‘Unicórnio’ de empresário de Guimarães retirado da Bolsa de Nova Iorque

José Neves. Foto: Farfetch / Arquivo

A bolsa de Nova Iorque anunciou esta manhã que vai retirar as ações da Farfetch em negociação, depois do resgate ocorrido na segunda-feira a envolver o grupo Coupang, da Coreia do Sul, por não estar em conformidade com as regras daquele mercado.

O unicórnio fundado pelo empresário de Guimarães, José Neves – que continuará na empresa – entrou naquela bolsa em setembro de 2018, com cada ação a chegar aos 27 dólares no dia de estreia. Agora, cinco anos volvidos, o saldo é negativo e os prejuízos ascendem aos 2,5 mil milhões de dólares, sobretudo neste último ano, onde apenas o primeiro semestre foi divulgado (prejuízo de 450 milhões de dólares).

Farfetch não recorre

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a Farfetch diz que não irá recorrer da decisão da bolsa nova-iorquina sobre o cancelamento das ações e retirada dos valores mobiliários da empresa da negociação em bolsa e até do registo da empresa no mercado de Nova Iorque.

Recorde-se que a empresa de José Neves assinou um acordo de empréstimo de 500 milhões de dólares com o grupo de comércio virtual Coupang, que adquiriu os ativos e todos os negócios do unicórnio português.

Este acordo não caiu muito bem por entre trabalhadores e acionistas, que ficaram sem as suas ações, uma vez que o acordo celebrado com os sul-coreanos implica a perda total dos investidores.

Durante a pandemia, com o aumento do consumo virtual, a Farfetch chegou a valer 23 mil milhões de dólares, com cada ação a subir até aos 73 dólares no mercado norte-americano. A última compra de uma ação da Farfetch foi feita por 0,6 dólares, no final da passada semana.

José Neves permanece na empresa

Segundo o jornal Público, José Neves permanece a liderar a empresa, bem como toda a direção anterior, e até novas ordens, não há despedimentos e o trabalho é para continuar como habitual.

Conforme noticiou O MINHO na segunda-feira, o empresário de Guimarães enviou uma nota aos trabalhadores onde indicou que a empresa “continuará a operar normalmente”.

Contudo, alertou o empresário, “os acionistas” não vão ganhar nada “das suas participações adquiridas e não adquiridas”, apontando que este “é o melhor caminho para a estabilidade geral da Farfetch”. 

“A Farfetch irá dedicar-se novamente a fornecer a experiência mais elevada para as marcas mais exclusivas do mundo, ao mesmo tempo que procura um crescimento constante e ponderado como empresa privada”, concluiu o comunicado assinado por José Neves. 

 
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