Seguir o O MINHO

Guimarães

Entrou no hospital de Guimarães com febre e acabou 21 dias nos cuidados intensivos

Uma história de sobrevivência ao coronavírus

em

Roriz Mendes. Foto: Rui Dias / O MINHO

A 16 de abril, Roriz Mendes entrou no Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, pelo seu próprio pé, além do corrimento nasal e de uma febre que persistia, não tinha queixas severas. Nada o fazia antecipar que só sairia dali um mês depois, numa cadeira de rodas.


Hoje, os médicos ainda estão longe de saber tudo sobre o SARS- CoV-2, mas em abril sabiam ainda menos. As notícias falavam de ventiladores, ou antes, da falta de ventiladores, e de Itália chegavam imagens de hospitais num estado caótico e de enterros em massa, com transporte em camiões do exército, sem a presença de familiares. O país estava fechado em casa desde que, a 18 de março, o Presidente declarou o estado de emergência.

Neste cenário, Roriz Mendes, apesar de não estar rendido à epidemia de pânico que acompanha a pandemia de covid-19, cumpria com as determinações do Governo e das autoridades sanitárias. “A empresa já estava fechada, como todas. As atividades da Irmandade também estavam muito reduzidas”, explica o empresário de 66 anos, que também é juiz da Irmandade da Penha. “Os meus dias reduziam-se a um passeio na ciclovia, com um amigo, durante a manhã e uns passeios de tarde com a esposa. Víamos os netos da janela, para evitar o contacto”, recorda.

Roriz Mendes. Foto: Rui Dias / O MINHO

Nunca soube de onde veio “a peste”, até porque à sua volta todos fizeram testes e deram negativo, o certo é que foi apanhado pelo vírus. O corrimento nasal pode ter sido o primeiro sintoma, que desprezou porque já lhe acontece habitualmente, nas mudanças de estação. Fez a medicação do costume e deitou o problema para trás das costas. No dia 15 de abril, à noite, tinha febre. Tomou Benuron e deitou-se, na expetativa de que acordaria melhor. No dia seguinte, a febre continuava. “Foi nessa altura que decidi que ia fazer um teste, mas não queria ir ao hospital”, confessa.

A filha mais nova é que não foi em conversas, telefonou a um médico amigo que o convenceu que a melhor decisão era ir ao hospital. Entrou a caminhar, “sem grandes sintomas além da febre”. Naquela altura os testes ainda demoravam 24 a 48 horas, portanto, não havia forma de ter um diagnóstico na hora.

“Fizeram-me um raio x que foi inconclusivo e decidiram fazer uma TAC”, recorda-se que estava impaciente, afinal tinham passado horas desde que ali tinha entrado. A pulseira que lhe puseram na urgência era verde, parecia bom sinal.  Contudo, a TAC deu aos médicos a certeza que precisavam para tomar a decisão de internamento. “Tirei a minha roupa, a aliança, o relógio, deixei o telemóvel, fiz tudo isso sozinho”, relembra que não se sentia particularmente doente. 

Urgência do Hospital de Guimarães. Foto: DR

Mesmo sem sentir, o vírus progredia silencioso nos seus pulmões. Só voltaria a ver o telemóvel, várias semanas mais tarde, num momento que recorda como a religação ao mundo. “Voltei a ler as notícias”.

Dois dias depois de estar internado, a 18 de abril, foi mudado de piso. “Deve ter chegado o resultado do teste, positivo. Levaram-me para o piso 11, só me lembro de passar uma porta que dizia em letras garrafais: covid. Pensei, pronto!”

Um túnel que durou 21 dias

Os 21 dias seguintes forma passados em cuidados intensivos. Queixa-se que chegou ali com muito pouca informação. “Fui bem tratado no hospital, mas não havia informação”, lamenta. Depois entrou num túnel do qual só tomou consciência quando acordou do outro lado. “Acordei sozinho, estendido numa cama, todo entubado. Arranquei logo aquilo tudo! Posso até ter prejudicado a minha recuperação, mas estava sozinho…”

Tinha atravessado o túnel, mas não estava a salvo, seguiram-se dias difíceis. “Não podia comer nem beber. Por causa das lesões provocadas pelos tubos, só podia ingerir alimentos pastosos. A água era misturada com um espessante para que não fosse para os pulmões. Que saudades de um copo de água!”

