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“Se há uma área onde não podemos regatear é a da saúde”

Diz o primeiro-ministro

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António Costa: Foto: Twitter

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje, no Porto, que Portugal “não pode sair” da crise pandémica “mais frágil” do que estava antes, considerando que se há área na qual “não se pode regatear” é a da saúde.


“Há uma área onde não podemos regatear, uma área onde é preciso fazer tudo o que for necessário fazer, que é a saúde. Quanto ao mais, temos de fazer com conta, peso e medida necessários, sabendo que há um amanhã depois da crise”, disse António Costa.

O governante – que falava no Porto, numa sessão de perguntas e respostas conduzida pelo presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Alexandre Meireles – falou da crise, da pandemia da covid-19, das negociações sobre os fundos europeus, bem como de temas associados ao Orçamento do Estado (OE) para 2021, demorando-se mais nas respostas sobre programas de incentivo ou apoio às empresas.

Confrontado de imediato com a pergunta “como vamos conseguir superar esta crise?”, Costa começou por dizer que esta é “uma crise inédita pela sua escala mundial” e por ter “um fator externo à economia”, o novo coronavírus, para depois ser direto: “Enquanto não tivermos superado a crise pandémica, dificilmente vamos ter uma retoma devidamente sustentada”.

A este respeito, o primeiro-ministro disse existir “um consenso muito claro” sobre prioridades e que estas passam por “manter os fatores produtivos vivos e tentar evitar que as empresas colapsem, proteger os empregos que são necessários no futuro e o rendimento das famílias e aproveitar para preparar uma estratégia de relançamento”.

“Não queremos regressar a fevereiro deste ano, mas sim acelerar a transição para o futuro. A União Europeia deu um salto enorme com a aprovação do plano de recuperação e resiliência. Não podemos sair mais frágeis desta crise, do ponto de vista financeiro, do que estávamos antes”, referiu o primeiro-ministro que falou perante algumas dezenas de jovens empresários e em direto para as redes sociais da ANJE e sem responder a perguntas dos jornalistas quer na sessão, quer à margem.

Também questionado sobre a “famosa bazuca europeia”, ou seja, os fundos europeus, António Costa disse acreditar que “começará a executá-los no primeiro trimestre do próximo ano”, indo até mais longe: “O OE que deu entrada na Assembleia da República prevê já alguma antecipação de fundos para 01 de janeiro de 2021”, referiu.

António Costa explicou que “está previsto um pré-financiamento de 10% que estará disponível a partir de janeiro”, mas também salvaguardou que será “no pressuposto de que o Parlamento Europeu, até lá, aprova o que tem de aprovar que é um acordo final entre o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu”.

“Acho muito provável que haja acordo porque a situação económica e social da Europa não consente que não haja acordo. Temos mecanismos já montados, opções de tesouraria que nos permitem começar a antecipar financiamentos por conta dos programas comunitários que virão”, apontou o governante.

Já sobre o Portugal 2020, Costa revelou que atualmente a execução nacional deste quadro comunitário de apoio ronda os 55%, enquanto a média europeia é de 42%.

“São 12 mil milhões de euros que ainda estão por executar. É muito dinheiro q ainda vai entrar na economia. Não creio que haverá riscos de não haver uma execução total dos fundos”, garantiu.

Numa sessão em que as preocupações face às consequências na economia que tem e terá a pandemia da covid-19 estiveram muito presentes, Costa também falou de um fator subjetivo a ter em conta para o futuro, a confiança, e deu o exemplo do trismo para explicar o porquê de prever um período de ajustamento”.

“No verão houve uma grande guerra sobre os corredores verdes e vermelhos. Ninguém queria estar no corredor vermelho porque não queriam que lhes roubassem turistas. Na verdade ninguém roubou nada a ninguém porque as pessoas não viajaram. Não havia confiança e não viajaram (…). Teremos provavelmente um período de ajustamento”, referiu numa conversa promovida pela ANJE que durou cerca de 40 minutos.

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Frequentar ginásios ou viver em casas lotadas aumentam risco de infeção

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

Frequentar ginásios ou viver em casas mais lotadas são fatores de risco acrescido de infeção com o novo coronavírus, ao contrário da utilização de transportes públicos, espaços comerciais e de restauração, revela um estudo hoje divulgado.

