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Diretores hoteleiros dizem que taxa turística “é um saco azul” das autarquias

Braga e Guimarães pretendem aplicar taxa turística ainda este ano

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Foto: Facebook de Bolsa de Turismo de Lisboa (2019)

O presidente da Associação de Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP) disse hoje que a taxa turística existente em alguns municípios “é um saco azul que se arranjou” nessas autarquias que não justificam onde investem esse dinheiro.

“Aquilo vai para o bolo das câmaras, que é uma fonte de rendimento rápido, porque afinal, se a gente tem 100 mil turistas, mete lá um euro e tem mais 100 mil euros no fim do ano, é um saco azul que se arranjou, um bocadinho seguindo na galinha dos ovos de ouro e acho que isso é muito perigoso”, acusou Raul Ribeiro Ferreira.

O responsável falava à agência Lusa, no final da sessão de abertura do XV congresso da ADHP, a decorrer pela primeira vez em Viseu, onde comparava que “nem o turismo tem a galinha que deita ovos de ouro, nem é uma galinha, é um pinto”, o que no seu entender “é um problema”.

Raul Ribeiro Ferreira deu o exemplo os principais destinos turísticos portugueses, onde “a operação é ainda feita com valores muito baixos e muito sazonalmente”, rejeitando “valores de 150, 200 ou 300 euros, como às vezes se faz crer, há situações pontuais, mas são pontuais, não é a realidade do país”.

“Nós não discutimos de uma forma geral, porque acho que ainda não é essa a função, se devem ou não existir as taxas, o que nós discutimos é a forma de por que é que existem? E aí é que acho que está errado, primeiro, porque muitas das taxas estão mal enquadradas legalmente, porque são taxas que não podem ser usadas para o turismo”, apontou.

Dentro das autarquias que cobram esta taxa, Raul Ribeiro Ferreira ressalvou a “Câmara de Lisboa, porque tem um enquadramento jurídico diferente” mas, muitas delas estão erradas”.

“A forma como têm cabimento os orçamentos da câmara, aquilo não pode ser mais uma fonte de receita para a câmara, a câmara tem de dizer: eu vou cobrar uma taxa e em que é que vou gastar essa taxa e tem que provar que a gastou e isso não é feito”, apontou.

No seu discurso na sessão de abertura, para cerca de 250 participantes, Raul Ribeiro Ferreira falou ainda em “alguma hipocrisia”.

“Parece-nos que há aqui alguma hipocrisia nesta discussão, porque põem o foco do lado de que não custa nada ao turista pagar um euro, e às vezes já vai em mais de um euro em alguns sítios, mas o problema é que o turista não paga para estar num hotel, quanto mais pagar uma taxa turística”, disse.

O presidente diz que “há taxas a nascer pelo país, começou por Lisboa e depois passou para o Porto, Cascais, no Algarve já se falou e agora fala-se em Guimarães”.

O congresso começou hoje na cidade de Viseu, com a entrega dos “Xénios 2018” ou seja, os prémios de excelência na hotelaria, e prolonga-se até sábado.

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