Seguir o O MINHO

Braga

Mangueiras despejam água para diluir a descarga poluente no rio Este em Braga

Populares lamentam “vergonha para a cidade”

em

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Os Bombeiros Sapadores de Braga, por solicitação da Proteção Civil municipal, que esteve no local a acompanhar a operação, colocaram na tarde desta quinta-feira mangueiras a despejar água para o rio Este de forma a diluir a descarga poluente que matou centenas de peixes.

Ao que O MINHO apurou no local, estão a ser utilizados dois hidrantes e as mangueiras ficarão a despejar água para ‘limpar’ o rio, pelo menos durante toda a noite.

A descarga poluente que matou centenas de peixes e que a AGERE disse ter sido provocada por uma obstrução deliberada – “ato criminoso” – de um coletor foi o assunto do dia em Braga e são muitas as vozes indignadas com a situação.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Isto é uma vergonha para a cidade”

Ao final da tarde desta quinta-feira, o rio Este corria negro, com cadáveres de peixes a flutuar e a encalhar nas pedras. Nas margens, aprazíveis, cidadãos faziam desporto, exercitavam as pernas, numa filosofia grega de “corpo são e mente sã”. No entanto, há algo que incomodava quem por lá passava, nos campos da rodovia, ora de bicicleta, ora em passeio, ora em desporto, talvez fosse a cor do rio, talvez fosse o cheiro, talvez fossem os peixes mortos, talvez fossem os patos vivos, no meio da aparente poluição, que corria, desde a variante do fojo, até ao mar. Uns interrompiam a atividade para ao mirar o rio se impressionarem. Outros já não se impressionavam. Uns protestavam com as diligências das autoridades para que tudo voltasse ao normal. Outros encolhiam os ombros e seguiam seu caminho, até à hora de jantar.

Rafael Ferreira. Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

“Isto é uma vergonha para a cidade”, afirma Rafael Pereira, 60 anos, bracarense, um dos impressionados com o cenário. “Caminho constantemente por aqui, muitas vezes o rio está poluído, mas hoje o caudal está muito baixo e é óbvio”, afirma a O MINHO. “Agora estão a drenar o rio, mas estava cheio de espuma e há peixes mortos em todo o lado”, acrescenta o homem, enquanto aponta para os cadáveres. “Podiam, pelo menos, manter a água limpa, deviam lutar por uma cidade melhor, com a tecnologia que há eles deviam saber de onde vem a descarga. Depois querem um parque jeitoso”.

Mário Malheiro. Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

A água corre, como Mário Malheiro, preocupado com a lontra que ali habita. “Há dois dias eu e a minha mulher vimos uma lontra, espero que sobreviva”, conta o desportista de 50 anos, equipado a rigor.

Ana Paula e a amiga moram naquela zona da cidade e, mesmo com o rio no estado relatado, “ainda assim continua a ser o espaço mais agradável da cidade”. Estavam sentadas num banco a conversar e quando foram abordadas por O MINHO, explicaram: “Normalmente a água poluída é mais para a frente, mas hoje é aqui na rodovia, infelizmente. A cidade não tem mar e gostava que houvesse um rio de verdade”, concluem.

Foto: Tomás Guerreiro / O MINHO

A água continua a correr e os bombeiros inseriram mangueiras no rio, a fim de aumentar o caudal e diluir a poluição.

“Descarga mais nociva nos últimos quatro anos”

Como O MINHO noticiou, uma descarga poluente detetada na quarta-feira à noite matou centenas de peixes no rio Este, em Braga.

A descarga foi provocada pela obstrução de um coletor da AGERE. A empresa municipal fala num “ato criminoso” e adianta que vai apresentar queixa contra terceiros. E “não deixa de estranhar que a mesma situação já foi verificada há 4 anos em igual período pré-eleitoral e nesta mesma zona”.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Esta manhã, a GNR, através do SEPNA, descobriu a origem da descarga e comunicou os factos ao Ministério Público.

Em declarações a O MINHO, o vereador do Ambiente, Altino Bessa, considera que esta foi “a descarga mais nociva nos últimos quatro anos”, recordando – tal como a AGERE – a mesma situação ocorrida pouca antes das últimas autárquicas em 2017.

Populares