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Barcelos

Barcelos pioneira a nível nacional no tratamento da saúde mental de crianças e jovens

Primeiro concelho a ter Unidades de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) de Saúde Mental para a Infância e Adolescência

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Fotos: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Barcelos é o primeiro concelho do país a ter Unidades de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) de Saúde Mental para a Infância e Adolescência. Os acordos entre o Governo e a RECOVERY IPSS, instituição particular de solidariedade social responsável pela gestão dos espaços, já foram assinados e já estão no terreno.

“Um avanço notável para o tratamento das doenças mentais” reconhece Miguel Durães, presidente de direção da RECOVERY IPSS. O símbolo é também ele emblemático: um galo verde que já chegou a vários cantos do país: “queremos que o símbolo da Saúde Mental chegue o mais longe possível”.

São três as unidades espalhadas pelo concelho de Barcelos que dão diferentes respostas às pessoas portadoras de doenças mentais bem como às suas famílias. O MINHO foi conhecer um pouco de uma realidade que começa ‘a sair para rua’.

António (nome fictício) está deitado no chão, em cima da relva, com mais quatro jovens. Fazem uma dinâmica de grupo. Com um novo penteado radical, ainda não tem 18 anos e chama a atenção pelos constantes abraços que dá a quem conhece melhor.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Joana (nome fictício) tem 16 anos, vegetariana convicta, ensina os seus colegas a fazerem receitas mais saudáveis. A sua especialidade são almôndegas de beringela.

Os dois jovens são alguns dos utilizadores da UCCI Sócio Ocupacional situada em pleno centro de Barcelos num edifício moderno. Por dia, passam pela Unidade 10 jovens que podem não ser os mesmos todos os dias, depois das aulas, numa escola comum, para participarem em programas de reabilitação psicossocial.

Miguel Durães, Presidente da RECOVERY IPSS. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

‘Reserva sempre tempo para as coisas que te fazem sentir vivo’. É uma das frases escrita num lugar estratégico dentro do edifício. “A nossa crença é que os nossos utilizadores podem recuperar a nível clínico e pessoal, podem voltar a ter uma vida normal, a viver uma vida autónoma”, revela Miguel Durães.

Por isso, na RECOVERY IPSS não há modelos prescritivos, os utilizadores são tratados pelos nomes, não há batas e “o trabalho que desenvolvemos é sempre com o objectivo de tomarem conta das suas vidas, de os empoderar”.

Segundo o presidente da RECOVERY IPSS, “falta intervenção precoce na infância onde 20% tem problemas emocionais, desenvolvimentais ou comportamentais”. Uma das utilizadoras da IPSS vai agora fazer ERASMUS e uma outra já retomou os estudos.

Unidade de Dia Sócio Ocupacional (ambulatório de adultos)

Filipe é a vedeta do Centro de dia ocupacional depois de uma reportagem televisiva ter dado protagonismo ao vianense. Teresa Lomba é a ‘cicerone’ na unidade situada em Vila Frescaínha S. Martinho. “A nossa filosofia é transversal a todas as nossas unidades, por os utilizadores o mais autónomos possíveis”.

Com 28 utilizadores, mas só com acordos para 20, vindos de Viana do Castelo, Barcelos, Esposende, Guimarães ou Braga, o centro tem as portas abertas, “eles entram e saem quando quiserem, desde que obedeçam a simples regras. As atividades são sugeridas por eles. Por isso, são dinâmicas”.

Há quem vá até à feira, ao Centro de Saúde ou pagar serviços.

“Eles fazem tudo como se estivessem em casa”.

Participam nas recolhas de alimentos do Banco Alimentar e há utilizadores que levam, à noite, o jantar numa parceria com o gabinete municipal.

Filipe não é só a vedeta, é também um exemplo dos benefícios de unidades com esta especificidade. Não só reduziu a medicação como passou, em poucos anos, de seis crises anuais para apenas uma. “O fato de estarem sob a nossa alçada e estarmos em contacto permanente com as famílias permite-nos antecipar as crises agudas que possam ter”, diz Teresa Lomba.

A unidade de dia sócio ocupacional presta, também, serviço à comunidade ao nível de consultas externas na área da saúde mental com preços sociais.

“Assim, conseguimos aumentar a qualidade de vida dos utilizadores e da própria família”.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Outra das particularidades destas unidades é a existência de um porta-voz que coordena uma reunião semanal entre eles onde debatem o que está bem e o que está mal. Esse porta-voz reúne-se com a equipa técnica dando conta das conclusões dessas reuniões.

UCCI Residência (internamento – jovens)

Na freguesia de Adães fica a Residência de Treino de Autonomia com seis camas e destinada à infância e adolescência. “É uma unidade, localizada na comunidade, destinada a desenvolver programas de reabilitação psicossocial e terapêutica”, esclarece Miguel Durães, “para crianças e adolescentes entre os 11 e os 17 anos, com perturbação mental grave e reduzido ou moderado grau de incapacidade psicossocial mas clinicamente estabilizados”.

