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Oposição interna no BE chama-se ‘Convergência’ (e integra ex-deputado por Braga)

Política

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Pedro Soares e José Manuel Cardoso, antigo e atual deputados por Braga. Foto: DR /Arquivo

O movimento Convergência, do Bloco de Esquerda, defende num manifesto hoje divulgado que o partido deve retomar a ação nas ruas, e não se acomodar aos “labirintos de São Bento”, nem esquecer o socialismo enquanto objetivo estratégico.

“Queremos um Bloco que vá à luta, que não se iluda nem se acomode nos labirintos de São Bento, que não amoleça nas mesuras da negociação institucional nem se deslumbre com a presença na comunicação social, um Bloco que retome a rua, a empresa, o bairro, a escola, o campo como o centro de gravidade da ação política, onde se disputam e se conquistam as maiorias sociais”, sustentam na moção divulgada, que foi preparada durante um encontro no domingo.

O manifesto sublinha: “Não perdemos de vista que o nosso objetivo estratégico é o socialismo”.

Na pré-campanha para as eleições legislativas de 06 de outubro, a coordenadora do BE, Catarina Martins, referiu-se ao programa eleitoral do partido como sendo, “na sua essência, um programa social-democrata”, numa entrevista ao jornal online Observador.

Além do texto do manifesto a Convergência, que não é uma tendência formal dentro do BE, divulgou também os nomes que compõem a “articulação nacional” do movimento, aprovados por voto secreto na reunião de domingo, que decorreu na fábrica de Braço de Prata, em Lisboa.

Destacam-se nomes ligados à UDP (um dos partidos que esteve na fundação do BE, atualmente uma associação política), como o militar de Abril Mário Tomé, Carlos Marques, ou a ativista pelos direitos das mulheres Manuela Tavares, assim como o antigo deputado por Braga Pedro Soares, e o antigo deputado por Santarém Carlos Matias.

“Queremos um Bloco de Esquerda democrático, interventivo e dinâmico do topo à base, atento às realidades em que nos movemos, envolvido nas lutas políticas e sociais, grandes e pequenas, onde todos os aderentes são iguais entre si, onde haja respeito pela democracia interna, que confie e incentive as organizações locais, que rompa com os estereótipos viciantes e degradantes dos velhos partidos tradicionais e que se saiba construir segundo novas e fecundas lógicas de movimento”, sustentam.

No manifesto, com dez páginas, defendem que a “reversão das leis laborais e o fim do abuso da precariedade” é um “combate decisivo a ser travado” e apontam para o próximo Orçamento do Estado (OE) para 2020.

“O compromisso do BE com a revisão da lei laboral, ou a falta dele, deve determinar a posição do Bloco acerca do Orçamento do Estado. Sem complexos, o Bloco assume-se como oposição influente, mas como oposição”, argumentam, sem apontarem para um sentido de voto específico.

No documento, criticam o que consideram ser, na vida interna do partido, “uma crescente fulanização típica dos partidos sociais-democratas ou dos vanguardismos iluminados”.

“Esta situação está a bloquear a capacidade de crescimento e de ampliação da influência política, enraizada nos movimentos sociais, nas lutas contra a discriminação e as injustiças, nas populações, nos trabalhadores e nos territórios”, acusam.

Para os subscritores do manifesto, “o centro de gravidade do Bloco tem de ter mais movimento e mais local, não só pela preparação das autárquicas – normalmente desvalorizadas -, mas por ser imperioso enraizar e dar sustentabilidade à intervenção geral bloquista”.

Apesar de o manifesto divulgado fazer referência a questões de curto prazo, como o OE, este movimento tinha, através de João Madeira, assumido no domingo aos jornalistas a ideia de transformar este documento numa moção a levar à próxima Convenção do partido, que se realiza no final de 2020.

“Vamos à convenção apresentar uma moção. As listas não são independentes das moções. A existência de uma moção política implica assumir responsabilidades na apresentação de uma lista. O resultado que obtivermos refletir-se-á na nossa participação dentro das estruturas nacionais do Bloco. Não se trata de disputar o cargo A ou B”, afirmou João Madeira.

Ou seja, a moção a ser levada à convenção nacional do BE estará associada a uma lista aos órgãos nacionais.

“O que daí resultar traduzir-se-á na nossa influência nos órgãos nacionais. É necessário que o espaço democrático da convenção permita o aparecimento de várias propostas de natureza política e que possa traduzir em repartição proporcional dos lugares”, justificou João Madeira aos jornalistas.

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País

Os números do Euromilhões

Sorte

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Foto: O MINHO

É esta a chave do sorteio do Euromilhões desta sexta-feira, 24 de janeiro: 3, 4, 6, 9 e 24 (números) e 5 e 8 (estrelas).

Em jogo para o primeiro prémio está um valor de 28 milhões de euros.

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País

Bloco de Esquerda avisa que medidas acordadas para abstenção na generalidade não chegam

Orçamento do Estado 2020

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Foto: Twitter / Arquivo

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, avisou esta sexta-feira que as medidas negociadas para viabilizar, na generalidade, o Orçamento do Estado para 2020 não chegam e a especialidade “tem o seu caminho próprio” com as negociações que estão em curso.

