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Setor livreiro e editorial com prejuízos em mais de 20 milhões

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Foto: DR / Arquivo

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) revelou hoje que o setor sofreu uma quebra de cerca de 80% nas vendas devido à pandemia de covid-19, situando-se o prejuízo em mais de 20 milhões de euros.


“É toda uma situação de extrema dificuldade”, disse à agência Lusa o presidente da APEL, João Alvim, após ter sido recebido, em Belém, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente da APEL afirmou que, durante a audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, deu conta “da quebra” que o setor está a ter neste momento, avançado que “é gigantesca” e que está na “casa dos 80%”.

Segundo João Alvim, os prejuízos situam-se neste momento em mais de 20 milhões de euros, uma vez que as vendas contabilizam 10 a 12 milhões de euros por mês.

O mesmo responsável disse também que falou com o Presidente da República sobre a perspetiva da recuperação, “que será extraordinariamente lenta”, e sobre os apoios do Ministério da Cultura para o setor, que considerou serem insuficientes.

“Temos muitas incertezas em relação ao futuro, tanto de muitos livreiros como muitos editores”, frisou, salientando que “até agora o Ministério da Cultura não esteve disponível para dar apoios com algum significado”.

Esta semana, o Ministério da Cultura anunciou que vai destinar 400 mil euros à aquisição de livros e antecipar a abertura das bolsas de criação literária, com um reforço de 45 mil euros, para apoiar o setor no contexto da pandemia de covid-19.

No total, são 600 mil euros, repartidos em duas fatias: 400 mil euros, no âmbito de um programa a ser lançado para aquisição de livros dos catálogos das editoras e livrarias, até um máximo de cinco mil euros por editora e livraria, a serem distribuídos pela Rede de Ensino de Português no Estrangeiro e pela Rede de Centros Culturais. A estes acrescem 200 mil euros, já inscritos no Orçamento do Estado, para comprar livros para bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

No entanto, a APEL considerou que “é muito pouco” e “não vai auxiliar em grande coisa”, tendo em conta que esta verba é para repartir por todos e existe uma grande quantidade de pequenos editores e pequenos livreiros.

O setor livreiro tem sido um dos mais fustigados em consequência das medidas de contenção destinadas a travar a propagação do novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19, que conduziram ao encerramento de livrarias por todo o país e à quase paralisação do mercado editorial.

O presidente da APEL afirmou que as livrarias de rua eventualmente podem reabrir em maio, mas ainda não existe uma data, enquanto para as dos centros comerciais “não há qualquer perspetiva”.

Admitindo que “muitas livrarias podem vir a fechar”, João Alvim manifestou também preocupação com as dificuldades que existem no pagamento de muitas rendas, uma vez que “até ao momento não houve apoio nesse sentido”.

De acordo com o presidente da APEL, saiu uma legislação sobre o arrendamento das lojas em centros comerciais, mas “é profundamente injusta porque mantém o ónus em cima das livrarias e dos lojistas, quando na realidade os centros comerciais deviam suportar no mínimo 50% desses custos”.

João Alvim disse ainda que o Presidente da República “é um homem muito sensível à questão do livro” e prometeu à APEL que ia informar-se da situação e procurar, “dentro dos seus poderes, apresentar e discutir a questão”.

Marcelo Rebelo de Sousa recebe ao longo da tarde de hoje 10 associações ligadas à cultura.

Em Portugal, morreram 880 pessoas das 23.392 confirmadas como infetadas, e há 1.277 casos recuperados, de acordo com os últimos dados da Direção-Geral da Saúde.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou cerca de 198 mil mortos e infetou mais de 2,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

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Dúvidas e inseguranças travam viagens a casa de portugueses a viver na Alemanha

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Foto: DR / Arquivo

As dúvidas e a incerteza sobre a evolução da pandemia de covid-19 já levaram muitos portugueses a viver na Alemanha a cancelar as viagens, de carro ou avião, para visitar a família este verão.

A decisão não é fácil, assume José Loureiro, um dos conselheiros das Comunidades portuguesas eleito pelo círculo de Estugarda. A mãe, com 87 anos, e a irmã, quase com 60, esperam-no, como cada ano, em Portugal, mas o medo e a incerteza podem condicionar a viagem.

“Tenho este mês para resolver, com a minha família, se vamos ou não. Estou preocupado principalmente por causa dos aeroportos”, confessou, em declarações à agência Lusa, assumindo que as dúvidas são transversais aos portugueses com quem tem contacto.

“Algumas ainda estão indecisas, outras já cancelaram ou adiaram as viagens. São muitas as incertezas neste momento, muitas dúvidas, e as pessoas não querem correr o risco porque estão sujeitas à possibilidade de, no regresso de Portugal, serem obrigados a ficar em quarentena. Esse é um ponto fundamental porque essas duas semanas não serão depois pagas pelas entidades patronais”, salientou José Loureiro.

Maria do Céu Romarigo, vice-presidente da Associação Portuguesa de Gütersloh, no estado federado da Renânia do Norte-Vestefália, o mais populoso da Alemanha, admite que este ano também não vai ao país de origem. Talvez no próximo ano, “se tudo correr bem”.