Um recente aditamento ao acordo celebrado (o único no país com aumento de capacidade instalada) vai permitiu passar de seis para sete camas com um serviço 24 horas por dia.

A equipa técnica da RECOVERY IPSS é composta por uma Coordenadora Geral, uma Coordenadora Clínica (Psiquiatra de Infância e Adolescência), três enfermeiros, dois psicólogos, psicomotricidade, uma professora de educação física, cinco monitores, uma assistente social.

A admissão dos utilizadores é feita baseada em relatórios oficiais, com avaliações sistemáticas.

Cada adolescente tem direito a um quarto individual.

Para Miguel Durães, se todas as unidades estivessem num espaço só “estamos a falar de um modelo asilar, estávamos a institucionalizar, a estigmatizar, e não é isso que se pretende. A especialização de respostas junto dos utilizadores e suas famílias deve ser o nosso foco e isso faz-se estando inserido na comunidade, acabando com a burocracia, dando qualidade de vida e possibilitando a reinserção dos nossos utilizadores novamente na sociedade”.

Padrinhos e transparência

A RECOVERY tem sido uma das IPSS mais reconhecidas a nível nacional por várias entidades, ganhando prémios, como o do BPI Solidário, prémio Fidelidade Comunidade, prémio Fundação Manuel António da Mota ou, mais recentemente, o Prémio Cinco Estrelas Regiões 2019 – Braga.

Miguel Durães, Presidente da RECOVERY IPSS. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O trabalho na área da Saúde Mental é suportado com a ajuda de 60 padrinhos, “desde fundações passando por empresas e terminando em pessoas a título individual” porque “não se consegue viver apenas com o que é contratualizado com o Estado”.

Para o presidente da RECOVERY, a “transparência é fundamental. Temos avaliações financeiras e técnicas trimestralmente, as últimas quatro avaliações estavam sem inconformidades, somos regulados pela ERS (Entidade Reguladora de Saúde), pela Equipa de Coordenação Local, pela Equipa de Coordenação Regional e pela Comissão Nacional”.

Saúde Mental

As esquizofrenias, a bipolaridade e as depressões crónicas são as doenças mais identificadas junto da população. “A saúde mental, em Portugal, está 50 anos atrasada em relação ao resto da Europa”, diz o, também, psicólogo clínico.

Os números impressionam: 31% da população, segundo a OMS, tem uma perturbação psicológica ou psiquiátrica num dado momento da sua vida. O livro verde da saúde fala em 80,9 milhões de pessoas na Europa com uma doença mental.

Portugal é o segundo país do mundo, a seguir aos Estados Unidos, com a maior taxa de prevalência onde 23% sofre de uma doença mental dos quais 19% são graves. Em 10 incapacidades para o trabalho, cinco são de natureza psiquiátrica. É a maior causa de reforma antecipada, de pensões de invalidez e de baixa médica, “com custos intangíveis se associarmos as consequências à produtividade”.

Miguel Durães lembra que “a depressão e o stress matam mais gente do que os acidentes de viação e o VIH”.

Ora em contrapartida, “a Saúde Mental tem o menor orçamento dentro da saúde, é o parente pobre da saúde, sem qualquer tipo de dúvida”.

Números

Os dados apresentados pela IPPS de Barcelos provam o trabalho intenso que está a ser desenvolvido e ao mesmo tempo, o trabalho que ainda é preciso fazer para combater as décadas de atraso.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Apenas no ano passado (2018), a RECOVERY IPSS chegou a 816 beneficiários dos 200 inicialmente previstos, já proporcionou 661 consultas de psicologia, pedopsiquiatria interna e externa e 253 consultas de enfermagem. Em termos de planos de intervenção na área educacional e/ou profissional foram desenvolvidos 379 dos 30 previstos.

“É uma Instituição que existe para ter lucro, mas não para ganhar dinheiro. O nosso lucro é a reabilitação dos nossos utilizadores, quer sejam jovens ou adultos. O nosso lucro são as pontes que estabelecemos com a comunidade. O nosso lucro são vocês, todos vocês que nos acompanham na defesa desta nobre causa”, termina Miguel Durães.

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Barcelos

Mulher em estado grave após despiste em Barcelos

Mistura de chuva e barro alegadamente na origem do despiste

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Foto cedida a O MINHO por Miguel Gonçalves

Uma mulher, com cerca de 70 anos, ficou com ferimentos considerados graves na sequência de uma colisão lateral ao final da manhã deste sábado, na Estrada Nacional 205, em Ucha, Barcelos.

Foto cedida a O MINHO por Miguel Gonçalves

De acordo com testemunhas no local, uma das viaturas envolvidas seguia no sentido Prado-Barcelos quando terá entrado em despiste, alegadamente devido ao estado escorregadio do piso [mistura de chuva e barro], indo embater lateralmente contra um carro que seguia no sentido contrário.

Foto cedida a O MINHO por Vítor Vasconcelos

Ao que O MINHO apurou, a vítima em estado grave seguia na outra viatura, no lugar do pendura, tendo ficado encarcerada. O condutor dessa mesma viatura, marido da vítima que ficou em estado grave, sofreu ferimentos considerados ligeiros. Ambos têm idades perto dos 70 anos.