O estudo foi apresentado por Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, durante uma reunião de peritos, na sede do Infarmed em Lisboa, para debater a situação epidemiológica de Portugal.

O estudo foi realizado na região de Lisboa e Vale do Tejo e envolveu 782 pessoas infetadas com o SARS-Cov-2, o coronavírus que provoca a doença covid-19, e a recolha de informação ocorreu entre 02 de outubro e 06 de novembro.

O estudo refere que quase metade dos infetados (47,6%) tinham frequência do Ensino Superior e uma grande maioria disse que ia ao ginásio pelo menos uma vez por semana (96,5%).

“Perguntamos a exposição nos últimos 14 dias no caso dos controles [pessoas que não desenvolvem a infeção] e os 14 dias que precederam o diagnóstico, quando estávamos a interrogar os casos de pessoas com a infeção, perguntamos as vezes em que estiveram em ginásios, em centros comerciais, estruturas de restauração”, referiu Henrique de Barros.

Os participantes no estudo foram ainda questionados sobre se utilizaram transportes coletivos, se estavam em teletrabalho ou exerciam a sua profissão no local de trabalho.

“Há diferenças evidentes na frequência destas exposições entre os controles, digamos na generalidade da população, e as pessoas que tinham desenvolvido a infeção e a frequência de ginásio era mais alta nos que desenvolverem a infeção”, salientou o epidemiologista.

Já a frequência de centros comerciais e a restauração era mais alta nas pessoas que não desenvolveram a infeção.

“A utilização de pelo menos uma vez nos últimos 14 dias de transporte coletivo era mais alta nas pessoas que se apresentaram como casos de infeção e o teletrabalho era muito mais alto entre os controlos que não tinham infeção”, salientou.

Com os valores ajustados para o sexo, idade, nacionalidade e grau de instrução ou escolaridade, os ginásios permanecem como contexto mais frequente entre quem apresenta infeção, adiantou.

“Estar exposto a centros comerciais e a restauração é mais frequente entre aqueles que não desenvolveram a infeção”, referiu Henrique de Barros, que adiantou que “o teletrabalho é claramente e muito significativamente mais frequente entre as pessoas que não desenvolveram a infeção”.

O estudo identificou ainda que as pessoas que trabalham em assistência a idosos e os profissionais de saúde têm claramente o risco aumentado de infeção.

“Nestas estimativas são as duas profissões que permanecem claramente em maior risco e, portanto, exigem maior atenção e, pelo contrário, os estudantes do ensino superior têm até um risco diminuído, bem como os reformados quando comparados com pessoas ativamente a trabalhar”, salientou.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,3 milhões de mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 3.701 em Portugal.

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ONU prevê recessão mundial de 4,3% em 2020

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

A Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) prevê uma recessão económica mundial de 4,3% este ano, antecipando um crescimento de 4,1% em 2021, de acordo com um relatório hoje divulgado.

“A UNCTAD prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) caia cerca de 4,3% em 2020, com uma recuperação mundial esperada de 4,1% em 2021”, pode ler-se no relatório “Impacto da pandemia de covid-19 no Comércio e Desenvolvimento”.

O documento prevê um cenário pior, em termos de decrescimento económico, para as economias desenvolvidas, que devem registar uma queda do PIB de 5,8%, ao passo que as economias em desenvolvimento devem cair 2,1%.

As economias desenvolvidas devem “esperar uma recuperação mais fraca em 2021, nos 3,1%, comparados com os 5,7%” das economias em desenvolvimento, segundo a UNCTAD.

“Ao contrário da crise financeira mundial de 2008/09, os países em desenvolvimento deverão experenciar um crescimento negativo em 2020, e as economias desenvolvidas deverão experienciar uma queda muito mais profunda na produção, passando de 3,4% em 2009 comparado com 5,8% em 2020”, de acordo com o relatório.

A UNCTAD afirma ainda que “sem surpresa, os dados mostram uma variedade divergente de tendências a nível regional e de países”, com a China e a Coreia do Sul a preverem “um crescimento positivo, apesar de fraco, em 2020, de 1,3% e 0,1%, respetivamente.

