Seguir o O MINHO

País

Especialista defende definição de caudais mínimos permanentes para rios com origem em Espanha

Convenção de Albufeira

em

Rio Lima. Foto: Miguel Costa

Uma especialista em recursos hídricos defendeu, esta sexta-feira, a necessidade de incluir caudais mínimos permanentes no protocolo adicional à Convenção de Albufeira para evitar que Espanha possa debitar grandes quantidades de água quando está em risco de incumprimento do acordo.


Para Manuela Portela, professora na área Científica de Hidráulica, Ambiente e Recursos Hídricos do Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico, Espanha tem cumprido a Convenção de Albufeira, que regula o volume de água de todos os rios com origem no país vizinho.

“Nem me passa pela cabeça dizer que Espanha lançou menos água do que devia. Acho que isso era um problema grave a nível dos dois países e acho que isso está fora de questão”, disse.

Já outra questão é a forma como os limites de volumes de água estabelecidos na Convenção para cada trimestre e ano hidrológico têm sido cumpridos.

“O que eu acho que é errado é que não deveria estabelecer volumes, mas um caudal mínimo permanente. É a questão do garrafão: eu tenho um garrafão de cinco litros. Se eu despejar o garrafão lentamente, tenho sempre água a correr. Se for lançando água de Cedillo [barragem do Tejo em Espanha junto à fronteira], ela vai sempre correndo. Se, de repente, estou em pânico e vejo que não cumpro [o volume obrigatório de água] e despejo o garrafão de uma só vez, acontece o que aconteceu”, salientou.

O esvaziamento de Cedillo, a jusante do rio Pônsul, fez com que este rio ficasse semelhante a “um fio de água com margens lavadas”, visível em “imagens chocantes” divulgadas nas redes sociais.

Mas, continuou, se não houvesse a barragem de Cedillo, o rio Pônsul teria naturalmente este aspeto, “obviamente sem as margens lavadas como estão” nas imagens, porque teria alguma vegetação, mas em Portugal “apenas os grandes rios não secam totalmente no verão”.

“O que eu acho que falta aqui, especialmente na componente que vem de Espanha, é associar a estes volumes [de água que são lançados por Espanha] um caudal, uma forma como são lançados”, considerou.

Nesse sentido, a docente considera que, em vez de se falar de revisão da Convenção, se deveria ponderar melhorar o protocolo adicional assinado em 2008, que estabeleceu o volume mínimo e máximo de água que tem de chegar de Espanha, repartido por cada semana, trimestre e ano.

Espanha tem de enviar durante o ano hidrológico, entre novembro e outubro, relativamente ao Tejo, 2.700 hectómetros cúbicos (hm3), mas por trimestre estão apenas estabelecidos valores mínimos que, somados, não chegam aos 1.000 hm3, “com o objetivo de dar flexibilidade na gestão dos caudais ao país vizinho”.

“Se o trimestre for mais húmido, Espanha consegue lançar um pouco mais do que isto trimestralmente, já por conta do ano”, mas em anos mais secos retém água em albufeiras e só lança quando em risco de incumprimento, salientou, considerando que o facto de este ano ter sido consideravelmente seco poderá ter contribuído para que Espanha tenha tido a necessidade de esvaziar subitamente a albufeira de Cedillo, para cumprir o acordo.

“Os valores mínimos são fáceis de cumprir, mas os valores anuais é que não”, sublinhou.

Pedro Teiga, especialista em reabilitação de rios, salientou que a monitorização do fluxo do caudal dos rios portugueses cabe à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e é com base nestes dados e nos parâmetros definidos pela instituição que depois estes peritos melhoram a qualidade dos ecossistemas aquáticos.

Cabe à APA fornecer informação atualizada sobre a monitorização do caudal dos rios , mas “há um relatório relativo a 2017 que ainda não foi tornado público e que está à espera de ser validado”, acrescentou.

Anúncio

País

País. Bombeiro morre a combater incêndio na Lousã

Coimbra

em

Foto: DR / Arquivo

Um bombeiro morreu na tarde deste sábado enquanto combatia um incêndio na serra da Lousã, no distrito de Coimbra, disse o autarca local à RTP.

“Infelizmente, aquilo que de facto aconteceu foi o que já transmitiu e há a a lamentar a perda de uma vida humana, um soldado da paz que, no combate ao incêndio perdeu a vida”, adiantou, revelando ainda que outros quatro bombeiros ficaram feridos, dois em estado grave.

(em atualização)

Continuar a ler

País

BE dá prioridade às leis laborais e admite negociação difícil

OE2021

em

Catarina Martins. Foto: Twitter

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) admitiu hoje que as conversações com o Governo para o Orçamento do Estado de 2021, que arrancam na quarta-feira, vão ser difíceis e indicou como prioridade a legislação laboral.

A quatro dias da reunião agendada com o primeiro-ministro, António Costa, para falar sobre o Orçamento e o Plano de Estabilização Económica e Social (PEES), para fazer face à pandemia de covid-19, Catarina Martins afirmou que vai ouvir “com muita atenção” o “projeto do Governo” para as contas do próximo ano, mas deixou, desde logo, uma prioridade, os direitos e a legislação laboral, a par da necessidade de maior investimento nos serviços públicos.

A meio de uma reunião da mesa nacional do BE, principal órgão entre congressos, a líder bloquista citou o próprio António Costa para ajudar à sua argumentação.

“Como o primeiro-ministro acabou por reconhecer face à Organização Internacional do Trabalho [OIT], se a desregulação do trabalho é a maior fratura exposta desta crise, então os direitos, a regulação do trabalho deve ser a primeira resposta a esta crise”, afirmou.