Enfiados nos fatos e nas máscaras, não distinguia os enfermeiros dos médicos

Continuava isolado, sem visitas, sem telefone. É um homem de fé, virou-se para a Senhora da Penha e para a sua estrelinha (a mãe que perdeu aos 13 anos) e pediu-lhes força e paciência para superar a provação. “Quando vinham os médicos e os enfermeiros não distinguia uns dos outros, todos enfiados naqueles fatos com aquelas máscaras”. Já tinham passado várias semanas desde o último contacto humano normal que tinha mantido e a resistência tem limites. 

Roriz Mendes. Foto: Rui Dias / O MINHO

Valeu-lhe uma sobrinha, estagiária de medicina, que o foi visitar e lhe levou o telemóvel. “Como é que se saí daqui. Dá-me uma razão médica para sair daqui, ajuda-me. Eu quero ir embora,” pediu à sobrinha. O que viu no telefone deu-lhe algum alento. “Senti que a cidade se preocupava comigo”, refere relativamente às inúmeras mensagens que tinha acumulado ao longo daqueles dias. “Amigos, conhecidos, adversários políticos, todos acharam que ainda não era a minha hora”, refere com alegria.

“…mais um dia ou dois e interna-me no Conde Ferreira”.

O médico (por sinal um amigo) acabou por chegar. “Quero ir embora”, disse-lhe. “Mas você não anda, não come, está fraco”, retorquiu-lhe o médico. “Sim, mas mais um dia ou dois e interna-me no Conde Ferreira”. Ficou claro para a família e para o médico que era melhor ir para casa.

Entrou a caminhar, saiu em cadeira de rodas. No dia em que os bombeiros o deixaram em casa começava a última etapa da maratona, a recuperação. “Na primeira noite o meu irmão veio dormir a minha casa, depois tive um cuidador e fisioterapeuta”. Reconhece que ter capacidade financeira ajudou. A fisiatria do hospital estava fechada e se não tivesse capacidade de suportar os custos, só teria começado a recuperação no fim de junho.

Roriz Mendes. Foto: Rui Dias / O MINHO

Desde que saiu do hospital até se sentir completamente recuperado, “por alturas da primeira semana de agosto”, ainda foi um duro caminho. “Tinha de comer tudo passado, nem água podia beber. Cheguei a comer um arroz de frango passado” ri-se.

Agora considera-se recuperado a 99,9%. Os 0,1% são, provavelmente, a marca que uma experiência como esta deixa em qualquer ser humano. “Não senti a morte perto, mas cheguei a perguntar à minha estrelinha: tu abandonaste-me?”

No balanço desta experiência que acabou bem, crítica a pouca informação que lhe foi chegando, embora reconheça que foi sempre bem tratado e deixa um alerta para os estigmas que se criam, mesmo inadvertidamente: “ caminhava por um corredor e de um lado, pintado a vermelho, dizia, “sujos”, do outro lado, pintado de verde, “limpos”.

Roriz Mendes está “limpo”, de volta à sua família, à empresa, à cidade de Guimarães e à Irmandade da Penha.

Anúncio

Guimarães

Bombeiros das Caldas das Taipas com sete infetados

Covid-19

em

Foto: Ilustrativa / DR

Há sete bombeiros infetados na corporação de Caldas das Taipas, em Guimarães. Há ainda dez voluntários em isolamento.

A informação foi confirmada ao Guimarães Digital, do Grupo Santiago, pelo presidente da instituição, José das Neves Machado, assegurando que o plano de contingência foi de imediato implementado e o corpo de bombeiros segue em “normal funcionamento”.

Em declarações àquele órgão, o responsável felicita “os bombeiros pela forma como se têm comportado na prevenção, mas enfrentam outros riscos pois estão na linha da frente e transportam doentes todos os dias com covid-19 dos concelhos de Guimarães e Braga”.

“Embora bem equipados, é natural que tenham contraído o vírus”, conclui José das Neves Machado.