Ao local deslocaram-se os Bombeiros de Barcelos com viatura de desencarceramento, VMER de Barcelos e INEM de Barcelos.

A GNR registou a ocorrência cujo alerta foi dado pelas 12:42 deste sábado.

Pelas 13:46, o trânsito encontra-se condicionado naquela estrada em ambos os sentidos.

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Barcelos

Jovem morre na A3 em Barcelos após bater em contramão

Colisão dobrou cisterna do camião que transportava combustível

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Um jovem de 27 anos, residente em Guimarães, morreu e um homem ficou com ferimentos na sequência de uma colisão frontal ao quilómetro 52 da Autoestrada n.º3, em Barcelos, entre um camião de matérias perigosas e um automóvel da marca Mercedes, que seguia em contramão naquela autoestrada.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Ao que apurou O MINHO, o camião seguia no sentido Braga-Valença quando foi surpreendido por uma viatura que circulava em contramão, não conseguindo evitar o brutal choque que deixou ambas as viaturas bastante danificadas.

O camionista ainda tentou encostar a viatura pesada ao separador central mas não conseguiu evitar a colisão, arrastando a viatura ligeira por mais de 50 metros. O camião acabou dobrado, e foi necessário efetuar trasfega do material transportado, cerca de 33 mil litros de combustível – peso de 28 toneladas -, para outra cisterna.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Ao que foi possível apurar, um outro carro vinha a acompanhar o Mercedes no sentido correto, a mais de 140 quilómetros horários, desde a estação de serviço de Barcelos.

Os serviços de desencarceramento do condutor do veículo ligeiro demoraram cerca de 02:30 horas, mas o condutor já estava sem vida.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O condutor do camião foi transportado para o Hospital de Braga com ferimentos ligeiros.

No local estiveram os Bombeiros Sapadores de Braga com viatura de desencarceramento e uma ambulância no total de oito elementos, os Bombeiros de Barcelinhos com uma viatura de desencarceramento e duas ambulâncias, no total de 9 elementos, a VMER de Famalicão e o serviço da concessionária BRISA.

A vítima mortal foi transportada para o Instituto de Medicina Legal de Braga.

O alerta foi dado pelas 04:28 para a freguesia de Lama, Barcelos. A GNR de Ponte de Lima registou a ocorrência.

Notícia atualizada às 08h23

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Barcelos

Catarina Martins visita casas sociais em Barcelos e deixa críticas ao ministro das Finanças

“Quem quer pontes, não as queima”

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Foto: Facebook de Catarina Martins

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, respondeu esta sexta-feira às críticas do ministro Mário Centeno com o aviso de que “quem quer pontes, não as queima”, salientando que o partido não está arrependido dos últimos quatro anos.

Em Barcelos, após uma visita a um bairro social recentemente requalificado, Catarina Martins mostrou-se “agradada” por o programa do BE “estar no centro do debate e das preocupações do PS”.

“Não sei se o Partido Socialista está arrependido destes quatro anos, nós no Bloco de Esquerda não estamos”, referiu.

Aludindo às declarações do ministro das Finanças, Mário Centeno, que hoje acusou o BE de ter um problema “endémico” com as contas, Catarina Martins disse que o Bloco tem um programa com contas certas e devolveu as críticas ao PS, acusando-o de ter apresentado um programa “sem contas”.

“Fico agradada pelo facto de o programa do BE estar no centro do debate e das preocupações do PS, alguma coisa estamos a fazer bem. Apresentamos compromissos claros e contas certas e ainda bem que assim é. É bom apresentarmos os compromissos claros, o que queremos fazer, quanto é que custa, é assim que o BE tem agido”, referiu.

Acrescentou que o PS começou por apresentar “um programa sem contas” e que agora apresenta contas sem “qualquer capacidade orçamental” para cumprimento das suas promessas.

Voltando à solução governativa dos últimos quatro anos, a líder do BE congratulou-se com o acordo alcançado, vincando que ele “não permitiu que as pensões fossem congeladas, que as empresas pagassem menos à Segurança Social ou que o despedimento fosse facilitado, como o PS tinha no seu programa em 2015”.

“Conseguimos trabalhar juntos, valorizar salários, valorizar pensões, começar a fazer um caminho diferente para o nosso país com mais dignidade para quem trabalha. Estamos orgulhosos do caminho que fizemos”, sublinhou.

Em relação às críticas que o PS tem feito ao Bloco, Catarina Martins respondeu assim: “quem quer fazer pontes, não as queima”.

Sobre a habitação social, Catarina Martins disse ser possível que “pelo menos 60 mil casas” sejam recuperadas nos próximos quatro anos.

Para a líder do Bloco, essa intervenção garantiria a eficiência energética, a poupança na conta da luz dos moradores e 7.000 postos de trabalho.

“Não podemos continuar décadas com a habitação do Estado absolutamente abandonada”, disse ainda.

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