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Guimarães

Fábrica de Guimarães mantém laboração para calçar “guerreiros da pandemia”

A vimaranense Lavoro continua em plena laboração, produzindo calçado para profissionais de saúde, bombeiros, militares do exército e trabalhadores de supermercados e da área da logística.

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Foto: DR

Centrada no nicho de equipamento de proteção individual (EPI), a fabricante portuguesa de calçado Lavoro, de Guimarães, continua em plena laboração, para “não deixar descalços” aqueles que estão na linha da frente do combate à pandemia da Covid-19.


“Temos de manter a fábrica aberta, para ajudar toda a indústria que está agora em pressão e todos os profissionais e toda a gente que continuam a servir a população, tanto em Portugal como no estrangeiro”, refere à Lusa Teófilo Leite, administrador da Indústria de Comércio de Calçado, que detém a marca Lavoro.

Profissionais de saúde, bombeiros, militares do exército e trabalhadores de supermercados e da área da logística são agora, com a Covid-19 a fazer estragos um pouco por todo o lado, os grandes focos da empresa.

Para segundo plano, à espera de melhores dias, fica por agora o calçado para a construção civil e várias outras atividades industriais que normalmente têm um peso decisivo no volume de negócios.

Teófilo Leite fala numa quebra de cerca de 60 por cento, mas sublinha que uma empresa “bem calçada” como a Lavoro não vai abaixo com facilidade.

“Não há mal que não traga bem”, atira o administrador, convicto de que aquela quebra será compensada com novas encomendas provenientes de outros setores de atividade que atualmente “dão o peito às balas” no combate à Covid-19.

Como exemplo, aponta parceiros na Alemanha que estão a reforçar encomendas de calçado à prova do frio, para operar nas áreas da refrigeração e armazenamento do setor alimentar.

No último ano, a Lavoro faturou 17 milhões de euros e para este colocou a fasquia nos 20 milhões.

Uma meta que se mantém, apesar da crise pandémica.

Entre 65 e 70 por cento da produção é para exportação para perto de 60 países, sobretudo da Europa, mas o calçado de segurança da Lavoro chega também a destinos mais ou menos improváveis, como a Mongólia.

A fábrica emprega 240 trabalhadores, a esmagadora maioria dos quais se mantém ao serviço, com exceção daqueles, poucos, que apresentam alguma patologia que os poderá tornar mais vulneráveis face a um eventual ataque do novo coronavírus.

Ana Rita, uma das responsáveis pelo plano de contingência da empresa, explicou à Lusa que, mal se começou a ouvir falar nesse “bichinho”, a empresa analisou as fichas clínicas de todos os colaboradores.

“Os que tinham alguma patologia associada foram mandados para casa, assim como colocámos em teletrabalho todos os que tinham condições para isso”, referiu.

Um dos que está em teletrabalho é Teófilo Leite pai, o homem que há 30 anos fundou a Lavoro e que não se deixa atemorizar pelo momento “complexo” que se vive em Portugal e no mundo.

Por videoconferência, o fundador da empresa disse à Lusa que há que ter a serenidade suficiente para “entender” o momento e a sagacidade necessária jogar “em antecipação”.

Apontou, como exemplo, um projeto de calçado para diabéticos que a empresa tem em curso e que agora deve ser acelerado, para abrir novos mercados ao mercado da Lavoro.

“Temos que olhar para crises anteriores e retomar o plano de substituição das importações – o ‘compre o que é nosso’ é muito importante -, ao mesmo tempo que temos de aumentar as exportações”, referiu.

Entretanto, a laboração segue a velocidade de cruzeiro.

Nalguns casos, como diz Teófilo Leite filho, a empresa está até a fazer horas extras para atender às encomendas de produtos específicos para quem está envolvido no combate à pandemia.

À incerteza que inquieta na atualidade, o empresário contrapõe uma certeza que lhe dá força para continuar: “vai ficar tudo bem, seguramente”.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 100 mortes, mais 24 do que na véspera (+31,5%), e registaram-se 5.170 casos de infeções confirmadas, mais 902 casos em relação a sexta-feira (+21,1%).

Dos infetados, 418 estão internados, 89 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

Além disso, o Governo declarou no dia 17 o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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Guimarães

Bombeiros das Caldas das Taipas com sete infetados

Covid-19

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Foto: Ilustrativa / DR

Há sete bombeiros infetados na corporação de Caldas das Taipas, em Guimarães. Há ainda dez voluntários em isolamento.

