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Cidades criativas, laboratórios vivos e hospitais premiados… O que esperar de Braga e Barcelos?

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Foto: DR

As cidades de Braga e Barcelos estão em alta. Nas últimas semanas os concelhos foram galardoados em diversas áreas. Ambas foram consideradas Cidades Criativas pela Unesco, foram selecionadas para a primeira fase de desenvolvimento do plano de implementação de um “Laboratório Vivo para a Descarbonização” e tiveram os seus hospitais premiados.

Após tantas indicações e prémios, O MINHO conversou com os responsáveis de alguns desses projetos para perceber qual o impacto e a importância desse reconhecimento para as cidades e para a população.

Braga e Barcelos Cidades Criativas

Braga e Barcelos entraram na rede de Cidades Criativas da Unesco nas categorias Media Arts e Artesanato e Arte Popular, respetivamente.

O prémio confirmou Braga como uma referência nesta área em Portugal. As Media Arts são a integração entre a arte e a tecnologia. Nesta definição estão incluídas áreas como os videojogos, a animação digital, a arte digital e interativa, a arte sonora, o cinema e o vídeo digital, a televisão digital e o uso de tecnologia nas artes performativas.

Segundo Cláudia Leite, administradora do Theatro Circo e responsável da candidatura, a ideia de inscrever Braga fazia todo sentido pelo momento que a cidade passa.

“A cidade de Braga, no fundo, tem forte investimento em empresas de média e alta tecnologia, uma cidade que tem uma série de universidades e institutos, centros de investigação nessa área. Tem o Laboratório Internacional de Nanotecnologia (INL), uma entidade praticamente única ao nível mundial no contexto da nanotecnologia. Fazia todo o sentido essa candidatura, pela visibilidade em um contexto mais europeu e internacional, mas também para as pessoas trabalharem em conjunto”, explicou.

De acordo com Cláudia, o objetivo agora é colocar a cidade no mapa internacional nesta área.

“O mais imediato é colocar a cidade no mapa internacional nesta área e trazer reconhecimento. Traduz em termos práticos não só o interesse de outras entidades e empresas virem cá para trabalhar, por ter um sistema favorável, reflete no investimento na cidade, postos de trabalho, mas também o reconhecimento do trabalho das universidades, possibilidade de criar redes de contatos com outras entidades, intercâmbios, quer científico quer empresarial. As empresas passam a ter uma projeção internacional, que traz possibilidade de crescimento, cria emprego e bem-estar para quem trabalha na cidade. E tem a própria manifestação artística, e como pode estar a serviço da cidade”, disse.

No mesmo evento, Barcelos foi reconhecida pela Unesco pela sua arte e artesanato.

A decisão de candidatar Barcelos à Rede de Cidades Criativas da UNESCO foi baseada na existência de uma comunidade criativa local com reconhecimento nacional adquirido ao longo dos séculos. Apesar de serem consideradas cidades criativas em diferentes categorias, Cláudia não descarta uma parceria no futuro.

“Em Portugal, para além de Braga, foram duas nomeações, no artesanato e na música (Amarante). Obviamente que sendo temas bastante diversos, no caso de Braga e Barcelos, para uma cidade criativa nos termos mediáticos, quase oposto, mas há espaço para colaboração, e que sempre traz valor às cidades. Estaríamos desde antes disponíveis para trabalhar com esses parceiros, e agora são mais razões que se somam. É um contexto a ponderar no futuro e que será visto com muito agrado pelas cidades que fazem parte desta rede”.

Programa “Laboratório Vivo para a Descarbonização”

Braga e Barcelos foram selecionadas pelo Fundo Ambiental para a primeira fase de desenvolvimento do plano de implementação de um “Laboratório Vivo para a Descarbonização”.

O Programa Laboratórios Vivos para a Descarbonização – Living Labs – tem múltiplos objetivos, nomeadamente fomentar a descarbonização das cidades através de soluções tecnológicas que aumentem a eficiência e reduzam o consumo de energia e criar, em conjunto, cidades inovadoras, sustentáveis e inclusivas que visem a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e das comunidades.

Miguel Bandeira, vereador do urbanismo, do planeamento e ordenamento e da revitalização Urbana de Braga, falou sobre o projeto.

“Este é um projeto estruturante e complementar a outros em curso para a alteração do paradigma de mobilidade em Braga. Aliado a uma Intervenção física, cujo projeto de execução esta a ser ultimado, esta candidatura visa explorar a componente tecnológica, associando-a a monitorização dos consumos, modos de circulação, do ambiente, etc. O contributo do plano de implementação tem que ser submetido em dezembro para a implementação de projetos piloto. Tal como o nome indica a cidade será palco de iniciativas de teste de base tecnológica”, explicou.

Hospitais

O Hospital de Braga é considerado, pelo terceiro ano consecutivo, um dos melhores hospitais públicos do país e recebeu o “Prémio Consistência” no grupo de hospitais de média/grande dimensão do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O ‘Prémio Consistência’ distingue o hospital que no último triénio obteve os melhores resultados globais no seu grupo de referência.

João Ferreira, Presidente da Comissão Executiva do Hospital de Braga com Manuel Delgado, Secretário de Estado da Saúde. Foto: Divulgação

A atribuição deste prémio teve por base três critérios, nomeadamente, o maior número de presenças nos três primeiros lugares, melhor somatório de posições globais e melhor posição global de sempre, tendo em conta a qualidade assistencial, eficiência e adequação.

O Hospital Santa Maria Maior  E.P.E. de Barcelos, também foi distinguido com o prémio de excelência dos hospitais “Top 5 2017” relativo a melhor hospital do Grupo B.

Este é um prémio relacionado com os indicadores de qualidade e eficiência atingidos nos últimos três anos. Nas quatro edições do prémio é a terceira vez que o hospital de Barcelos é agraciado com esta distinção.

“O hospital destaca-se na apreciação de um conjunto de indicadores, que tem um peso relativo diferentes, e que resultam em um valor final, que permitiu situar dentro do seu grupo, que é o grupo B, de hospitais com menor dimensão do Sistema Nacional de Saúde. Quando falamos de indicadores, eficiência clínica, registos clínicos, gestão, como os recursos e atividades desenvolvidas, doentes que se trata por médico, por enfermeiros”, explicou Joaquim Manuel Araújo Barbosa, presidente do conselho de administração do hospital.

O conjunto de hospitais portugueses foram galardoados com dez prémios. Apenas um foi obtido por um hospital do Sul, todos os outros nove são do Norte, destes, três foram atribuídos  na região do Minho.

Parece de fato que os hospitais do Norte são mais eficientes na gestão, não sei os motivos. Mas conseguimos, apesar das dificuldades, obter essa classificação. O Minho é uma terra de trabalho, de esforço. E dependemos dos utentes para termos o financiamento, e o Minho tem dado cartas”, disse Joaquim Manuel.

Estes prémios vieram numa época conturbada para a área, porém apesar das habituais greves o Hospital Santa Maria Maior tem feito de tudo para não afetar o seu funcionamento.

Este ano tem sido particularmente difícil a esse respeito, foram várias greves. E no nosso caso, tem afetado a atividade. O conselho respeita a lei no que a isso diz respeito. Em dias de greve, tentamos que os utentes sofram o menos possível. Mas também temos que respeitar o que está previsto para estes dias”, comentou.

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