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Classificação em 2001 pela Unesco deu asas a Guimarães para “voos maiores”

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A 13 de dezembro de 2001, o Centro Histórico de Guimarães foi classificado como Património da Humanidade, uma distinção que acarreta “grande mas boa” responsabilidade, que colocou a cidade no mapa e lhe deu asas para “voos maiores”.

O reconhecimento pela Unesco representou o “culminar de um processo”, que teve início com as obras de requalificação, mas foi também o “início de um processo de afirmação” da cidade num polo turístico e cultural, segundo reconheceram à Lusa responsáveis culturais e políticos vimaranenses, a propósito da celebração dos 15 anos do Centro Histórico de Guimarães como Património da Humanidade.

Quando lançamos mão às obras [de recuperação do Centro Histórico] queiramos, antes de tudo, melhorar as condições de vida daquela gente. Fomos pioneiros, muitos acharam que éramos malucos por não seguir o caminho seguido por muitos municípios aqui à volta, que era aderir ao modelo de explosão da construção e destruir tudo”, explicou o autarca que deu inicio às obras, António Magalhães.

“Uma vez dado, porventura, por concluída a empreitada demo-nos conta do que aqui tínhamos e de todo o potencial. Não o podíamos guardar só para nós, tínhamos que nos lançar em voos maiores”, disse, respondendo ao porquê de dar inicio ao processo de classificação pela Unesco.

O impacto da classificação como Património da Humanidade mede-se, por exemplo, pelo Turismo: “A partir de 2001 é nítido o aumento de afluência turística. A notoriedade de Guimarães passa a ser muito maior. Sabemos que o número de alojamentos e visitantes aumentou exponencialmente”, apontou o atual vereador da Cultura vimaranense, José Bastos.

O ano de 2001 “foi o culminar de um processo de recuperação do centro histórico mas foi também o início de um processo de afirmação”, explanou.

E o processo continua: “É [a classificação pela Unesco] uma grande responsabilidade mas boa, uma âncora essencial mas que não queremos ficar por ela. Todos os dias trabalhamos para melhorar esta distinção e para a alargar”, garantiu o atual autarca de Guimarães, Domingos Bragança.

“Pretendemos que além do Centro Histórico seja classificada também a zona tampão [zona de Couros], passando a ter o dobro do território classificado”, definiu.

A classificação pela Unesco foi também rampa de lançamento para um dos grandes voos de Guimarães, a nomeação, em 2006, como Capital da Cultura em 2012.

“Foi o passo mais difícil. Ainda havia muito a fazer. Foi muito duro, mas tínhamos, mais uma vez, algo único, o património arquitetónico e um ambiente cultural e associativo único. E conseguimos”, lembrou António Magalhães.

Mas um Centro Histórico “não se faz só de pedras”, faz-se também de pessoas que vivem no meio dessas pedras.

“É muito bonito viver aqui. Só é pena o barulho”, admitiu Maria de Lurdes, 80 anos, apontando para os bares que enchem uma das praças do centro.

“Nada é perfeito. Para vivermos aqui há regras, as casas são nossas mas não temos todo o poder. Não digo que seja mau, evita coisas mal feitas”, apontou outra moradora daquela área, Maria Emília, 78 anos.

As comemorações dos 15 anos como Património da Humanidade incluem o lançamento de um livro, a colocação de uma instalação artística com 22 balões gigantes iluminados no Largo da Oliveira e Praça de S. Tiago, a Corrida pelo Património e a inauguração da terceira edição do projeto “As Paragens onde o Tempo Habita”, com intervenções artísticas em dezassete abrigos de paragens de transportes públicos no centro urbano de Guimarães.

Um dos “momentos grandes” das celebrações será a inscrição das Nicolinas, festas dos estudantes de Guimarães, no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial da Direção Geral do Património Cultural, com o objetivo de efetivar a candidatura das efemérides a Património Imaterial da Humanidade.

 

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