À margem de uma audição com pessoas com deficiência organizada pelo partido, Catarina Martins foi questionada pelos jornalistas sobre se o voto contra na votação final global do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020) está a ser equacionado depois de um grupo de crítico da direção, o movimento Convergência, ter desafiado a esquerda a “chumbar” a proposta do Governo caso o PS “mantenha a arrogância”.

“Negociámos muito a sério, garantimos neste Orçamento do Estado que começámos a cumprir a Lei de Bases da Saúde neste legado que nos deixou António Arnaut e João Semedo para salvar o SNS. Teremos o maior orçamento de sempre para o Serviço Nacional de Saúde, sem cativações, com o fim das taxas moderadoras, com o início da exclusividade, com investimento em equipamentos, e isso é muito importante”, lembrou, a propósito das medidas negociadas com o Governo para garantir a abstenção dos bloquistas na generalidade.

No entanto, a líder do BE deixou o aviso que “isso não chega” e que “a especialidade tem também o seu caminho próprio”, no qual os bloquistas estão empenhados.

“Estamos a fazê-las [as negociações]. Até quando é que vamos estar a trabalhar, enfim, o Bloco de Esquerda, como sabem, nunca desiste”, respondeu, quando questionada sobre as negociações em curso.

Perante a insistência dos jornalistas para perceber se é possível o BE vir a votar contra um OE2020 que terá plasmadas as medidas acordadas com o Governo na generalidade, Catarina Martins referiu que “o orçamento será aquele que sair depois das votações na especialidade”.

“E é sobre isso que o Bloco de Esquerda se vai debruçar. Até lá, estaremos a lutar por cada uma das medidas que consideramos importantes“, salientou.

Entre essas medidas estão três fundamentais na área da deficiência, elencadas pela líder bloquista, para que Portugal cumpra a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

A primeira tem a ver com a dotação necessária para cumprir a lei das acessibilidades que há mais de 20 anos que está em vigor e “os edifícios ainda não estão adaptados e portanto as pessoas com deficiência continuam com problemas de mobilidade a ficar fechadas em casa porque não têm acessibilidades”.

“Queremos, para além disso, que o apoio na assistência pessoal, as horas de assistência pessoal aumentem porque as pessoas com deficiência, que estão dependentes de alguém que as ajude, têm que poder contratar as horas necessárias. Só assim se consegue a autonomia”, detalhou, sendo por isso preciso um reforço de dotação orçamental.

Uma outra medida exigida pelo BE é o direito à reforma antecipada para pessoas com deficiência sem penalização porque, na perspetiva de Catarina Martins, “uma pessoa com deficiência não pode ser obrigada a reformar só depois dos 66 anos”.

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País

CGTP diz que Ano vai ser “inevitavelmente” de contestação social

Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses

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Foto: Arménio Carlos / abrilabril.pt / DR

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse esta sexta-feira, em Lisboa, que este ano vai ser “inevitavelmente” de contestação social se o Governo e as empresas continuarem a insistir num modelo de baixos salários.

O líder da intersindical falava aos jornalistas, em Lisboa, no final do plenário de sindicatos da CGTP, órgão máximo entre congressos, o último com Arménio Carlos como secretário-geral, que termina o seu segundo e último mandato em fevereiro.

“Inevitavelmente [este vai ser um ano de contestação] se continuarmos a ser confrontados com o modelo dos baixos salários e com a manutenção de uma legislação do trabalho que desequilibra as relações de trabalho, que generaliza a precariedade, que reduz os rendimentos”, afirmou Arménio Carlos.

“É por mais evidente que os trabalhadores vão lutar”, reforçou o secretário-geral da CGTP, defendendo que “hoje, mais do que nunca, é preciso valorizar os trabalhadores e o país” e que isso passa por aumentar salários, pela estabilidade e segurança no emprego e a regulação dos horários de trabalho.

Segundo Arménio Carlos, estas ideias foram aprovadas por unanimidade no plenário de sindicatos da CGTP, assim como foi aprovado um “apoio solidário às lutas” agendadas, como a manifestação nacional da função pública e a greve no setor da distribuição, ambas para o dia 31.

O dirigente da CGTP disse que ficou também confirmada a realização de “uma semana pela igualdade entre homens e mulheres”, de 02 a 06 de março, bem como a concretização, no dia 26 de março, de uma manifestação dos jovens trabalhadores contra a precariedade.

Já o 1.º de Maio será “especial” em 2020 porque comemora-se num ano em que a CGTP faz 50 anos e em que se celebram 130 anos das comemorações do Dia do Trabalhador, acrescentou.

“Vamos ter um período de intervenção muito ativa, onde o 14.º Congresso da CGTP vai ser o ponto alto desta central sindical”, realçou Arménio Carlos.

Questionado sobre quem será o seu sucessor, o líder da CGTP disse que a questão ainda não foi discutida e que os novos órgãos serão conhecidos até dia 15 de fevereiro, último dia do congresso da central sindical.

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