Emigrantes na Suíça reticentes quanto a vir de férias a Portugal

“A maior parte dos portugueses com quem tenho contacto não vai a Portugal. É o meu caso, não dá para arriscar. Tenho-me resguardado mais porque sou diabética, e tenho medo de, no caminho, poder ficar infetada”, assumiu.

Gütersloh foi uma das duas localidades que voltou ao confinamento em junho, depois de um surto com mais de 1.500 trabalhadores numa fábrica de carne.

“O meu irmão já foi de carro, correu tudo bem, ele fez o teste antes de ir e está tudo bem. Recebeu o resultado já em Portugal, numa aplicação de telemóvel, até lá esteve dois dias em casa, em confinamento”, contou à agência Lusa.

Também Luís Pacheco vai prescindir das habituais férias em Portugal. A viver em Hamburgo, o presidente da Associação Luso Hanseática, admite ter falado com a família, que concordou.

“Muitos já têm alguma idade e acham que pode ser perigoso, especialmente com a viagem de avião”, explicou, acrescentando que vários portugueses com quem contactou já foram ou ainda vão de carro, mas há muitos que “admitem ter medo de uma possível segunda vaga do vírus” e optaram por ficar.

Manuel Campos, presidente do GRI-DPA Grupo de Reflexão e Intervenção da Diáspora Portuguesa na Alemanha, assume só ter medo do medo, e não do vírus.

Em declarações à agência Lusa durante umas férias no Algarve, revelou que “várias pessoas estão com receio de vir por causa das notícias, porque têm aparecido surtos em algumas zonas”, ressalvando que “muitos já fizeram a viagem quando a fronteira com Espanha reabriu”.

Com o regresso adiado, avisou também que “muitos voos que saem da Alemanha estão a ser constantemente cancelados e a datas alteradas”, apelando às pessoas para se informarem o mais possível.

Conselho partilhado por Alfredo Stoffel, um dos conselheiros das comunidades portuguesas na Alemanha eleito pelo círculo de Dusseldorf, Hamburgo e Berlim.

“Há alguma insegurança porque Portugal diz uma coisa, os outros países dizem outra. É importante que as pessoas se informem junto dos serviços da embaixada ou dos consulados gerais da área de jurisdição. É importante perceberem as condicionantes que podem enfrentar caso decidam ir de carro, tanto na viagem de ida como de regresso”, avisou.

Em declarações à Lusa, assumiu que, apesar dos receios, são muitos os portugueses que continuam a planear as suas viagens, tanto de carro, como de avião, “sabendo que as fronteiras estão abertas, vão tentar ir”.

Portugal contabiliza pelo menos 1.654 mortos associados à covid-19 em 46.221 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 561 mil mortos e infetou mais de 12,58 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Com 200 mil infetados e 9 mil mortos, a Alemanha tem mais vítimas mortais que Portugal e mais casos.

No país vivem perto de 150 mil portugueses.

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Emigrantes na Suíça reticentes quanto a vir de férias a Portugal

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A pandemia e os eventuais riscos no regresso ao país europeu, mas não da União Europeia está a preocupar muitos emigrantes portugueses na Suíça que preferem não ir de férias a Portugal.

“Os portugueses têm medo de perder os seus trabalhos, no caso de ficarem bloqueados em Portugal. E a maioria não quer correr esse risco”, explica o Nuno dos Santos, Presidente da Associação de Apoio à Comunidade Portuguesa na Suíça (AACP).

Se por um lado a grande maioria dos portugueses residentes na Suíça se mostra preocupada com os riscos e evolução da pandemia, por outro há quem não abdique dos velhos costumes de passar férias em Portugal, movidos pela saudade de quem lá os espera.

“Temos voo marcado para meados de julho, compramos os bilhetes após o confinamento, quando tudo parecia estar estável. Temos muitas saudades da família, das idas ao teatro, ao cinema, tudo o que aqui na Suíça nunca fazemos”, afirma Mariana Mendes natural de Lisboa, residente na cidade de Nyon, na Suíça Francesa.

A emigrante Lisboeta, mãe de dois filhos, confessa à agência Lusa que, este ano, a família vai para Portugal para ficar durante um mês.

“O meu marido está desde março em teletrabalho, temos cumprido à risca as medidas de prevenção e passado o tempo todo em casa. Estamos todos a precisar de espairecer e ir para junto da nossa família, obviamente que continuando a cumprir com as medidas necessárias ao combate do coronavírus”, concluiu.

Segundo o presidente da AACP, o motivo de apreensão dos portugueses estará ligado ao receio de um possível fecho das fronteiras ou a uma imposição de quarentena que os obrigaria a ficar em território português, caso o vírus se prolifere de forma repentina em Portugal.

Além das preocupações com a proliferação do vírus em Portugal, o dirigente acrescenta ainda que os portugueses se têm queixado da “falta de comunicação e informação” relativamente às medidas adotadas em Portugal assim como as recomendações que devem ser tomadas em conta pelos emigrantes que pretendem viajar.

