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Papa Francisco pondera possibilidade de renunciar. “A porta está aberta”

Religião

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O Papa Francisco, de 85 anos, acometido por fortes dores no joelho que o obrigaram a deslocar-se numa cadeira de rodas, confidenciou aos jornalistas, durante uma visita ao Canadá, que “não podia mais viajar” ao mesmo ritmo de antes, mencionando também a possibilidade de “colocar-se de lado”.

“Não acredito que possa manter o mesmo ritmo de viagem de antes. Acredito que na minha idade, e com esses limites, devo-me poupar para poder servir a Igreja, ou, pelo contrário, pensar na possibilidade de me colocar de lado”, disse.

O papa considerou que a possibilidade de renunciar, tal como o seu antecessor Bento XVI, “não é um desastre” e repetiu que a porta estava “aberta”.

“Mas até hoje eu não empurrei essa porta. Como dizem, eu não senti isso, para pensar nessa possibilidade. Mas isso não significa que depois de amanhã eu não vou começar a pensar nisso”, disse.

Francisco também renovou seu desejo de ir a Kiev, sem maiores detalhes, e confirmou o plano de viajar até ao Cazaquistão em setembro, para participar num encontro de líderes religiosos.

Indicou ainda que iria visitar o Sudão do Sul “antes” de ir à República Democrática do Congo (RDC), viagens adiadas por tempo indeterminado devido ao seu estado de saúde.

Durante esta visita de seis dias, o papa, de 85 anos, apareceu enfraquecido, mas mesmo assim cumprimentou a multidão a bordo do “papamóvel”.

O papa pediu “perdão” em várias ocasiões pelo papel desempenhado por “muitos cristãos” nesse sistema de aculturação de crianças índias, montado no Canadá pelos governos da época, mas administrado principalmente pela Igreja Católica.

Entre o final do século XIX e os anos 1990, cerca de 150.000 crianças indígenas foram recrutadas à força para mais de 130 destas instituições. Aí foram isolados das famílias, da língua e cultura, e foram frequentemente vítimas de violência. Pelo menos 6.000 crianças morreram nestas instituições.

Questionado sobre a “Doutrina da Descoberta”, os éditos papais do século XV que autorizavam as potências europeias a colonizar terras e povos não cristãos, o papa considerou essa doutrina da colonização “errada” e “injusta”.

“Essa mentalidade de que somos superiores e os nativos não importam é grave. Para isso, temos que trabalhar nesse sentido. Voltar e limpar tudo o que foi mal feito, mas percebendo que hoje também há o mesmo colonialismo”, respondeu.

No Quebeque e em Iqaluit, no arquipélago ártico, os nativos canadianos exibiram cartazes e faixas durante os encontros com o papa para pedir a “revogação” dessa doutrina.

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