”” close=”false” ]NDR – O que é o Testamento Vital?

O Testamento Vital é um documento onde o cidadão pode inscrever os cuidados de saúde que pretende ou não receber e permite também a nomeação de um procurador de cuidados de saúde. – Ministério da Saúde

[/efsnotification]

Transferi o assunto para o arquivo dos pendentes, inconscientemente.
Pensar na morte é um assunto pendente para mim, equivalente à própria imprevisibilidade da morte.
Admiro os 1500 portugueses com discernimento lúcido de o fazer.
Eu não sou, pelo menos hoje,capaz.
Amanhã não sei. E nessa inconstância do que quero, confirmo não poder decidir de ânimo leve e ligeiro.

Não sei dizer se quero ser desligada da máquina. Se é realmente um direito meu, estando ausente confortavelmente num limbo da consciência, em estado transitório de Bela adormecida, submeter os entes queridos a uma opção pessoal tomada anos atrás.

Não sei como é estar nesse túnel onde luzes de estrelas brancas me aliciam.
Não sei como reagiria se alguém que amasse e não quisesse perder tivesse assinado o testamento a pedir a interrupção de um tratamento à luz dos conhecimentos médicos atuais e em consonância com os princípios de bioética. E a esperança no futuro?

Por outro lado a ideia ainda semi ficcionada de criopreservação de seres humanos, estado de hibernação à espera de um tratamento inovador da Ciência Médica cujos avanços fabulosos galopam à velocidade de kilometros de anos-luz, renova-me a fé.
Sei da certeza da morte.
Não sou apologista do elixir da juventude eterna. A minha pedra filosofal é a vida com olhos de ver.

Não sei o que vestir amanhã.
Sei que quero viver amanhã.
Custa-me traçar a linha isolelétrica hipoteticamenre amanhã, e decidir hoje pelo que penso amanhã sobre a forma de morrer mais celeremente.

É pouco consensual o que digo. Sou médica, tenho consciência do número crescente de doentes terminais nos dias de hoje, vidas prolongadas em caminhos sinuosos de dienças crónicas.
É uma opinião, sentida hoje.
Cada um que defina a sua. Se souber.

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