Continuar a ler

Guimarães

Guimarães reforça ações de sensibilização no terreno para combate à pandemia

Covid-19

em

Foto: Divulgação / CM Guimarães

A Câmara de Guimarães anunciou um reforço na “importância das atitudes individuais para prevenir a disseminação da doença da covid-19, em articulação com várias instituições, através de iniciativas em curso”.

O presidente da Câmara, Domingos Bragança, insiste que “a comunicação direta com a população é uma das melhores armas que temos de usar de uma forma assertiva para sensibilizar a comunidade a cumprir todas as regras de segurança recomendadas pelas autoridades de saúde”. Domingos Bragança alerta que “a responsabilidade é de todos” e no âmbito deste período de incertezas “torna-se fundamental chegar a cada uma das pessoas para terem uma melhor consciência da importância das medidas de prevenção”.

Através de uma unidade móvel multimédia estão ser exibidas mensagens de alerta e recomendações, com passagens pelas freguesias do concelho de Guimarães. A Polícia Municipal está, igualmente, a ter um desempenho no terreno no âmbito da prevenção, na interação com as pessoas.

Através das propostas apresentadas pela Bolsa de Facilitadores, criada pelo Gabinete de Juventude, foram ainda elaborados vídeos com mensagens direcionadas para a população mais jovem, em colaboração com os profissionais de saúde do Hospital da Nossa Senhora da Oliveira, com transmissão nos canais do Município de Guimarães.

A todas estas ações acrescem as equipas multidisciplinares, quer as de suporte escolar, quer as de suporte comunitário.

Continuar a ler

Guimarães

Restauração e hotelaria de Guimarães outra vez na rua em protesto

em

Empresários, funcionários, familiares e fornecedores da restauração e hotelaria de Guimarães voltaram a sair à rua este sábado, dia 21. Desde o Campo de São Mamede até ao largo do Toural os manifestantes marcharam empunhando cartazes com mensagens para António Costa.

“Quanto é que os deputados já perderam com a crise?” – Podia ler-se num dos cartazes. Erma inúmeras as mensagens dirigidas ao primeiro-ministro e ao Governo.

Os manifestantes queixam da “falta de medidas concretas para ajudar o setor”. O apoio proposta pelo Governo, assente em 20% da faturação deste ano, leva os ânimos ao rubro. “É ridículo, é nada e não tem expressão nenhuma no orçamento do Estado”, crítica Pedro Fernandes, empresário do setor da restauração. Um cartaz perguntava: “quanto é que os deputados já perderam com a crise?”.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Pedro Fernandes lembra o Governo que “se se pede aos empresários para não despedirem é preciso ajudá-los”. “Eu tenho dez empregados comigo, como é que lhes vou pagar se não faturo?”. O empresário confessa que no primeiro confinamento teve perdas que ultrapassaram os 30 mil euros. “Naquela altura aguentei, que remédio, o verão não foi famoso, foi para começar a trabalhar, mas com esta paragem é o fim. Há algumas empresas que recorreram ao crédito no primeiro confinamento, esses agora já não tem margem para mais nada, vão começar a fechar”, conclui.

Não estavam previstos discursos na chegada da marcha ao largo do Toural, mesmo assim, Nuno Freitas, administrador do ramo hoteleiro, improvisou um palanque a partir de um banco de jardim. “Queremos uma estratégia nacional para podermos definir uma estratégia local, queremos saber os que se vai passar nos próximos três meses”, reclamou. “Para que é que se está a fazer esta árvore se não a vamos poder ver? Para que é que estamos a fazer isto?” – Perguntou Nuno Freitas apontando para a grande árvore de Natal, a ser montada ali ao lado. 

O administrador hoteleiro fala de uma redução da faturação, na sua empresa, para um quarto, “isto enquanto mantemos 40 funcionários”.  Nuno Freitas queixa-se principalmente da incerteza. “Ou é para fechar ou é para abrir e não é com 20%, porque 20% da faturação deste ano só significa uma coisa, é cofres vazios”, afirmou. “Não estamos a pedir 20% nem a pedir esmola, estamos a pedir uma estratégia”, continuou. “Se não for assim, vamos outra vez para a terra cultivar”, terminou. A multidão recebeu o discurso improvisado com aplausos e o bater dos tachos, um símbolo do setor muito visto na manifestação.