A informação foi confirmada ao Guimarães Digital, do Grupo Santiago, pelo presidente da instituição, José das Neves Machado, assegurando que o plano de contingência foi de imediato implementado e o corpo de bombeiros segue em “normal funcionamento”.

Em declarações àquele órgão, o responsável felicita “os bombeiros pela forma como se têm comportado na prevenção, mas enfrentam outros riscos pois estão na linha da frente e transportam doentes todos os dias com covid-19 dos concelhos de Guimarães e Braga”.

“Embora bem equipados, é natural que tenham contraído o vírus”, conclui José das Neves Machado.

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Guimarães

Guimarães reforça ações de sensibilização no terreno para combate à pandemia

Covid-19

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Foto: Divulgação / CM Guimarães

A Câmara de Guimarães anunciou um reforço na “importância das atitudes individuais para prevenir a disseminação da doença da covid-19, em articulação com várias instituições, através de iniciativas em curso”.

O presidente da Câmara, Domingos Bragança, insiste que “a comunicação direta com a população é uma das melhores armas que temos de usar de uma forma assertiva para sensibilizar a comunidade a cumprir todas as regras de segurança recomendadas pelas autoridades de saúde”. Domingos Bragança alerta que “a responsabilidade é de todos” e no âmbito deste período de incertezas “torna-se fundamental chegar a cada uma das pessoas para terem uma melhor consciência da importância das medidas de prevenção”.

Através de uma unidade móvel multimédia estão ser exibidas mensagens de alerta e recomendações, com passagens pelas freguesias do concelho de Guimarães. A Polícia Municipal está, igualmente, a ter um desempenho no terreno no âmbito da prevenção, na interação com as pessoas.

Através das propostas apresentadas pela Bolsa de Facilitadores, criada pelo Gabinete de Juventude, foram ainda elaborados vídeos com mensagens direcionadas para a população mais jovem, em colaboração com os profissionais de saúde do Hospital da Nossa Senhora da Oliveira, com transmissão nos canais do Município de Guimarães.

A todas estas ações acrescem as equipas multidisciplinares, quer as de suporte escolar, quer as de suporte comunitário.

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Guimarães

Restauração e hotelaria de Guimarães outra vez na rua em protesto

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Empresários, funcionários, familiares e fornecedores da restauração e hotelaria de Guimarães voltaram a sair à rua este sábado, dia 21. Desde o Campo de São Mamede até ao largo do Toural os manifestantes marcharam empunhando cartazes com mensagens para António Costa.

“Quanto é que os deputados já perderam com a crise?” – Podia ler-se num dos cartazes. Erma inúmeras as mensagens dirigidas ao primeiro-ministro e ao Governo.

Os manifestantes queixam da “falta de medidas concretas para ajudar o setor”. O apoio proposta pelo Governo, assente em 20% da faturação deste ano, leva os ânimos ao rubro. “É ridículo, é nada e não tem expressão nenhuma no orçamento do Estado”, crítica Pedro Fernandes, empresário do setor da restauração. Um cartaz perguntava: “quanto é que os deputados já perderam com a crise?”.

Foto: Rui Dias / O MINHO

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Pedro Fernandes lembra o Governo que “se se pede aos empresários para não despedirem é preciso ajudá-los”. “Eu tenho dez empregados comigo, como é que lhes vou pagar se não faturo?”. O empresário confessa que no primeiro confinamento teve perdas que ultrapassaram os 30 mil euros. “Naquela altura aguentei, que remédio, o verão não foi famoso, foi para começar a trabalhar, mas com esta paragem é o fim. Há algumas empresas que recorreram ao crédito no primeiro confinamento, esses agora já não tem margem para mais nada, vão começar a fechar”, conclui.

Não estavam previstos discursos na chegada da marcha ao largo do Toural, mesmo assim, Nuno Freitas, administrador do ramo hoteleiro, improvisou um palanque a partir de um banco de jardim. “Queremos uma estratégia nacional para podermos definir uma estratégia local, queremos saber os que se vai passar nos próximos três meses”, reclamou. “Para que é que se está a fazer esta árvore se não a vamos poder ver? Para que é que estamos a fazer isto?” – Perguntou Nuno Freitas apontando para a grande árvore de Natal, a ser montada ali ao lado. 

