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Projeto com 13 anos destruído em segundos. Classe bar, em Famalicão, renascerá das cinzas

Gerência vai lutar para poder reerguer um dos mais emblemáticos bares da ‘noite’ famalicense

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Foto: Classe Bar / Facebook

Um projeto de vida com 13 anos destruído em segundos. É desta forma que a gerência do Classe Bar e da Pregaria Dona Maria classifica os acontecimentos da passada quinta-feira, dia de Corpo de Deus, quando uma fritadeira esquecida ao lume provocou um terrível incêndio que destruiu por completo o antigo prédio situado na emblemática Praça Dona Maria II, no centro de Famalicão, e que albergava os dois espaços comerciais geridos pela mesma administração.

Pouco faltava para as 12:00 horas quando, ao longe, se avistava uma espécie de ‘cogumelo’ de fumo, visível a partir de vários pontos da cidade e do concelho de Famalicão. Quem entrava nos arredores da Praça Dona Maria II, seja vindo de Braga ou do Porto, rapidamente percebia que algo estaria a arder, tal era o denso fumo que já chegava ao parque da cidade.

Estrada Nacional 14, junto à rotunda do Rotary Club, com fumo denso. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

‘Cogumelo’ de fumo era visível a partir de várias direções. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Numa hora em que os restaurantes do antigo campo da feira começavam a sentir longas filas de famalicenses que buscavam o almoço de feriado, e num dia em que habitualmente se enchem para servir almoços de ‘comunhões’ religiosas, as chamas iam lavrando no edifício virado à Praça, circundado pelo emblemático restaurante Sara Barracoa e pela sede dos Talhos Famalicenses, mítica propriedade de José Ribeiro, de Vila Verde.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Atónitos com o que presenciavam, por se tratar de um dos locais mais movimentados da cidade, e da própria região do Minho, cidadãos sentiam-se impotentes perante tal cenário de destruição, sem saber muito bem se mais edifícios seriam atingidos.

Inicialmente, parecia que o incêndio estaria controlado, mas a forte implementação de madeiras acabou por ajudar a propagar o fogo. Pelas traseiras e pela frente, operacionais das duas corporações da cidade (BV Famalicão e BV Famalicenses) mostravam garra e união para impedir que o ‘inferno’ alastrasse aos restantes edifícios, onde existiam residências.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

O incêndio acabou dominado cerca de duas horas depois do alerta, mas as operações de rescaldo prosseguiram pelo feriado dentro, dado o risco de reacendimentos face à elevada carga térmica nos escombros. Os bombeiros mostraram todo o seu arsenal de valências para este tipo de ocorrências, com os veículos pesados, autotanques e autoescadas, que foram fulcrais para evitar uma tragédia ainda maior.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Recuando até 2008, data em que o Classe Bar abriu portas num simples “corredor” daquele edifício, como recorda a gerência, acabou por “evoluir e crescer” ao longo da última década, até se tornar numa referência da cidade, não só no espaço de diversão como também de restauração, mais recentemente, graças à pregaria instalada ao lado.

Foto: GinTónico

Foto: GinTónico

Poucos são os famalicenses da geração “millenial” e até os ‘mais novos’ da geração Z que não visitaram, pelo menos por uma vez, aquele bar urbano, que se mostrou uma inovação na ‘noite’ da ‘movida’ famalicense, anteriormente ‘confinada’ à Rua do Camões e aos prédios adjacentes.

Foto: Classe Bar / Facebook

Foto: Classe Bar / Facebook

Foto: Classe Bar / Facebook

Nas redes sociais daquele bar, a gerência recorda como tudo aquilo que construíram se ‘esfumou’ em poucos segundos: “Foram horas, dias, anos de trabalho. Foi o projeto de uma vida, o projeto com que sempre sonhamos – E o que vamos ser daqui para a frente?”, questionam, numa pergunta que “assombra pensamentos” perante a “impotência” vivida no “momento fatídico, o “pior que alguma vez vivemos” e que “nunca imaginamos ao longo de todos estes anos”.

Perante o acontecimento, e com a pregaria, situada ao lado do bar, em pleno funcionamento naquele dia, é descrito um cenário terrível, com “rostos fechados, olhos em lágrimas, e mãos na cabeça de todas as pessoas que fizeram parte” do projeto.

Foto: Classe Bar / Facebook

Foto: Classe Bar / Facebook

“Vimos colaboradores, clientes e familiares, e aí percebemos que desistir nunca poderia ser uma opção. Percebemos que as pessoas que nos querem bem são o verdadeiro pilar da nossa estrutura e essa nunca vergará! Nunca nos deixarão desamparados e, por isso, queremos agradecer todas as mensagens, telefonemas e a onda de solidariedade que se gerou à nossa volta. Seremos eternamente gratos por isso”, pode ler-se.

“Lutaremos para voltar por todos vocês, para que os momentos guardados não sejam apenas memórias. Lutaremos para que façam sempre parte do nosso e do vosso presente! Que todos estes anos e momentos nunca sejam esquecidos e que juntos nos possamos reerguer!”, escrevem, assegurando que “começa agora uma nova história! Uma história que nunca será esquecida nem irá acabar”.

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