Nuno Freitas deixou uma pergunta para Presidente da República: “Estamos dependentes do primeiro-ministro húngaro?”.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

 Muitos empresários presentes lembraram a importância que os setores da hotelaria e da restauração tiveram para o sucesso do turismo em Portugal. “Durante muito tempo andamos a pagar pesados impostos, é importante que esse dinheiro tenha sido bem gasto, para que agora nos possam ajudar”.

O presidente da Associação Vimaranense de Hotelaria, Ricardo Pinto da Silva, que organizou esta marcha, afirma que o que é importante é que o Governo os ouça e tome medidas de apoio efetivo aos setores da hotelaria e da restauração. 

Relativamente à reunião que tiveram com a Câmara Municipal, o presidente da AVH, defende que as medidas tomadas pelo Município são “importantes para mitigar os efeitos desta crise”, mas há outras medidas que não dependem da Câmara que fazem parte do manifesto que a associação endereçou primeiro-ministro. Este manifesto continha oito propostas concretas:

  1. Isenção do pagamento da Taxa Social Única, por um período de 8 meses;
  2. Redução da taxa de IVA aplicável à restauração para o valor de 6% em todos os produtos até 2022;
  3. Isenção de 50% das rendas devidas pelos estabelecimentos de hotelaria e restauração no âmbito dos respetivos contratos de arrendamento. Este valor seria parcialmente comparticipado pelo Estado, por um lado, isentando o valor de retenção na fonte, quer através da isenção do pagamento da taxa liberatória pelos senhorios dos rendimentos prediais obtidos no âmbito destes contratos;
  4. Implementação de novas moratórias fiscais e contributivas, nomeadamente quanto ao pagamento de IRC;
  5. Majoração de 50% dos tetos máximos dos valores previstos para o apoio a fundo perdido do programa Apoiar.pt dirigidos quer ao sector da hotelaria, quer ao sector da restauração, à semelhança do que sucede com o sector da animação noturna (11.250€ para microempresas e 60.000€ para pequenas empresas);
  6. Apoio excecional e complementar para o sector da hotelaria correspondente a 20% da quebra de faturação nos períodos em que existam restrições à circulação, nos mesmos moldes previstos para o sector da restauração, para compensar a total paralisação da atividade que essas limitações originaram;
  7. Implementação imediata (e não até ao final de 2020) das regras que flexibilizam o acesso ao programa de Apoio à Retoma Progressiva para todas as empresas do sector da hotelaria e da restauração;
  8. Implementação imediata de incentivos mensais a fundo perdido, correspondentes a 20% da quebra de faturação em relação ao período homólogo do ano anterior.

Estas medidas dependem do Governo e, nessa medida, Ricardo Pinto da Silva apela à Câmara Municipal de Guimarães para mover a sua influência junto do executivo de António Costa. 

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

O presidente da AVH menciona quebras superiores a 60% na restauração. Na hotelaria o cenário é catastrófico, com uma redução média da faturação, até outubro, de 90%, segundo o presidente da AVH. “A mensagem que nos é transmitida diariamente pelo Governo é de medo, incutir o medo na população e está a resultar”, crítica Ricardo Pinto Silva.

“A despesa que está a ser feita neste momento não é canalizada para os sítios certos”, comentou o presidente da AVH, relativamente à iluminação de Natal.

Uma das preocupações da organização foi manter-se apartidária, Pedro Fernandes fez depender dessa premissa a participação na manifestação nacional que está prevista para o dia 25 (o último dia para pagamento de impostos ao Estado).

Há margem da manifestação, já no final, Bruno Fernandes, líder do PSD de Guimarães, encontrou-se com alguns dos participantes. O líder social-democrata manifestou o seu apoio às reivindicações dos manifestantes e sustentou que “são necessárias medidas mais robustas para ajudar este setor, até para que possa manter os níveis de emprego”.

Continuar a ler

Populares