O administrador hoteleiro fala de uma redução da faturação, na sua empresa, para um quarto, “isto enquanto mantemos 40 funcionários”.  Nuno Freitas queixa-se principalmente da incerteza. “Ou é para fechar ou é para abrir e não é com 20%, porque 20% da faturação deste ano só significa uma coisa, é cofres vazios”, afirmou. “Não estamos a pedir 20% nem a pedir esmola, estamos a pedir uma estratégia”, continuou. “Se não for assim, vamos outra vez para a terra cultivar”, terminou. A multidão recebeu o discurso improvisado com aplausos e o bater dos tachos, um símbolo do setor muito visto na manifestação.

Nuno Freitas deixou uma pergunta para Presidente da República: “Estamos dependentes do primeiro-ministro húngaro?”.

Foto: Rui Dias / O MINHO

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

 Muitos empresários presentes lembraram a importância que os setores da hotelaria e da restauração tiveram para o sucesso do turismo em Portugal. “Durante muito tempo andamos a pagar pesados impostos, é importante que esse dinheiro tenha sido bem gasto, para que agora nos possam ajudar”.

O presidente da Associação Vimaranense de Hotelaria, Ricardo Pinto da Silva, que organizou esta marcha, afirma que o que é importante é que o Governo os ouça e tome medidas de apoio efetivo aos setores da hotelaria e da restauração. 

Relativamente à reunião que tiveram com a Câmara Municipal, o presidente da AVH, defende que as medidas tomadas pelo Município são “importantes para mitigar os efeitos desta crise”, mas há outras medidas que não dependem da Câmara que fazem parte do manifesto que a associação endereçou primeiro-ministro. Este manifesto continha oito propostas concretas:

  1. Isenção do pagamento da Taxa Social Única, por um período de 8 meses;
  2. Redução da taxa de IVA aplicável à restauração para o valor de 6% em todos os produtos até 2022;
  3. Isenção de 50% das rendas devidas pelos estabelecimentos de hotelaria e restauração no âmbito dos respetivos contratos de arrendamento. Este valor seria parcialmente comparticipado pelo Estado, por um lado, isentando o valor de retenção na fonte, quer através da isenção do pagamento da taxa liberatória pelos senhorios dos rendimentos prediais obtidos no âmbito destes contratos;
  4. Implementação de novas moratórias fiscais e contributivas, nomeadamente quanto ao pagamento de IRC;
  5. Majoração de 50% dos tetos máximos dos valores previstos para o apoio a fundo perdido do programa Apoiar.pt dirigidos quer ao sector da hotelaria, quer ao sector da restauração, à semelhança do que sucede com o sector da animação noturna (11.250€ para microempresas e 60.000€ para pequenas empresas);
  6. Apoio excecional e complementar para o sector da hotelaria correspondente a 20% da quebra de faturação nos períodos em que existam restrições à circulação, nos mesmos moldes previstos para o sector da restauração, para compensar a total paralisação da atividade que essas limitações originaram;
  7. Implementação imediata (e não até ao final de 2020) das regras que flexibilizam o acesso ao programa de Apoio à Retoma Progressiva para todas as empresas do sector da hotelaria e da restauração;
  8. Implementação imediata de incentivos mensais a fundo perdido, correspondentes a 20% da quebra de faturação em relação ao período homólogo do ano anterior.

Estas medidas dependem do Governo e, nessa medida, Ricardo Pinto da Silva apela à Câmara Municipal de Guimarães para mover a sua influência junto do executivo de António Costa. 

Foto: Rui Dias / O MINHO

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O presidente da AVH menciona quebras superiores a 60% na restauração. Na hotelaria o cenário é catastrófico, com uma redução média da faturação, até outubro, de 90%, segundo o presidente da AVH. “A mensagem que nos é transmitida diariamente pelo Governo é de medo, incutir o medo na população e está a resultar”, crítica Ricardo Pinto Silva.

“A despesa que está a ser feita neste momento não é canalizada para os sítios certos”, comentou o presidente da AVH, relativamente à iluminação de Natal.

Uma das preocupações da organização foi manter-se apartidária, Pedro Fernandes fez depender dessa premissa a participação na manifestação nacional que está prevista para o dia 25 (o último dia para pagamento de impostos ao Estado).

Há margem da manifestação, já no final, Bruno Fernandes, líder do PSD de Guimarães, encontrou-se com alguns dos participantes. O líder social-democrata manifestou o seu apoio às reivindicações dos manifestantes e sustentou que “são necessárias medidas mais robustas para ajudar este setor, até para que possa manter os níveis de emprego”.

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