“Oiço regularmente pessoas a queixarem-se da falta de empatia por parte do governo português”, afirma o presidente, salientando que “a única preocupação que existe por parte dos nossos deputados em Portugal é a diminuição das remessas dos emigrantes e das consequências que essas trarão para o turismo em Portugal”.

“Preocupem-se com os emigrantes e não com o dinheiro deles”, implora o dirigente associativo deixando transparecer a sua indignação face à posição dos deputados portugueses no que toca à diáspora portuguesa.

Manuel Marques, presidente da Associação dos Portugueses de Nyon, concorda com Nuno dos Santos: “Apesar da saudade, as pessoas não querem ir a Portugal para não porem em risco as suas famílias, principalmente os mais vulneráreis [os mais velhos]. Até porque na Suíça o porte de máscara não é obrigatório. Nunca se sabe o que levamos daqui”.

As consequências da pandemia têm-se feito sentir em todo o mundo, a Suíça não é exceção.

Face aos danos provocados pelo coronavírus, a maioria das empresas fazem os possíveis para recuperar dos prejuízos financeiros deixados pela pandemia.

“Este ano, só tenho duas semanas de férias, quando sempre tive três semanas no verão. A minha empresa está a aumentar o volume de trabalho para compensar todo o tempo em que estivemos parados. Este ano, não vou a Portugal”, afirma Manuel Marques, que para além de presidente da Associação dos Portugueses de Nyon, é operário numa empresa de construção na Suíça Francesa.

Com 32 mil infetados e dois mil mortos, a Suíça tem mais vítimas mortais que Portugal (1.654) mas menos casos (46.221).

No país vivem perto de 300 mil portugueses.

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Cientista acusa China e OMS de ocultarem perigosidade do vírus

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A virologista chinesa Li-Meng Yan fugiu para os EUA e afirma que Pequim mente sobre a covid-19, porque já conhecia a existência e o perigo do novo coronavírus, noticia hoje o jornal El Mundo.

Yan assegura que a China e também a Organização Mundial de Saúde (OMS) tinham conhecimento da existência e do perigo do novo coronavírus muito antes de anunciarem oficialmente o surto que ocorreu em Wuhan, China.

Li-Meng Yan é especialista em virologia e imunologia. Era uma das virologistas encarregadas de estudar o coronavírus, até que as suas descobertas a levaram a fugir da China para os Estados Unidos.

O jornal cita uma entrevista exclusiva à Fox News, em que Li-Meng Yan relata o motivo da sua saída da China e revela que as autoridades chinesas mentiram.

A epidemiologista da Universidade de Saúde Pública de Hong Kong planeou o voo quando percebeu que tinha de escapar e contar tudo o que sabia sobre o coronavírus e que seu país não a deixaria, escreve o El Mundo.

Yan disse que o Governo chinês sabia da existência e do perigo do novo coronavírus muito antes de anunciar oficialmente o surto em Wuhan.

Relata também que os seus superiores ficaram em silêncio e ocultaram a sua investigação na covid-19, cujas descobertas poderiam ter ajudado a salvar muitas vidas, segundo o texto publicado no jornal.

“A razão por que vim para os Estados Unidos é porque tenho de contar a verdade sobre a covid-19”, disse a investigadora à Fox. “Se tivesse contado a minha história na China, acabava desaparecida ou assassinada”, declarou.

Segundo o jornal, a virologista assegura que foi uma das primeiras cientistas do mundo a estudar o novo coronavírus. Em finais de 2019, recebeu o mandato do seu supervisor e consultor da OMS, Leo Poon, que a mandou levar a cabo uma investigação secreta sobre o novo coronavírus semelhante à SARS, que tinha surgido na China no final desse ano.

“O Governo da China negou-se a permitir que os peritos estrangeiros, incluindo os de Hong Kong, investigassem na China (…) Recorri então aos meus amigos para recolher mais informação”, explicou.

Foi então que um amigo, cientista no Centro para o Controlo e a Prevenção de Doenças da China, lhe contou em 31 de dezembro de 2019 que a transmissão pessoa a pessoa se apresentava como característica do novo coronavírus, o que tanto a China como a OMS viriam a reconhecer muito tempo depois.

Uns dias depois, em 09 de janeiro de 2020, a OMS emitiu uma declaração: “Segundo as autoridades chinesas, o vírus em questão pode causar doenças graves em alguns pacientes e não se transmite facilmente entre as pessoas… Há informação limitada para determinar o risco geral deste grupo”.

Os problemas de Yan começaram quando advertiu o Governo da letalidade e perigosidade do novo coronavírus, muito antes de a China reconhecer o problema, lê-se na edição online do jornal.

“Foi como o ocultaram”, assegurou a cientista à Fox. A partir daquele momento, afirmou, tentaram silenciá-la por todos os meios.

O que a virologista denuncia é que os alertas de que o mundo se encontrava perante um vírus letal e muito perigoso foram ignorados e silenciados pelas autoridades chinesas e também pela OMS.

De acordo com Yan, ambos conheciam o perigo muito antes de lançarem os alertas internacionais.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 561.000 mortos e infetou mais de 12,58 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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