“As Américas, tanto a desenvolvida como a desenvolvimento, deverão experenciar um crescimento negativo da produção em 2020: a Argentina nos -10,4%, o Brasil nos 5,7%, o México nos -10% e os Estados Unidos da América de -5,4%”, segundo o relatório da UNCTAD.

Também os países europeus deverão “sofrer um crescimento negativo significativo este ano, com a França nos -8,1%, a Alemanha nos -4,9%, a Itália nos -8,6% e o Reino Unido nos -9,9%”.

O documento não apresenta previsões para Portugal.

O FMI prevê uma queda da economia mundial de 4,4% em 2020, com uma contração de 4,3% nos Estados Unidos e de 5,3% no Japão, enquanto a China deverá crescer 1,9%.

Para 2021, a organização com sede em Washington antecipa um crescimento da economia mundial de 5,2%, face a 2020.

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Apenas 25% dos portugueses mantêm distância recomendada

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Foto: O MINHO / Arquivo

Mais de um terço dos portugueses saíram de casa nas últimas duas semanas sem ser para ir trabalhar e apenas 25% mantiveram a distância recomendada de dois metros entre as pessoas, segundo um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública.

O estudo Perceções Sociais sobre a Covid-19 foi apresentado hoje pela diretora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Carla Nunes, na reunião do Infarmed que reuniu vários peritos para analisar a situação epidemiológica em Portugal no âmbito da pandemia de covid-19.

Sobre a frequência de saída de casa nas últimas duas semanas sem ser para ir trabalhar, especialmente na última quinzena de novembro, observa-se “uma diminuição de todos os dias ou quase todos os dias”, mas com valores “ainda muito elevados” de cerca de 35%, segundo os dados do estudo Barómetro Covid-19 Opinião Social, que inquiriu 182.581 pessoas desde março.

Relativamente à pergunta se o inquirido usou sempre máscara quando saiu de casa e esteve com outras pessoas, observou-se uma melhoria novamente em setembro e outubro, mas ainda há 20% a dizerem que nem sempre usaram.

Quando se questiona se o inquirido esteve sempre de máscara quando esteve em grupos com dez ou mais pessoas, 35% admitiram que não.

Ao analisar o acesso aos serviços de saúde, o estudo da ENSP verificou que há ainda cerca de 20% das pessoas a dizerem que necessitavam de ir a consultas, mas que não foram por receio ou porque foi desmarcada pelo serviço.

Cerca de 40% disseram evitar ou a adiar cuidados não urgentes por receio de contrair covid-19 nos serviços de saúde.

Em relação ao nível de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde à covid-19 observa-se “desde maio, junho uma tendência muito clara com o pouco confiante e nada confiante a ganharem espaço e relevância e, neste momento, cerca de 40% das pessoas a manifestaram esses sentimentos.

Sobre a mesma questão, mas para outras doenças sem ser covid-19, este padrão mantém-se “com o pouco confiante ou nada confiante a ganharem cada vez mais peso”, com perto de 70% das pessoas a afirmarem-no.

A adequação das medidas implementadas pelo Governo no combate à covid-19 também mostra “um claro padrão”, com cerca de 50% a considerarem-nas muito adequadas e adequadas e os restantes pouco adequadas e nada adequadas.

Inquiridos sobre tem a intenção de tomar a vacina contra a covid-19 assim que estiver pronta, 25% afirmaram que estão disponíveis para a tomar, contra 10% que não pretendem ser vacinados.

Metade disse estar confiante ou muito confiante em relação à eficácia e segurança das vacinas, adianta o estudo.

A ENSP abordou também a perceção do estado de saúde nos últimos dois meses. “Em termos de saúde mental esteve melhor durante o verão, mas agora está semelhante também ao início da pandemia”, disse Carla Nunes.

Quem apresenta pior estado de saúde, seja global, seja mental, são as mulheres, os mais velhos e com menores níveis de escolaridade, salientou.

Sobre a frequência com que a pessoa se tem sentido agitada, ansiosa, em baixo ou triste devido às medidas de distanciamento físico, o estudo verificou algumas variações ao longo da pandemia, mas agora estão semelhantes nesta última quinzena ao início da pandemia, na segunda quinzena de março.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,3 milhões de mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 3.701 em Portugal.

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