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Barcelos

Freguesia de Barcelos irredutível contra muito alta tensão. “O povo é que manda”

Perelhal

em

Foto: José Figueiredo

A freguesia de Perelhal, em Barcelos, voltou a sair à rua, este domingo, contra a linha de muito alta tensão (LMAT), com uma marcha lenta que congestionou o trânsito na Estrada Nacional 103, que liga aquele concelho a Esposende.

Já no dia 19 de julho, a população de Perelhal tinha feito uma marcha lenta que criou longas filas naquela estrada nacional muito movimentada.

Pela freguesia e em viaturas foram colocadas tarjas com palavras de ordem como “REN – A pena de morte acabou em 1911”, “Perelhal diz não à linha de muito alta tensão”, “Não queremos para Perelhal o que os outros não quiseram”, “Alta tensão mata”, “400.000 volts matam”, “Perelhal está em luta”, “Em Perelhal o povo é que manda”.

Foto: José Figueiredo

Foto: José Figueiredo

Foto: José Figueiredo

Foto: José Figueiredo

Foto: José Figueiredo

Foto: José Figueiredo

Foto: José Figueiredo

Foto: José Figueiredo

Foto: José Figueiredo

Na manifestação marcaram presença o deputado na Assembleia da República do Bloco de Esquerda, José Maria Cardoso, e os vereadores José Novais, do PSD, e Domingos Pereira, do movimento independente BTF – Barcelos Terras de Futuro.

O protesto surge poucos dias após Barcelos ter perdido nova batalha jurídica contra a LMAT que a REN está a construir.

O Supremo Tribunal Administrativo (STA) manteve o indeferimento da providência cautelar interposta pelo Município de Barcelos para travar a construção de uma linha de muito alta tensão no concelho.

No acórdão, datado de 02 de julho, o STA decide não admitir o recurso, considerando que o município não foi “persuasivo” nos argumentos que usou para defender que o avanço da linha poderá conduzir a prejuízos de difícil reparação.

Em declarações a O MINHO, o presidente da Junta de Perelhal, Fernando Miranda, tinha explicado que esta nova marcha lenta se realizava por falta de respostas do governo à proposta alternativa de traçado.

A Junta de Freguesia fez uma proposta de alteração do traçado que foi entregue ao governo num processo intermediado pela Câmara de Barcelos.

“[Esta marcha lenta] vai no sentido de pressionar as entidades a uma resposta ao pedido da junta de freguesia”, realça o autarca. “Submetemos uma proposta alternativa, menos gravosa, e até à data não temos respostas de ninguém, embora tenhamos diligenciado nesse sentido”, acrescenta.

Em julho, dois dias antes da anterior manifestação, Fernando Miranda e o presidente da Câmara de Barcelos reuniram em Lisboa com o secretário de Estado da Energia, a secretária de Estado do Ambiente e uma técnica da REN.

“Houve alguns indícios, mas, a partir daí, não houve mais nada, as portas estão todas fechadas, e nós precisamos de saber, porque não vamos andar nisto toda a vida”, critica Fernando Miranda.

A proposta apresentada ao governo “consiste em desviar a linha totalmente dos aglomerados habitacionais, passando onde não provoque nenhum impacto junto de habitações”.

A LMAT já começou a ser instalada no concelho de Barcelos, mas ainda não chegou a Perelhal, que continua a lutar por um novo traçado.

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