Segundo o semanário Expresso, o chefe do Governo convocou BE e PCP para uma reunião na quarta-feira, na Residência Oficial de São Bento, em Lisboa, com o Orçamento de 2021 e o PEES na agenda.

Catarina Martins afirmou que os bloquistas não deixarão de levar para a reunião os temas que consideram importante para a discussão, como o “reforço dos serviços públicos essenciais, Serviço Nacional de Saúde e escola públicas”, e também a “questão do emprego”, que “é fundamental neste momento”, e “da regulação laboral”.

Isto porque, argumentou, o que poderia acontecer “era manter a desregulação laboral”, permitir a ideia de que “o apoio às empresas fosse um prémio a quem prejudicasse os trabalhadores mais depressa porque não tem uma visão de longo prazo”.

“A única forma de nos defendermos, defender o investimento na economia e garantir que não é para uns poucos, mas sim para um país, com trabalho e com emprego, é [defender] os direitos dos trabalhadores, a regulação laboral”, acrescentou.

Questionada sobre se a negociação para o próximo Orçamento será “mais fácil ou mais difícil” do que noutros anos, a líder dos bloquistas respondeu numa frase: “Não conheço negociações fáceis. Portanto, não sei fazer a comparação.”

Continuar a ler

País

“Portugal não pode chegar ao inverno como está hoje”

Diz Ricardo Mexia

em

Foto: DR / Arquivo

Portugal corre o risco de não conseguir responder a um ressurgimento de casos de covid-19 no inverno, afirmou hoje o médico de Saúde Pública Ricardo Mexia, considerando que o país não pode chegar a essa altura como está hoje.

“Já tivemos algum tempo para nos prepararmos depois daquele embate inicial” em que se evitou o crescimento exponencial de casos que se verificou em países como Espanha, mas “do ponto de vista de preparação dos recursos, o que constatamos é que não houve verdadeiramente um planeamento e os problemas que enfrentamos na região de Lisboa e Vale do Tejo estão, por demais, à vista”, afirmou Ricardo Mexia em declarações à agência Lusa.

“É importante que neste momento consigamos reduzir aquilo que é a disseminação da doença no país. Se quando chegar o inverno já estivermos neste patamar, a possibilidade de as coisas entrarem num crescimento ainda mais difícil de controlar é real”, alertou.

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública apontou que “não se reforçaram as unidades de saúde pública com a capacidade de resposta necessária para acorrer às situações em tempo útil”.

“Nós devíamos agora, durante um período em que não estamos tão pressionados com outros problemas de saúde, como é o caso da gripe, conseguir empurrar os números para baixo, mas para isso temos que pôr recursos no terreno para conseguirmos controlar a situação”, defendeu.

Ricardo Mexia afirmou estar “surpreendido por não haver mais medidas de reforço das unidades de saúde pública” mas ressalvou querer “acreditar que isso também estará incluído” na preparação do próximo ano letivo e nos meses de outono que se seguem, que coincidem com o início da época da gripe sazonal.

Será a primeira vez que a gripe sazonal coincide com a covid-19 e a época de vacinação da gripe deverá começar mais cedo, sobretudo no que diz respeito aos profissionais de saúde, defendeu.

Os sintomas de covid-19 e da gripe são “semelhantes numa fase inicial”, salientou, afirmando que “provavelmente, torna-se difícil destrinçar” entre casos de uma e de outra se não houver reforço dos diagnósticos laboratoriais.

Por outro lado, as medidas adotadas por toda a sociedade para prevenir a covid-19 – higiene das mãos, uso de máscara, etiqueta respiratória – “também são úteis para reduzir a disseminação da gripe e, portanto, poderá haver uma vantagem nesse sentido”.

“Se conseguirmos antecipar a época de vacinação da gripe e assegurarmos que a cobertura é mais alargada, particularmente no que diz respeito aos profissionais de saúde, podemos até ter uma época de gripe mais ligeira”, considerou, indicando que isso seria útil para não colocar o sistema de saúde “em maiores dificuldades” por ter também que lidar com “o previsível número de casos de covid-19”.

Mas o melhor, defende, é que todos se preparem “para um inverno um pouco mais severo, no sentido de haver, eventualmente, um maior número de casos” de covid-19.

Isso passa por Portugal conseguir “identificar rapidamente os casos, ter diagnóstico laboratorial disponível” suficiente e rápido, capacidade de isolar casos e colocar contactos em quarentena, ter oferta de ventiladores e camas de cuidados intensivos.

Ricardo Mexia aponta “adaptação” como uma palavra chave para o próximo outono e inverno: “a minha expetativa é que agora, com o tempo, com mais recursos para programar essa nova realidade, se consiga ter as coisas mais bem preparadas para o inverno”, declarou.

Mantendo em algum grau o teletrabalho e as aulas à distância, poder-se-á “reduzir a probabilidade de disseminação da doença e também reduzir a necessidade de medidas mais drásticas mais generalizadas”, afirmou.

Nas escolas, “as aulas terão que ser adaptadas” e, sendo “difícil cumprir o distanciamento físico em salas de aula que, já de si, não são normalmente muito grandes, se não se conseguirem desdobrar as turmas, é possível que não se consiga” o distanciamento físico de um metro entre alunos apontado pela Direção Geral da Saúde como mínimo, notou.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 560 mil mortos e infetou mais de 12,52 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.654 pessoas das 46.221 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Continuar a ler

Populares